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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

19/08/2013 06:45

No Santo Antônio, baile funk “Proibidão” lota casa de shows toda sexta-feira

Ângela Kempfer
No baile, som é automotivo. (Fotos: João Garrigó)No baile, som é automotivo. (Fotos: João Garrigó)

Para quem está acostumado com o circuito de bares na Afonso Pena, ir ao baile funk “Proibidão” do bairro Santo Antônio é entrar em um mundo estranho, uma surpresa que garantiu na sexta-feira passada um das minhas noites mais interessantes dos últimos tempos em Campo Grande.

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Por fora, lá pela 1 hora da madrugada, a impressão é de que a casa noturna “Empório Santo Antônio” é mais um daqueles clubes decadentes, sem muita animação. Mas é só cruzar a porta principal e perceber que a falta de movimento na rua é na verdade a vontade de estar lá dentro, descendo até o chão.

A imagem de um galpão lotado, com 99% das pessoas dançando, empolga até quem é recebida com letras do tipo: “Vamos se juntar nós 3 e taca, taca, taca, taca, taca pica nessa novinha”. O ouvido fica chocado na primeira estrofe, mas depois se acostuma, faz a gente rir, até porque tudo parece uma grande brincadeira, com mulheres dançando de um lado e homens de outro, quase sem se misturar. Eles fazendo passinho, elas rebolando muito.

Apesar de mulheres não pagarem nada até a meia noite, 70% do público é masculino. Depois desse horário, elas pagam R$ 10,00 e eles R$ 15,00. Detalhe: ninguém pede a Carteira de Identidade para verificar se tem adolescente entrando.

“As meninas vem com as amigas e ficam com elas a noite toda. Pode ver: tem grupos só de homens ou só de mulheres. Se encontrar um cara legal, rola, senão, é só pra curtir o funk mesmo”, explica a cabeleireira Jussara Lima, de 33 anos, que vem do bairro Santa Emília para o “Proibidão” de sexta-feira.

Uma das mais velhas no grupo de quatro loiras, ela se veste como a prima de 19 e quase todas as garotas no lugar, com short jeans curto, blusa colorida justinha e salto alto. “Nem penso em sair de casa com a roupa que eu trabalho todo dia. Noite tem de ter cara de noite e não dá para dançar funk parecendo uma velha, né”, comenta.

Para as meninas, o estilo exige short curto e salto.Para as meninas, o estilo exige short curto e salto.
para descer até o chão.para descer até o chão.

Todo mundo parece ter o mesmo guarda-roupa, mas não há uma pessoa sem estilo no Empório. Entre os manos, é raridade algum deles sem boné ou corrente de ouro falsa. Quem não tem tatuagem à mostra, exibe um corte de cabelo diferente ou um alargador de orelha.

Entre as meninas, a roupa é quase sempre muito curta, justa, decotada, apesar do frio de 8 graus da última sexta-feira. “Você acha que hoje lá na Valley as gurias estão vestidas diferente? Deve tá todo mundo assim, pelada”, ri o estudante Wallyson Freitas, de 19 anos.

A princípio, ainda tentando me adaptar em uma nova tribo, a opção foi ficar nos camarotes, localizados à direita e à esquerda da pista de dança. Mas a fotografia exigia uma entrada mais agressiva e, apesar do receio preconceituoso de ir até aquele amontoado de gente desconhecida, se jogar na pista foi a atitude mais esclarecedora da noite.

Só chegando bem perto percebi 3 veículos estacionados em frente ao palco, com os porta-malas escancarados. O som do baile é automotivo, com a aparelhagem de uma caminhonete e de dois carros. O repertório tem muito funk pesado e quase nenhum comercial, do tipo Anitta. O “Pre-pa-ra” da cantora carioca também rola, mas a loucura é mesmo com o som de MCs como Magrinho e Daleste, assassinado em julho.

Entrar na pista, me fez ver como a periferia tem uma cor difícil de encontrar nos lugares badalados de uma cidade por vezes chatinha e também desmistificar muitas coisas.

