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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

24/10/2016 06:10

Não esperei o câncer chegar para saltar de paraquedas, porque a vida é agora

Paula Maciulevicius
Última oportunidade que não ficou para trás foi saltar de paraquedas. (Fotos: Arquivo Pessoal)Última oportunidade que não ficou para trás foi saltar de paraquedas. (Fotos: Arquivo Pessoal)

Tatiany Lopes é empresária e dona de uma risada que funciona como vírgula, dando uma pausa a cada frase. A vida inteira viveu o momento sem adiar sonhos e vontades, justamente porque sabia que o "depois" poderia nem se tornar realidade. Aos 35 anos, após vários desejos concretizados, descobriu um câncer de mama que só lhe mostrou que a vida é o agora e ponto.

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"Sempre falei isso, que tinha que fazer as coisas, porque não sabia quando ia morrer e que certas coisas ficariam feias fazer depois de velha. E eu segui à risca, nunca deixei de fazer o que eu queria e fiz sempre por mim não para me exibir ou conseguir a aprovação dos outros", descreve. 

A última das coisas foi o salto de paraquedas no aeroporto Santa Maria, mas que nada teve a ver com o câncer já superado. "É uma coisa que todo mundo quer, mas muita gente não tem coragem. Eu vi que ia ter a oportunidade e não ia deixar passar", explica.

Taty pedalando no trecho dos girassóis. Taty pedalando no trecho dos girassóis.

O resultado? Felicidade de quem viveu uma experiência única. "A gente não sabe o que vai ser. Se eu tenho vontade de fazer uma coisa, por que vamos deixar para mais tarde? Muita gente fica esperando a vida toda", fala.

Taty sempre teve em mente que, se lhe acontecesse algo, pelo menos os principais sonhos ela tinha vivido, como morar fora do País e conhecer todos os lugares do Brasil que desejou. Em outras palavras, ela não precisou estar frente a frente com o câncer para aprender a desfrutar da vida.

"Foi agora começo do ano. Eu fui deitar, encostei e senti. Na hora eu falei: isso não me pertence. Fiquei com aquilo na cabeça", recorda. A empresária estava em Bonito e ao chegar na Capital, passou por todos os exames que constataram que era sim um câncer.

Em fevereiro foi a cirurgia e a quimioterapia começou em maio. "Fiz quatro sessões e quando acabou, começou a radio. Eram todos os dias. Agora acabou mesmo, só a parte de tomar remédio por uns 10 anos. Corro o risco de aparecer de novo, mas por enquanto está tudo normal", comemora.

Prontinha para o salto. Prontinha para o salto.

Sobre enfrentar a doença, ela fala que no dia em que sentiu o seio, já sabia. "Então eu fui preparada, mas na hora é um choque. Chorei, descabelei, mas tinha que fazer, passar por tudo", lembra. 

Enfrentar foi bem mais fácil tendo a família e os amigos ao lado. O cabelo, que trazia tanta preocupação, nem foi o mais importante. Tanto é que Taty nunca usou nem lenço e nem peruca. "E muita gente achava: 'nossa, ficou tão legal. Raspou por que quis'? E eu brincava: gente, eu tenho cara de doida assim?", lembra aos risos. 

E o que mais lhe ajudou foi justamente a forma como encarou a vida desde sempre, de quem não tinha deixado nada para trás. "Claro que eu tenho planos ainda, mas nunca passou na minha cabeça que eu ia morrer, nem questionei Deus, acho que era ele me iluminando mesmo, porque fiquei numa tranquilidade que não é normal".

Do salto, exibido nas redes sociais, ela ouviu muitas afirmações que não correspondiam com a verdade. "Muita gente acha que porque aconteceu alguma coisa, você tem que fazer algo para se sentir livre. Existe vida - mesmo para quem está doente - e não precisa esperar alguma coisa acontecer para você fazer", ensina. 

Superação não é a palavra que ela exatamente prefira usar. "Não me sinto especial, e essa é uma coisa que todo mundo espera de você. Cada um reage de uma forma, a minha sempre foi assim. O câncer estava aí, eu tirei. A quimioterapia veio e quando eu ficava ruim, era uma 'gripe'. Você tem que pensar assim, por que se deixar, a doença te vence". 

Entre os próximos sonhos que serão sim realizados, Taty quer esperar passar o prazo de seis meses dados pelos médicos sem se expor ao sol para então senti-lo na Tailândia.

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Claro que eu tenho planos ainda, mas nunca passou na minha cabeça que eu ia morrer, diz. (Foto: Arquivo Pessoal)"Claro que eu tenho planos ainda, mas nunca passou na minha cabeça que eu ia morrer", diz. (Foto: Arquivo Pessoal)



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