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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

08/12/2014 06:12

No dia da Virgem de Caacupê, até pernambucano se rende à cultura paraguaia

Aline Araújo
Procissão feita pela família Gonçalves. (Foto: Marcos Ermínio) Procissão feita pela família Gonçalves. (Foto: Marcos Ermínio)

A proximidade do Estado com o Paraguai faz algumas tradições pegarem do lado de cá também. Uma das mais fortes é a festa, sempre no dia 8 de dezembro, em homenagem a Nuestra Madrecita de Caacupê, ou a Virgem de Caacupê, padroeira do país vizinho.

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Em Porto Murtinho, a comemoração já é tradicional e movimenta a cidade. Em Campo Grande não é diferente, a colônia paraguaia organiza uma festa para receber cerca de mil pessoas em dois dias. No bairro Parati, uma família também mantém há 12 anos a celebração feita com doações para agradecer a santa.

A data é marcada por muita fé, tradição e baile regado a alegria de paraguaios e descendentes que moram em Mato Grosso do Sul. Além das festas, as programações incluem procissão, missa e novena.

 

Eliane é uma das organizadoras da festa na sede da colônia paraguaia. (Foto: Marcos Ermínio) Eliane é uma das organizadoras da festa na sede da colônia paraguaia. (Foto: Marcos Ermínio)

Vestida com trajes típicos paraguaios, uma saia vermelha rodada, uma blusa com bordados e mangas trabalhadas manualmente, chamadas “encaje ju”, e na cintura uma faixa com a cores da bandeira paraguaia, Marina Maciel Messa de Souza, de 64 anos, é devota da virgem e sempre que precisa de algo, geralmente para a a saúde da família, recorre à santa.

Baileira, ela nasceu em Porto Murtinho. O sotaque entrega a essência de quem foi criada em uma família brasiguaia. Ela e o esposo não acharam maneira melhor de homenagear a santa do que celebrar o seu dia com muita dança.

Zeperino Ancelmo de Souza, de 68 anos, conhecido como “Escurinho” , é pernambucano, mas veio para Campo Grande aos 20 anos, casou com Marina e hoje já está imerso na cultura paraguaia. “Eu sou mais daqui do que de lá, aqui na colônia todo mundo nos conhece, a gente vem desde 1998”, comenta, com muito bom humor.

O casal estava aos sorrisos para comemorar do dia da santa de devoção. (Foto: Marcos Ermínio) O casal estava aos sorrisos para comemorar do dia da santa de devoção. (Foto: Marcos Ermínio)

No domingo foi dia de churrasco dançante na sede da Colônia Paraguaia, no bairro Pioneiros. Hoje, às 6 horas, os portões foram abertos para quem quem quiser visitar a gruta da Virgem, agradecer ou pagar alguma promessa.

Geralmente, as pessoas levam flores. "Esperamos mil pessoas em dois dias", comenta Eliane Maria Andrade Pereira, de 58 anos, diretora da Colônia Paraguaia.

Também haverá nesta segunda-feira café da manhã e almoço para os devotos que visitarem a gruta da santa. A celebração segue ao longo do dia. Às 20h, será realizada a missa e depois uma encenação que conta a história de como a imagem da Virgem foi encontrada.

Os devotos acreditam que por volta de 1600, um índio guarani era perseguido por tribo inimiga, porque havia se convertido ao cristianismo. Para sobreviver, o guarani escondeu-se entre as folhas de uma árvore, mas foi encurralado.

Dionísia é a responsável pela festa da família Gonçalves. (Foto: Marcos Ermínio)  Dionísia é a responsável pela festa da família Gonçalves. (Foto: Marcos Ermínio)

Naquele momento, ele pediu a proteção da “Santíssima Virgem”, prometendo, caso escapasse, esculpir uma imagem da santa. O pedido foi atendido e ele cumpriu a promessa e esculpiu a imagem na madeira da mesma árvore que o abrigou.

A comemoração que, acontece há mais de 15 anos, é organizada desde o dia 8 de março, quando se inicia uma novena mensal para a santa. A comunidade prepara festa ao longo do ano, para a cada nova edição conseguir resultado mais bonito.

Eliane mesmo já teve um graça atendida pela santa, conta. “Meu neto nasceu com seis meses, com um problema no pulmãozinho dele que ainda não estava formado. Eu e o meu marido fizemos uma novena, o médico dizia que ele não iria sair do hospital antes de 40 dias. A gente terminou a novena com 11 dias e ele já estava bom. Hoje com 8 anos o menino dança nas apresentações da colônia.

Em família - Não muito longe dali, no bairro Parati a família Gonçalves comemora o dia da santa pelo décimo segundo ano. O Lado B já contou essa história, e voltou em 2014 para ver como seriam as comemorações. Como sempre, tudo é feito na base da doação.

“Todo mundo ajudou muito, eu fico até emocionada de falar. Tem uma amiga, por exemplo, que chegou em casa com duas latas de óleo e duas de massa de tomate, porque é o que ela poderia doar. As pequenas coisas que fazem a festa acontecer, o pouquinho de cada um, a união das pessoas. Cada um ajuda com o que pode”, diz Dionísia Maria Gonçalves, de 43 anos, que herdou da mãe, falecida há dois anos, a responsabilidade de perpetuar a tradição.

A festa, que antigamente era realizada na casa da família, ganhou proporções tão grandes que de alguns anos para cá é realizada no centro comunitário do bairro. A procissão tem início na frente da casa de Dionísia e segue até o local da festa, umas cinco quadras depois, com três imagens da santa, muita fé e reza. Depois do rito religioso encerrado, a festa começa com a distribuição de uma tradicional sopa paraguaia.

Muitas pessoas vão a gruta da Colônia Paraguaia rezar e agradecer. (Foto: Marcos Ermínio)  Muitas pessoas vão a gruta da Colônia Paraguaia rezar e agradecer. (Foto: Marcos Ermínio)

No almoço, feito para mais de 350 pessoas, foram servido 20 quilos de arroz carreteiro e 40 quilos de macarronada caseira. Além do frango e da salada, que também fizeram parte do cardápio. A santa ganhou um altar decorado e as crianças camas elásticas para se divertir.

Na fronteira - Em Porto Murtinho, as comemorações começaram ontem e se estendem até a noite de hoje. Na programação há terço, apresentações culturais, além da venda de quitutes típicos de quermesse, como pastéis e doces.

Às 5 horas da manhã, houve Alvorada Festiva com carreata de Nossa Senhora de Caacupê, acompanhada pelo Corpo de Bombeiros. As 7 horas a imagem voltou para a Capela, para receber os "promesseiros", demais devotos e uma serenata à santa.

Comemoração de 2010 em Porto Murtinho. (Foto: Priscila Perez)Comemoração de 2010 em Porto Murtinho. (Foto: Priscila Perez)



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