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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

07/11/2012 10:00

Não dói! Já pensou em doar a sua voz?

Elverson Cardozo
Maristela Duarte, uma das ledoras. (Foto: Rodrigo Pazinato)Maristela Duarte, uma das "ledoras". (Foto: Rodrigo Pazinato)

Já pensou em doar sua voz? O procedimento é completamente indolor. Não tem agulha e você nem precisa estar sedado. É necessário apenas disposição, vontade de ajudar o próximo e, claro, fazer vibrar as cordas vocais. Mas a gente fala tanto durante o dia que uma palavra a mais ou a menos não faz falta.

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Há 6 anos, o Ismac (Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos “Florisvaldo Vargas”), localizado em Campo Grande, participa de um projeto da Petrobras que tem como objetivo divulgar a literatura regional e proporcionar o acesso à leitura às pessoas cegas.

Desde 2006, uma equipe de deficientes visuais do Ismac, treinada especialmente para este fim, seleciona as melhores vozes para a gravação de coletâneas regionais que são entregues a organizações voltadas ao atendimento de cegos ou pessoas com baixa visão em todos os estados brasileiros e no exterior.

Diretora presidente do Ismac, Telma Nantes, de 45 anos, afirmou que, no início, a iniciativa, denominada “Livros que Falam”, foi encarada com certo receio pela direção e pelos próprios trabalhadores do Instituto.

Se para quem vê é difícil dominar o funcionamento de um editor de áudio considerado complexo, imagina para quem não enxerga. A responsabilidade de capturar, editar e arquivar as vozes até hoje são deles.

O sucesso bateu à porta. O projeto deu certo e hoje é considerado um dos destaques da instituição. É a prova de que as limitações físicas podem ser superadas. O segredo tem nome: persistência. A superação vem como consequência.

Livros que falam - No pequeno estúdio localizado no piso superior do Ismac, Orlando Araujo Brito, de 54 anos, passa o dia realizando gravações. É um dos coordenadores do projeto que trouxe a ele a oportunidade de trabalhar e de aprender ao mesmo tempo.

A maestria com que executa as funções do editor de áudio é de causar inveja. Do teclado do computador, Orlando aciona o rec, grava, corta, remenda e depois aperta o play para avaliar o resultado.

Do outro lado da sala, o “ledor”, como ele costuma chamar quem participa do projeto, segue as orientações à risca. Tudo tem de ser feito com paciência e muita dedicação. Quem lê precisa assinalar tudo o que está vendo, da capa às ilustrações.

“Não pode ser de mais, nem de menos”, disse, se referindo às descrições das figuras que compõe uma obra, por exemplo.

Uma das “ledoras”, a funcionária pública Maristela Duarte Mendonça, de 51 anos, não se importa em voltar, várias vezes, para corrigir a narração de uma obra. Se pudesse, afirmou, frequentaria o Instituto todos os dias.

“Eu adoro, venho para cá com muito prazer”, comentou, ao dizer que conheceu o projeto por intermédio da irmã, que mora no Rio de Janeiro.

Orlando Araujo é um dos coordenadores do projeto. Passa o dia realizando as gravações. (Foto: Rodrigo Pazinato)Orlando Araujo é um dos coordenadores do projeto. Passa o dia realizando as gravações. (Foto: Rodrigo Pazinato)

Maristela divide o dia entre o Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, onde trabalha, e o Ismac, onde é voluntária do projeto “Livros que Falam”. Chega a passar quatro horas lendo a mesma obra, mas garante que não fica cansada. “Fico esperando o momento de vir para cá”, disse.

A doação de voz é mais que um projeto. É a prova de que a solidariedade, no final das contas, faz um bem danado, para a alma e para a mente.

O último livro gravado por Maristela foi “1924 – Revolução Paulista e o Estado de Brasilândia”, de Arthur Jorge do Amaral. Conta história da criação de Brasilândia, município que fica a 355 quilômetros de Campo Grande.

