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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

05/03/2014 06:52

Mesmo com promessa até da Ásia, irmãos querem continuar vendendo abacates

Anny Malagolini
Everton, de 12 anos, colhendo abates no quintal. (Foto: Marcos Ermínio)Everton, de 12 anos, colhendo abates no quintal. (Foto: Marcos Ermínio)

A vontade dos irmãos Everton, de 12 anos e Cauã, de 8, era comprar um “tablet”. Sonho movido a abacates, colhidos no quintal de casa e vendidos a R$ 0,50, no cruzamento das ruas 14 de Julho e Eça de Queiroz. A história ganhou tamanha repercussão que mobilizou gente que mora hoje na Ásia, disposta a doar o aparelho. Nos últimos dias, 9 pessoas entraram em contato com o Lado B para doar o equipamento.

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Os dois moram com os pais e mais 4 irmãos. A caçula tem 2 meses de vida. A casa pertence ao avô e fica em uma pequena vila, na rua dos Ferroviários, com 2 quartos. Por isso, a família tem que se dividir e na hora de dormir, quem não cabe no quarto, vai para a sala.

A mãe diz que apesar da vida simples, ninguém passa necessidade. Renata, de 30 anos, avisa que, mesmo que os filhos consigam o tablet, se quiserem continuar vendendo as frutas, não vê problemas. “Tem gente que diz que vai me denunciar ao conselho, mas não os obrigo”.

Para ela, o filho mais velho tem facilidade em fazer dinheiro. Everton limpava o quintal da vizinha, e em troca, recebia como pagamento uma galinha. “Tivemos que vender as galinhas lá no Mercadão, tinham muitas”, conta a mãe. E foi a mesma amiga que emprestou o gancho para que o menino pudesse colher as frutas que ficam no alto da árvore e sair para vender com o irmão.

O garoto repetiu na escola algumas vezes e aos 12 anos ainda está no terceiro ano. Mas a questão não é o tempo que dedica aos "bicos", garante Renata, já bastante criticada por deixar os filhos trabalhar.

Segundo ela, em outubro passado, um dos professores a aconselhou a procurar um profissional para que pudesse ajudar o aluno a resolver o déficit de atenção. Então foi descoberto o problema: o menino tem deficiência auditiva em um dos ouvidos. Segundo Renata, o tímpano esquerdo de Everton estourou e ele vai ter que fazer uma cirurgia.

Everton e a mãe (Foto: Marcos Ermínio)Everton e a mãe (Foto: Marcos Ermínio)
Abacates esparramos no quintal da casa de Everton (Foto: Marcos Ermínio)Abacates esparramos no quintal da casa de Everton (Foto: Marcos Ermínio)

Economias - Até agora, os dois conseguiram juntar R$ 300,00 com os abacates, mas parte do dinheiro foi usado pela mãe para comprar leite e um novo gás de cozinha. Mesmo assim, ela jura que vai repor o dinheiro. “Se eu uso, eu devolvo com o dinheiro que vendo Natura, mas eles não cobram”.

Ela diz ser parecida com os meninos. “Levava o material escolar em um saco de arroz”, relembra sobre época de dificuldade da infância. “Hoje, eles têm mais oportunidades que eu tive. Trabalhar na minha época não era uma opção, era necessidade”.

O pai é pintor e a principal renda da família vem dele, cerca de R$ 800,00 mensais. Renata estudou até a quarta série, e aprendeu a ser costureira, mas não exerce a profissão por conta da família grande.

Agora, para ajudar, Renata vende cosméticos de catálogos. Para aumentar a renda, durante datas como Dia de Finados, ou Dia das Mães, ele aceita encomendas de arranjos de flores.

Na casa, o luxo é um notebook que a mãe conseguiu comprar com o dinheiro de uma indenização após processo no Procon. Mais uma semelhança com os filhos. "Tive vontade de ter o aparelho quando vi o de uma amiga da minha mãe", comenta.

Mesmo com as promessas de inúmeras pessoas em doar o aparelho, Everton diz ter gosto pelo trabalho e não quer parar “Vou continuar trabalhando para comprar as coisas para o neném”, afirma o estudante sobre a irmã caçula.

Doações - Ianca Raynara tem 18 anos e foi uma das leitoras dispostas a realizar a vontade dos meninos. Com a ajuda da mãe, ela se ofereceu para comprar o tablet. “Hoje em dia ver isso é algo diferente. E não achei a mãe irresponsável por isso. Achei interessante a atitude deles”.

Outra campo-grandense, que atualmente vive em Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes, diz que em junho virá de férias e quer encontrar os garotos. "Fiquei muito feliz com a iniciativa deles de correrem atrás de um sonho mesmo sendo tão jovens. E com isso, gostaria", escreve Juliana Mahana.

 

 




Será que nesta cidade tão grande tão cheia de pessoas bondosas não teria um profissional da área da Psicopedagogia ou da Psiquiatria para ajudar esta criança a ter um ganho no aprendizado, o mundo é tão competitivo que sem estudo esta criança não poderá contribuir em sua plenitude para seu bem estar e da sociedade onde esta inserida. Também um profissional da área de otorrinolaringologia para ajudar a ouvir o mundo com seus sons maravilhosos. Tudo isso pode custar bem pouco para estes profissionais, mais representara uma gratidão pelo resto da vida desta criança e de sua família.
 
ADAILTON QUEIROZ DE SOUZA em 06/03/2014 07:04:00
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