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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

09/10/2014 06:35

Mensagem difícil de decifrar leva a um "pequeno tesouro" plantado na periferia

Aline Araújo
A placa fixada na árvore dá nome a rua. (Foto: Marcos Ermínio)A placa fixada na árvore dá nome a rua. (Foto: Marcos Ermínio)

“Rua Vai Quem Quel. Esquina com Escorrega La Vai Um. Recanto dos Eucaliptos”, informa a placa fixada em árvore na entrada de uma ocupação no bairro Mário Covas. O erro ortográfico é o que chama menos atenção. Nem os próprios moradores do bairro entendem o que a placa significa, muito menos, imaginam que indica a localização de um "tesouro".

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“Nós íamos perguntar para ele (autor da faixa) o que significa, mas ficamos com vergonha”, comenta Gracione Souza, de 40 anos, a vizinha que mora em frente ao local onde a placa foi fixada. Ela aponta para a casa no final do "trieiro" aberto pelos moradores entre os barracos construídos por ali. “A filha dele mora lá fundo, pergunta para ela”, aponta.

A placa marca o inicio da rua. (Foto: Pedro Peralta)A placa marca o inicio da rua. (Foto: Pedro Peralta)

Chegando à última casa, feita de madeira, encontramos Ester Luciana dos Santos, de 40 anos. A filha confirma que quem colocou a placa foi o pai, Valdeir Almeida, de 67 anos, mas comenta que nem ela entendeu direito a mensagem escrita em letras vermelhas, em um compensado curvo, preso com tampinhas de garrafa.

Na casa, mora Ester, a irmã e o filho, o pai vive no bairro Paulo Coelho Machado, mas sempre vai almoçar com as filhas. “Ele esteve aqui mais cedo, veio almoçar com a gente. Ele sempre inventa alguma coisa. Quando a gente mudou para cá, para fugir o aluguel que estava difícil, não tinha quase ninguém. Só mais duas casa, foi meu pai que fez essa rua com a ajuda dos vizinhos”, lembra.

Aos poucos, o Lado B foi desvendando o mistério da placa, o final da rua “Vai Quem Quer” e não "Vai Quem Quel", acaba em uma plantação de eucaliptos plantados um a um pelo próprio Valdeir há 8 anos.

O lugar é todo irregular, sem titulação, mas a família arrumou tudo como se fosse ficar para sempre. Para aproveitar a sombra das árvores, ele também fez mesinhas com rodas de carroça e banquinhos com tábuas de madeira e concreto.

Ao lado da casa, a plantação de eucaliptos de Valdeir. (Foto: Pedro Peralta)Ao lado da casa, a plantação de eucaliptos de Valdeir. (Foto: Pedro Peralta)
Área de lazer aproveita a sombra das árvores. (Foto: Pedro Peralta)Área de lazer aproveita a sombra das árvores. (Foto: Pedro Peralta)

A área de lazer, que tem até churrasqueira, montada por ele no fundo da casa da filha é o tal “Recando dos Eucaliptos”, também anunciado na placa.

Valdeir garante que a placa foi presente da prefeitura para ajudar na hora da correspondência entregue pelos Correios, apesar de todos os erros e a escrita à tinta. “Está registrado lá”, informa.

E o nome, “Escorrega Lá Vai Um”, já é antigo. “Lá em baixo tinha uma rua que chamava assim, porque tinha uma pinguela (ponte improvisada). Quem ia lá escorregava e caia dentro do córrego”, explica, meio confuso.

 

Nem Ester entendia direito a placa colocada pelo pai. (Foto: Pedro Peralta)Nem Ester entendia direito a placa colocada pelo pai. (Foto: Pedro Peralta)

Mandaram tirar a ponte de lá, por isso “Esquina com Escorrega Lá Vai Um”. A ideia de plantar mais de dois mil pés de eucaliptos em uma área que não é dele, surgiu com o sonho do dinheiro que vem da árvore bem valorizada no mercado.

“Os vizinhos falaram que eu era doido, que daqui um dias eles iriam tirar a gente dali e mandar para outro lugar. Desse dia, já faz oito anos”, comenta, rindo da situação.

Mesmo com toda a incerteza que uma ocupação ilegal significa, ele parece ter certeza que vai lucrar um dia. “Eu conversei na prefeitura e eles garantiram que no dia que forem desocupar a área eles só querem o terreno é para eu me virar e tirar meus eucaliptos de lá”, conta o feirante, que por segurança, já comprou até uma motosserra para fazer o trabalho.

Há um tempo, diz que já ganhou uma quantia com meia dúzia de eucaliptos que havia plantado, e que sabia que a árvore valia a pena. Para Valdeir, as árvores são um pequeno tesouro, que vai ganhando valor a cada dia, mas por enquanto, só deu nome à rua que não está no mapa.

Ele decidiu investiu para ver se dinheiro realmente nasce em árvore. Ele decidiu investiu para ver se dinheiro realmente nasce em árvore.



“Os vizinhos falaram que eu era doido, que daqui um dias eles iriam tirar a gente dali e mandar para outro lugar. Desse dia, já faz oito anos”, comenta, rindo da situação.
Se certas pessoas lessem isso ficariam incomodadíssimas e já iam acionar o MP.
 
Cyro Escobar Ribeiro Neto em 09/10/2014 08:19:17
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