A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

17/01/2015 07:52

No calor do ataque postei "Je suis Charlie" e botei a carroça na frente dos bois

Lenilde Ramos
 O caminho de vida que abracei me propõe um aprendizado diário de condução da vida com respeito. O caminho de vida que abracei me propõe um aprendizado diário de condução da vida com respeito.

Foi no calor do ataque aos chargistas franceses que postei a frase "Je suis Charlie", pensando no quanto sempre gostei de humor e humoristas, do quanto curti o "Pasquim" e a luta escancarada que empreendeu contra a ditadura militar e tantos outros combativos pensadores que sempre enfrentaram os desmandos da classe dominante, na ponta do lápis.

Veja Mais
Casal queria poetizar início, mas soube rimar como ninguém o "fim" do amor
Monogâmico ou não, gays e lésbicas querem o direito de viver a afetividade

Quando menina eu era atraída pelas charges da revista "Tico Tico" que meu pai colecionava e pelo lendário "Amigo da Onça", da Revista O Cruzeiro, sempre alfinetando falcatruas. Também aprendi que este mundo foi dividido em territórios de etnias e classes sociais, logo eu, criança negra dos anos 1950.

O Brasil, a duras penas, tenta aprender a lidar com essas diferenças, ao contrário da resistência dos países do Primeiro Mundo. Não foi por acaso que a primeira música que fiz falava sobre os conflitos dos negros americanos em 1968. "O amor vence a cor" ganhou o Festival de Glorinha Sá Rosa no Clube Surian em 1969 e assim, entrei oficialmente para o mundo da música falando de racismo e intolerância. Penso que essa pendenga começou a ganhar corpo nos tempos das Cruzadas com as chamadas "guerras santas".

Meu interesse precoce pela História me fez ver o quanto de profano havia na dominação dos poderosos contra os diferentes e suas diferenças. E assim caminhou a humanidade e nos dias de hoje pouca coisa mudou. Quando fui à Europa pela primeira vez, em 1985, os amigos de lá me alertavam para evitar os bairros de imigrantes. Ninguém se misturava.

Hoje, pensando no ímpeto que me levou a botar a carroça na frente dos bois, revejo as charges do Charlie Hebdo, fico com vergonha do que está desenhado ali e repenso conceitos de liberdade de expressão. Sou pacifista por natureza, contra terrorismo armado e desarmado. O caminho de vida que abracei me propõe um aprendizado diário de condução da vida com respeito, limite e bom senso, sempre em busca de ser um instrumento de paz. É esse caminho que quero trilhar, vivendo e aprendendo.

*Lenilde Ramos é sanfoneira, jornalista e conta suas histórias aqui no Lado B.




imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.