Primeiro: não, ninguém fica se amassando como se estivesse fazendo sexo em público. Os homens não passam a mão na mulherada, nem nas mais despidas ou naquelas que encaram o “quadradinho de 8”. Pisar no pé de um garoto mal encarado também não gera automaticamente uma confusão generalizada.

"Funk respeita mais a mulher dos outros do que sertanejo", avalia o proprietário de uma das equipes de som em apresentação no baile, Kenny Vicente, que também diz ser empresário de dupla sertaneja.

Segundo: sim, você pode encontrar muito gente capaz de pedir desculpas após um esbarrão no meio daquela muvuca. As pessoas pedem para ser fotografadas, assim como em qualquer outra baladinha e agradecem sorridentes. A bebida no bar é das boas, com vodka e energético como de uma casa noturna convencional, com preços também normais. Uma cerveja Skol, por exemplo, custa R$ 4,50 e uma dose de vodca Smirnoff sai por R$ 7,00.

Ao lado da casa há estacionamento, por R$ 10,00. Na noite de sexta, eram mais de 100 motos e poucos carros, em uma contagem "de olho".

 

Entre os meninos, quase 100% usam boné.Entre os meninos, quase 100% usam boné.

Talvez você se incomode com o banheiro sem portas e a sujeira no chão dos sanitários. Talvez você sinta uma tensão no ar ou ache as letras das músicas ofensivas, por isso tem de ir disposto a se divertir. “Não sei porque o povo poderia reclamar daqui. Você vai em bar chique e fica horas na fila. Aqui é lotado, mas não tem nenhum metido escolhendo quem entra. Não tem fila nem para entrar, nem para comprar ficha do bar”, lembra Wallyson.

Realmente, ninguém precisa esperar para entrar em longas filas e a educação do menino que atende na bilheteria também é de animar quem chega ao Empório.

Para não dizer que tudo é um mar de rosas, dá para sentir um cheiro de maconha e na saída, já às 3 horas da madruga, um principio de confusão fez os seguranças agirem. Na hora, é inevitável pensar: “pronto, eu sabia”.

A briga, entre mulheres, fez os garotos também entrarem na discussão, mas por incrível que pareça, para aquele bando de meninos de boné do Corinthians, cara amarrada e muito palavrão saindo da boca, bastou um pedido do segurança para uma das turmas dar meia volta e deixar o local. “Vocês sabem que se entrarem vai dar briga.Os caras vão partir pra porrada. Então, deixem para vir na semana que vem”, recomendava um dos funcionários.

Lá fora, dois moto-taxistas que tinham acabado de deixar o grupo, reforçavam a recomendação, como se conhecessem a turma de outros carnavais. No fim da noite, tudo deu super certo e olha que ninguém disse que era da imprensa quando chegou.

 




Eu gostei em termos da reportagem: Gostei porque abrangiu um tema legal ressaltando e enchendo o artigo de informações, entretanto, ouve um trecho publicado que não saiu muito bem "Vamos se juntar nós 3 e taca, taca, taca, taca, taca pica nessa novinha". Acho que esse vocabulário um tanto chulo não deveria ser publicado em um artigo como este, essa e minha única observação.
 
Gabriel Medina em 20/08/2013 17:22:18
Opinião todos podem ter, gosto próprio também, os abusos devem e serão coibidos. Incitar a violência, seja contra quem for (polícia, mulher, sociedade), mesmo com cunho de suposta revolta, mesmo com título de "ostentação", pode ter sua penalização devida. Boné com apologia a armas é muito ótimo, mas irão dizer que é liberdade de expressão... que quem critica não tem o que fazer. Na verdade quem não tem nada melhor pra fazer é quem se deixa levar por qualquer apologia ao crime. Depois não reclamem da sorte, ou do azar.
 
