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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

31/10/2013 07:23

Na capital do tereré, bebida é vendida em litros na rua e permitida nas escolas

Ângela Kempfer
Pintor conta que até nas escolas os alunos podem passar a aula tomando tereré. (Fotos: Cleber Gellio)Pintor conta que até nas escolas os alunos podem passar a aula tomando tereré. (Fotos: Cleber Gellio)

A bebida símbolo de Mato Grosso do Sul é vendida praticamente em cada esquina das praças paraguaias. Trouxemos o costume dos vizinhos e só quando chegamos a Assunção percebemos que "tereré mania" mesmo é o que existe por lá.

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O costume parece maior que o tereré. Ouvimos falar que na balada um grupo de jovens é capaz de passar a noite compartilhando 1 latinha de cerveja. Até em roda grande, todos vão bebendo, até acabar e a turma pedir outra. O funcionário de uma empresa telefônica, Luis Canillas, confirma e explica: "É isso mesmo, para não ficar quente. Também tem a conversa que é boa. No Brasil como é?", pergunta.

No Congresso, as garrafas térmicas revestidas de couro já aparecem na frente do prédio, com os seguranças bebendo sem cerimônia. Uma guampa para dois, é o mínimo da divisão entre os paraguaios. “Aqui a gente toma umas 2 garrafas de água por turno”, ri o segurança.

Ao lado, em 4 bancos da pequena praça onde também funciona o Senado e alguns museus, mais de 20 alunos conversam uniformizados com roupas clássicas, incluindo gravatas, com a roda de tereré em andamento. “Aqui as escolas deixam os estudantes entrarem com o tereré”, explica o pintor Francisco Ortiz.

Criança bebe tereré na rua, depois de pedir dinheiro aos motoristas.Criança bebe tereré na rua, depois de pedir dinheiro aos motoristas.

É uma bebida democrática. Pode ser pobre, pedir esmola na rua, mas o paraguaio sempre tem uma bomba de tereré guardada.

O "respeito" à tradição também é evidente. Difícil é ver alguém com a água em garrafa pet, como acontece em Campo Grande. Em Assunção, a maioria tem uma garrafa térmica toda enfeitada ou com algo que identifique o proprietário.

Pela cidade há sempre uma banca com as térmicas em oferta, com a possibilidade de gravar o nome do dono na hora, tudo por cerca de R$ 60,00.

Vira e mexe também há um anúncio improvisado na porta das casas e apenas a palavra: “Hielo”. O gelo é vendido do tamanho de um copo, por 25 centavos. A água também tem preço, cheia de ervas medicinais. Pelas ruas, as banquinhas de tereré tem grandes tonéis com água fria, ervas frescas em maços e isopores com o gelo ao lado. Uma jarra sai por R$ 2,50.

“É água corrente mesmo, vem da torneira”, avisa o pintor. Em comum, além da procedência, todos os vendedores usam uns jarros de plástico coloridos, com a base e a parte de cima roídas. São todas bastante velhas, mas servem só para tirar a água dos tonéis e despejar nas garrafas que chegam uma depois da outra, principalmente, de manhã.

"Tomamos pouco café aqui. Quando acordamos, é tereré e empanada. Depois, ficamos a manhã toda bebendo e diminui um pouco à tarde", diz Francisco. Ele lembra que é uma rotina, de segunda a segunda. "Nos sábados e domingos, as pessoas saem logo cedo de casa só para comprar erva. É uma tradição".

Banca que vende água, ervas e gelo, em praça no Centro de Assunção.Banca que vende água, ervas e gelo, em praça no Centro de Assunção.

Dona Irina Elias foi costureira por mais de 30 anos. Há 5, vende água de tereré na Plaza de La Libertad. "É o que as pessoas mais compram por aqui. É venda certa quando está calor", comenta. A senhora de 68 anos lembra que cresceu ouvindo os pais contarem que a bebida surgiu na guerra do Chaco, quando os soldados não podiam recorrer ao fogo para esquentar a água do chimarrão. "Tomavam frio para não chamar a atenção do Exército inimigo".

Mercedes Domingues também resolveu montar uma banca, mas há 22 anos. "Tenho muitas ervas para os nervos, são a que mais vendo". Ela consome a água na erva desde os 10, 12 anos, assim como a maioria das pessoas que conhece. "Tem dias que faz 40 graus, não dá para passar sem".

