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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

19/08/2015 06:56

Meu amor a quem tem desprendimento da vida e quebra os padrões socias

Mariana Monge
Meu amor a quem tem desprendimento da vida e quebra os padrões socias

Não é segredo para ninguém que o bendito questionamento "o que você quer quando crescer" sempre fez barulho dentro de mim. Talvez seja por causa desta mania chata de se padronizar tudo nesta vida. Parece que a pessoa só é alguém quando consegue êxito no campo profissional e constrói uma carreira brilhante.

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Sem ironia alguma. Palmas para quem dedica a vida a uma árdua rotina, no objetivo de construir credibilidade profissional, a tal carreira promissora e estabilidade financeira. E de quebra é realmente feliz pelos passos que escolheu dar. Porém, o que não acho justo é o preconceito com quem escolheu investir em um estilo de vida diferente deste.

E aqui começam duas histórias pelas quais sou apaixonada!

Um dia, conversando com meu primo Henrique (o louro de cabelo comprido da foto), ele desabafou: "só souberam me criticar, nunca me perguntaram o que eu queria para a minha vida, se eu estava feliz trabalhando em um salão de beleza". Apesar do talento, tanto com cabelos quanto com maquiagens, e de ser bem sucedido na carreira que construiu, um belo dia ele resolveu pintar telas e foi para as ruas de São Paulo vendê-las. E tudo com o apoio e parceria do marido, Rodrigo, que não pensou duas vezes para largar a Publicidade e dar uma chance ao destino.

E por falar em destino... O deles ainda é imprevisível, pois o plano do casal é de em breve colocar o pé na estrada por este mundão afora.

Meu amor a quem tem desprendimento da vida e quebra os padrões socias

Outra vez, recebi uma mensagem de uma amiga também jornalista, a Bruna (essa que está pulando na foto), na qual ela pedia minha opinião: "Má, o que você acha de eu ir morar e trabalhar em um hostel aqui em São Paulo?" Não deu outra, ela arrumou as malas e se mandou. A experiência foi tão intensa que ela já fez um roteiro até o final do ano para várias partes do Brasil.

O interessante é que antes de chegarem onde estão os três têm uma história digna de comentários do tipo: "vocês são doidos", "não querem é saber de trabalhar", "irresponsáveis, não pensam no futuro", "não vão conseguir construir nada desse jeito"... E por aí vai a grande lista de blá blá blá dos doutores da vida.

Mas foi com eles que descobri o quanto amo gente desprendida da vida, que consegue quebrar os padrões impostos pela sociedade. Aprendi com esse trio que o momento é agora e que não podemos desperdiçar os dias com uma rotina que não nos traz a mínima razão de viver.

Se não fosse pelo dinheiro, pela sobrevivência, será que cada um de nós estaria onde está? Exerceria o ofício que exerce? Não estou aqui para criticar quem escolhe uma carreira pela estabilidade financeira, mas acho que tenho o direito de expressar a minha admiração por quem não liga para isso. Hoje, penso que a maior riqueza que podemos acumular é o conhecimento, a cultura, a experiência...

Por fim, descobri que liberdade não é poder ir e vir, mas sim ter a alma leve e tranquila para viver com as próprias regras, sem se preocupar em se encaixar no mundo, mas se sentir bem e feliz por simplesmente estar nele. Pois hoje é nos dado hoje, e o dia de amanhã terá lá as suas preocupações.

*Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Outros textos na página Mariana Monge.




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