Adriano Magalhães em 20/08/2013 10:14:54
boa reportagem.campo grande precisa mesmo de casas noturna pois é uma capital triste com uns vacilão vivendo de aparência..tem que colocar vários estilo de musicas pra galera curti....
 
FLAVIO JUNOR em 19/08/2013 21:12:32
pra qem ta reclamando vai cassar o qe fazer viu porqe la ninguem arrasta ninguem eu trabalho nao uso nada nem bebo mas adoruuuuuuuuuuuuuu funk e talvez vc ou seus filhos ta dentro da sua casa fazendo tudo isso ao envez de ta aq criticando kkkk vai la e faz um favor vai trabalha sua casa deve ta feia nem todo mundo qe qe curti funk usa droga e la so de maior qeridos respeitem o trabalho do cara jean nao ligue pro povinhu obrigadu por dar a nos este presente qe e sua casa de show ok
 
andreia gloria honorato rodrigues em 19/08/2013 16:34:49
Diga-me com quem andas que te direis quem é , se olharem atentamente a foto do 4 meninos juntos é possivel ver no primeiro rapaz , no boné Um revólver que pela ilustração e desenho esta escrito .38 .. Podemos imaginar a decadência disto.
 
Felipe borges em 19/08/2013 15:55:30
É preciso que as autoridades façam uma visita e que as pessoas se atentem a segurança do local. Conforme vi na foto as pessoas fumam dentro do local. BOATE KISS NÃO MORREU, SÓ AS PESSOAS. FOI SÓ UM EXEMPLO DAS COISAS QUE SÃO FEITAS SEM O DEVIDO ZELO E CUIDADO.
 
Josenildo dos Santos em 19/08/2013 15:29:14
A briga, entre mulheres, fez os garotos também entrarem na discussão, mas por incrível que pareça, para aquele bando de meninos de boné do Corinthians.
HAHAHAHAHAHAHHA
 
José Alvarenga em 19/08/2013 15:09:53
Só não esqueçam que a reportagem não falou nem da metade. Menores de idade frequentam o local, e isso é fato. Outra coisa,... presença de sexo em público,... nas imediações com menores e muito uso de entorpecentes. FATO!
 
Eduardo Semir em 19/08/2013 14:59:36
nada melhor que uma boa e bem escrita reportagem para mudar todo um cenário....aos olhos de quem lê é uma baladinha como outra qualquer, mas....percebesse que neste lugar é só um...SÓ POR DEUS.KKKK
 
catarina sponker em 19/08/2013 14:52:58
MUITO BOA A REPORTAGEM. MOSTRA QUE EXISTE UMA PARCELA DA SOCIEDADE MAIS HUMILDE QUE TAMBEM TEM SEUS MODOS DE DIVERSÃO.
VEJO UNS IMBECIS APENAS CRITICAR AQUI. VAI LA NA VALLEY, COYOTE, BODEGA. ONDE SE ENCONTRA AS PUTINHAS DE LUXO E UM MONTE DE FILHINHO DE PAPAI BABACAS QUE ACABAM A FESTA PEGAM SEUS CARROS E VÃO DAR CAVALO DE PAU, E OUTRAS COISITAS MAS, TERMINANDO A NOITE EM GRANDES BACANAIS COM MENININHAS DE 15 ANOS REGADO A COCAINA E MACONHA.
HIPOCRITAS!!
 
sergio cavalletto em 19/08/2013 14:26:11
Estão de parabens os meninos donos da casa, Campo Grande precisa de espaços com outro tipo de som, o sertanejo ou sertanejo universitario ou ainda o ritmo novo que inventaram mas na verdade é sertanejo tambem, ninguem aguenta mais, agora só falta um espaço para quem gosta do bom e velho rock and roll...
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 19/08/2013 14:00:55
Matar polícia e dar porrada em muilher? Achei que apologia ao crime fosse crime também!
 