Quem vai contra a maré, encontra uma saída para se enturmar. Júlio não bebe tereré porque tem asia. Mas gasta dinheiro para entrar na onda. "Eu compro para os amigos. Faz parte da nossa cultura", justifica.

Guarda faz a segurança sem largar a bebida.Guarda faz a segurança sem largar a bebida.
Rapaz diz que não toma, mas compra para não ficar excluído.Rapaz diz que não toma, mas compra para não ficar excluído.
Ex-costureira agora ganha dinheiro vendendo tereré.Ex-costureira agora ganha dinheiro vendendo tereré.



Falou gente, estou indo para praça vender tereré. ^^
 
Francis P. Lucas em 01/11/2013 08:07:47
Erva é erva, tanto lá qto cá, e essa também já foi considerada Erva do Diabo sim,, pelos Jesuítas na época da colonização, depois com o tempo, foram se acostumando com o barato energético e estimulante até que virou o que é hoje,
 
juraci furtado em 31/10/2013 18:39:22
Seria muiiiito melhor vc não ter expressado sua opinião vaga e chata,heim Jorge! Tradição é tradição, tá falado!
 
Ilma Dinis em 31/10/2013 17:08:22
Um tereré bem gelado nesse calor de 39grau.
Difícil de falar obrigado.
 
gabriel pereira em 31/10/2013 15:41:18
Jorge Junior, você poderia, por obséquio, desenhar o que quis dizer com o seu comentário, que eu, particularmente, não tive a excelência em entender.
 
JESSICA MACHADO em 31/10/2013 15:34:14
Adoro tomar um teres no final de semana a erva faz bem a saúde, mas temos que saber com quem tomamos pois corre o risco de pegar hepatite. adorei a materia!! bjus
 
nayane gomes em 31/10/2013 13:57:39
jorge, o piadista! Já nas bancas,.... da Noruega é claro!
 
Marcio Lorentz em 31/10/2013 13:30:49
Jorge Junior, as condições desfavoráveis que ora enfrentamos no Brasil, estão relacionadas não a preservação de crenças, costumes e tradições, mas a diversos outros fatores, sobretudo a escolhas mal feitas na hora do voto. Escolhas feitas por pessoas totalmente desprovidas do interesse pelo bem comum. Gente totalmente alheia aos valores da pessoa humana, alheias aos valores da dignidader, da memória , da cultura, etc, etc. Você foi totalmente infeliz e desprovido de conteúdo em teus comentários. ass: Fernando - Policial Militar e Educador
 
Fernando silva em 31/10/2013 12:29:27
Se ficasse só na cultura da erva do tereré, ótimo! O duro é a outra "erva" que vem de lá importada pelos malacos e tem alto poder de viciar o ser humano..... Esta, nem de graça...
 
heraldo tomaz em 31/10/2013 11:07:56
Comentário mais vazio esse do Jorge Junior, não é um hábito tão inocente que há de aumentar ou reduzir o nível de vida do campograndesse. Eu tomo tereré todos os dias e nem por isso deixo de estudar ou trabalhar.
Diz aí Jorge, qual a titulação que você alcançou por não tomar tereré? Você é doutor em?
 
Douglas Nantes em 31/10/2013 10:52:04
Lendo o comentário do Jorge me senti em meados do século XIX ou início do século XX, quando os "filosofos" creditavam o baixo nível de desenvolvimento social/econômico ao calor do trópicos.
Mas brincadeiras a parte, penso que o tereré é um traço cultural que deve ser mantido e até incentivado. Mesmo porque é algo que alivia o calor, quase que implacável, do MS.
 
Paulo Bley em 31/10/2013 10:37:34
Não foi tomando tereré que os Americanos e os Europeus obtiveram a excelência em nível de vida que gozam atualmente. A Noruega com certeza nunca ouviu falar nisso. O Canadá tampouco.
 
Jorge Junior em 31/10/2013 09:37:05
Legal... acho interessante essa característica regional. Apesar de não apreciar, considero um hábito importante apesar dos cuidados com a saúde, principalmente hepatite. Contudo vejo que tal bebida ajuda a aproximar os moradores desta cidade que são extremamente fechados ao diálogo com estranhos (mais do que em outras capitais, exceto Curitiba). Tá valendo.
 
Andre Neves em 31/10/2013 07:40:54
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