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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

15/09/2016 06:05

Nunca o candidato foi tão xingado por eleitor na hora de pedir voto nas ruas

Paula Maciulevicius
Até das feiras os políticos têm fugido, afirma comerciante Gisele. (Foto: Fernando Antunes)Até das feiras os políticos têm fugido, afirma comerciante Gisele. (Foto: Fernando Antunes)

Não tem quem não torça o nariz ou revire os olhos na rua quando o tema é política. Nunca os candidatos foram tão hostilizados como nessa eleição. Isso, eles mesmos confirmam, mesmo que seja só nos bastidores, porque ninguém em campanha pode assumir tamanha falta de credibilidade publicamente.

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Depois dos escândalos pelo Brasil e em Campo Grande, os eleitores põem para fora os xingamentos e fecham as portas de casa para as reuniões que, em outras épocas, lotavam de vizinhos nos bairros. A justificativa é uma só: a corrupção.

"Quando eles vêm, dá vontade de mandar embora", responde o feirante Hernani Schlitter, de 44 anos. Questionado sobre o porque, ele responde: "ninguém mais gosta, ninguém mais quer saber. Está todo mundo desacreditado por causa da corrupção, das promessas que ninguém cumpre. Eles só lembram da população na hora que precisam de voto". 

O senhor, que passa a semana trabalhando de bairro em bairro, fala por muitos: Está difícil de escolher candidato. Para votar, precisa achar um com caráter.

Viviane é daquelas que fala mesmo e na cara de político ladrão. (Foto: Fernando Antunes)Viviane é daquelas que fala mesmo e na cara de político ladrão. (Foto: Fernando Antunes)

O Lado B foi à praça livre na Vila Carlota nesta quarta-feira e um pouco mais adiante do feirante Hernani, encontrou a passos rápidos, a auxiliar de cozinha Viviane Barbosa dos Santos, de 40 anos, que sem papas na língua fala que não quer nem ver candidato.

"Acho que ninguém deve votar nesse bando de ladrão. São tudo igual, não tem diferença nenhuma do outro. Se eu falaria na cara? Falaria sim. Quem deles que não entrou lá e roubou da gente?", argumenta.

No dia a dia de feirante há 10 anos, quem sempre trabalhou no que se torna palco para candidato observa a mudança de comportamento dos dois lados. Quem vota está cada vez mais armado e quem se elege, tem se escondido. 

"O pessoal anda tão indignado que nem na feira candidato vem mais pedir voto. Tudo bem que acho que esse ano não pode mais, mas quando vem, é só para pegar na sua mão e sair. Se você fala de política para alguém, o pessoal começa a ficar bravo já", descreve a comerciante Gisele Baeza, de 32 anos. 

Neste ano ela, como eleitora, não está levando nada em consideração. Nem antecedente nem promessa. "Tô é esperando alguém me convencer do contrário de tudo o que está acontecendo. Essa cidade tá largada e ninguém me convenceu ainda", opina.

Aos olhos de quem lida com gente, a falta de estrutura nos serviços básicos somada à corrupção, deixou o eleitor mais exigente e bem menos tolerante. "A corrupção sempre teve, mas agora ela apareceu, eu acho", resume. 

Mudou-se a coleira só não é? Por que os cachorros, continuam os mesmos, diz seu Aristides. (Foto: Fernando Antunes)"Mudou-se a coleira só não é? Por que os cachorros, continuam os mesmos", diz seu Aristides. (Foto: Fernando Antunes)

Presidente da Associação de Moradores do bairro Maria Aparecida Pedrossian, professor Jânio Macedo se diz surpreso em comparação aos anos anteriores. "Nunca vi tão poucas reuniões na comunidade como neste período eleitoral. A conversa é essa: o pessoal não quer saber", avalia. 

Jânio faz questão de frisar que como presidente, nunca abriu a associação para candidato fazer discurso, mas recebe quem se interessa em conhecer a realidade do bairro. O conhecimento pelas redondeza é o que faz enxergar a diferença em números. As várias reuniões que aconteciam durante a semana na casa dos moradores, parecem extintas. 

"Os carros também vejo poucos com adesivos. Creio que o papel da imprensa foi fundamental para trazer todos os problemas da política em relação à corrupção, a apropriação indevida de recursos públicos, foi isso que ocasionou este cenário", pontua. 

Nesta semana, por exemplo, um morador convidou parte do bairro para a reunião de um candidato a vereador e sabe o que aconteceu? Ninguém foi. "Foi um fracasso. Só foram os familiares dele mesmo", conta.

Por outro lado, nem trabalho com político, a vizinhança está aceitando. Jânio foi procurado para indicar moradores da região que aceitassem trabalhar em campanha. O pagamento prometido dava o equivalente a R$ 1 mil em um mês. "Conversei com quatro pessoas, foram só dois. Ninguém mais quer se envolver, numa eleição passada, as reuniões que viviam cheias, agora são um fiasco. Não passa dos parentes".

O resultado de tamanha rejeição, ele acredita que será dado nas urnas. "As pessoas estão votando com consciência, acredito que a Câmara vai ter uma revitalização grande, uma mudança aí de 70%", afirma. 

É o que espera o comerciante Alex Brandão Marques, de 23 anos. "Desde sempre foi assim, desde que me entendo por gente", resume. Pela idade, o rapaz deve ter votado quatro vezes na vida, mas já avalia que dessa vez, por conta de todos os escândalos, o que se vê são eleitores "fatigados".

"Chegou num ponto que está todo mundo assim, fatigado de tanta promessa, tanta roubalheira. Acredito que dessa vez, o pessoal está sendo até um pouco mais agressivo", completa. 

E é olhando para o passado, principalmente os escândalos, que está o engenheiro Aristides Ortiz, de 62 anos. Na hora de escolher o voto, ele leva em conta a má conduta para descartar candidatos. "O passado, envolvimento em coisa meio estranha. Na atual circunstância, não tem como não torcer o nariz. Você liga a TV é corrupção, corrupção, corrupção, abre o jornal é denúncia, denúncia denúncia. Mudou-se a coleira só não é? Por que os cachorros, continuam os mesmos".




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