“O alvorecer do século 20, com a Proclamação da República, se inicia como um marco para o desenvolvimento nacional, onde o grande país, Brasil, se abre cada vez mais suas portas para todas as nações, a fim de colonizar e habitar o imenso solo pátrio....”, diz trecho do primeiro parágrafo.

Saiba como participar – Para participar do projeto “Livros que Falam” é necessário entrar em contato com o Instituto e agendar um teste de voz com os coordenadores responsáveis pelo estúdio.

Para quem se interessou, Orlando Araújo deixou uma dica: “É preciso ter boa voz, boa dicção e boa interpretação”. Até agora, 4 dos 6 livros da coletânea prevista para 2013 já foram gravados, mas há outras atividades desenvolvidas no estúdio, como a gravação de material didático, por exemplo.

O Ismac fica na rua 25 de dezembro, 262, centro (ao lado da prefeitura de Campo Grande). O telefone é (67) 3325-0997 e o e-mail contato@ismac.com.br.




Quero mto ajudar, qdo precisarem me disponibilizo pro teste de dicção.
 
irani prado em 09/11/2012 08:50:48
Parabéns pessoal pelo lindo e maravilhoso trabalho, o que vem crescendo cada vez mais, saibam que são pessoas assim como vocês que fazem do mundo um lugar melhor para se viver!
 
Vânia Duarte em 09/11/2012 07:30:21
PARABÉNS A TELMA E AO SR ORLANDO POR ESTE BELÍSSIMO TRABALHO.
O NUMERO DO TELEFONE DO ISMAC É ESSE MESMO 3325 0997, DAS 8 AS 11H E DAS 13 AS 17H
 
adriana cristina febraro de oliveira em 08/11/2012 23:38:35
Gostaria muito de participar do projeto! Trabalhei muitos anos com locução, acho que seria bacana participar desse projeto tao bonito. Nao consigo falar nesse telefone, se puderem entrar em contato comigo pelo e-mail, agradeço, seria um prazer participar
 
Mireli Gonçalves em 08/11/2012 16:53:06
O TELEFONE NINGUÉM ATENDE ... SE QUISEREM ENTRAR EM CONTATO COMIGO MEU FONE É 9229-9644 OU luxemburgo@gmail.com
 
wellington luxemburgo em 08/11/2012 14:16:53
Nossa, adoraria participar mas, o telefone não dá sinal quando tendo ligar .. existe outro nº ???

 
Carolina Botelho em 08/11/2012 11:36:36
Maristela, parabéns pela generosidade.
 
iluska bastos em 08/11/2012 08:48:57
Gostei da ideia!
 
Oswaldo Ferreira em 07/11/2012 20:08:37
Parabéns pela matéria, ficou ótima.
Uma correção: onde se diz que é sobre a cidade de Brasilândia trata-se na verdade, sobre a região que foi invadida por pensadores de São Paulo que sonhavam fazer da cidade de Brasilândia um Estado independente do então Mato Grosso.
 
Maristela Duarte em 07/11/2012 17:37:05
Lado B surpreendendo mais uma vez com suas matérias! Parabéns!
 
Jéssica Laurentino em 07/11/2012 13:47:36
Gostei do projeto e da matéria, legal mesmo.
 
.Claudio dos santos em 07/11/2012 13:36:52
Os editores do Campo Grande News estão de parabéns pelas sacadas das matérias do lado B. Sempre descubro alguma coisa nova, curiosa, instrutiva e útil nas pautas trabalhadas. Parabéns ao pessoal do Ismac e já anotei o número para fazer um teste e me tornar um "ledor".
 
Ocimar Santiago Ramires em 07/11/2012 11:32:49
Esta sim é uma iniciativa de grande valor social, estão de parabens os idealizadores, a iniciativa deveria romper as fronteiras dos municipios para que todos pudessem participar, e os deficientes usufruir do benefício.
 
Waciton B. Gedro em 07/11/2012 11:30:09
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