José Eduardo em 19/08/2013 13:51:29
muito boa materia .....gostei vamos la conheçer tbem...
 
marcio cabral em 19/08/2013 13:50:05
Parabéns Campo Grande! A verdadeira cultura morrendo por conta de leis do silêncio e o lugar onde se prega violência, bandidagem, falta de respeito às mulheres e sem "vergonhice" ganha até espaço na mídia! Será que merecemos importar o que há de pior do Rio de Janeiro e deixarmos a verdadeira cultura de lado?
 
Jair Romeiro em 19/08/2013 13:44:31
Gostei da matéria não descriminou quem gosta de funk.nem marginalizou os frequentadores do empório,é raro isso o site esta de parabéns o mais engraçado é ver eu e minha amiga descendo até o chão ai na foto rs ,acho que campo grande deveria ter mais lugares de funk pro povo ir,aqui é CG é muita tribo diferenciada os filhinhos de papai so num lugar os universitários em outro as paty e os playboys na valey e nos funk, vai todo mundo todo mundo é bem vindo do paty do playboy do povão tanto faz la o pessoal vai pra se divertir não pra reparar.
 
Bruna Riquelme em 19/08/2013 11:40:22
Bom esta casa de Evento é uma que considero das melhores que toca Baile funk e é bem ampla e cabe uma boa quantidade de Publico lá dentro Pois das vezes que fui lá não vi pessoas usando Drogas ou fazendo algazarras ou mesmo sexo explicito pois é tudo bem organizado a segurança é ótima vejo que muitas pessoas fala desta forma por ser um lugar onde toca funk muitos acha que funk é lugar de Drogados,Biscate por cantar musicas pesadas, mas nós os jovens de hj em dia curti muito essas musica e lá dentro não rola toda esta baderna pq é tudo controlado pelo Segurança da Área então descordo com o que dizem ai nos comentários acima...
 
Rafael Morais em 19/08/2013 11:22:22
Qualquer um que chegar, parar lá na frente ou até mesmo entrar, vai notar que a maioria dos frequentadores deste local são menores de idade. Meninas de 14 anos entram na casa sem maiores problemas. Não sei como o lugar ainda funciona!!! As autoridades fecham os olhos, visto que é um local fora do eixo Centro - Afonso Pena!!!
 
Gabriela Freitas em 19/08/2013 11:19:19
Por ser uma área estritamente residencial e considerando a baderna(som alto, brigas e até tiros), e os abusos tais como venda de bebidas para menores( na entrada do estacionamento e em frente a casa), entrada de menores na casa, consumo de drogas nas imediações, roubos em residencias próximas e sexo explicito nas proximidades, acho que o tal "Bailão Proibido" deveria ser proibido, realmente. As "promessas" feitas pelo proprietário aos moradores, não foram cumpridas e os abusos são constantes. O Som da Casa não incomoda. O problema é o entorno da mesma. Acontece que uma coisa leva a outra. Sem as devidas providências das Autoridades, em breve teremos problemas sérios que não poderemos solucionar.
 
Gualberto Ferreira em 19/08/2013 10:38:25
Fiquei surpresa ao ler a reportagem. Esperava mais do mesmo, falando sobre a vulgaridade, a zona na rua, a quantidade de brigas e etc e apesar de morar lá perto, nunca imaginei que fosse assim, desmistificou muita coisa.
Achei incrível a parte que é citado o respeito pelas mulheres do baile, independente da roupa que estejam usando ou do jeito que estejam dançando e a comparação das roupas das presentes com as roupas das meninas que frequentam a Valley.
Muito boa mesmo! Parabéns Ângela.
 
Nuala Lobo em 19/08/2013 09:03:22
Mas todo fim de semana a rua em frente fica intransitável, pois os frequentadores, alguns não tem respeito e ficam na rua, alem da enorme sujeira que sempre fica na academia ao ar livre. E ao que a reportagem diz, sobre "sexo explicito" é comum o pessoal que frequenta a academia esta acostumado a encontrar preservativos.
 
Igor Oliveira em 19/08/2013 07:42:31
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