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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

02/08/2015 07:24

O lugar é lindinho, mesmo assim já não desperta em ninguém a vontade de cuidar

Ângela Kempfer
Uma imagem rosada no vai e vem da Rua Rodolfo José Pinho. (Foto: Fernando Antunes)Uma imagem rosada no vai e vem da Rua Rodolfo José Pinho. (Foto: Fernando Antunes)

Na Rua Rodolfo José Pinho, a trepadeira deu o ar da graça há mais ou menos 5 anos e hoje é um ponto cor-de-rosa sob o sol pleno no vai e vem movimentado de carros. Quem plantou a Congea Tomentosa, ou simplesmente Congea, acertou em cheio na escolha do arbusto, que cresce lindo e solitário na pracinha do São Bento, sem nenhum esforço humano. “Hoje a prefeitura passa ai, mas só poda a grama”, diz o atendente da padaria do bairro.

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Sob a trepadeira que fechou o pergolado, um mosaico de azulejos, já quebrado pelo tempo, indica que uma farmácia de produtos naturais era responsável pela manutenção do lugar no passado, como parte de projeto da prefeitura de Campo Grande para incentivar as empresas a adotarem as praças da cidade.

 

Sombra é garantida o dia todo. (Foto: Fernando Antunes)Sombra é garantida o dia todo. (Foto: Fernando Antunes)

O espaço é respeitado por quem passa. Pouco lixo se vê, a lista tem apenas uma sacola plástica, a lata de refrigerante e um pedaço de guardanapo. Mas é evidente que não há nenhuma atenção especial.

Os bancos, com sombra garantida até ao meio-dia, já exibem pouco do azul original. Também não há poda e o caramanchão já está quase fechado pelas flores miúdas. Hoje, nenhum morador ou empresa cuida da paisagem e ela vai seguindo caminho sozinha.

Por sorte, encontro entre os afazeres do dia o homem que nasceu no bairro e por muitos anos providenciava água para as árvores frutíferas que plantou na praça.

Jaca no pé, em plena praça da Rodolfo José Pinho. (Foto: Fernando Antunes)Jaca no pé, em plena praça da Rodolfo José Pinho. (Foto: Fernando Antunes)

“Vira e mexe tem algum casal aí tirando foto. Algum apaixonado”, comenda logo de saída o empresário Mário Paulo de Magalhães. Há 55 anos ele nascia em uma casa a cerca de 200 metros da praça. Era um tempo de muitas crateras por ali, imagem inimaginável diante do bairro granfino agora chamado de São Bento.

“Ali na esquina, tinha um paradeiro de gado, os bois chegavam a invadir as casas da favelinha. Isso aqui era um lixão também”, lembra já engatando uma crítica aos administradores da cidade. “A última melhoria aqui tem mais de 30 anos, foi do Levy Dias (prefeito) que trouxe o asfalto. Depois disso, é só tapa buraco”, reclama.

Quando ainda estava empolgado com os novos ares da região, Mário e os filhos plantavam as árvores e regavam as plantas diariamente. “Até o dia que alguém colocou óleo diesel para matar um pé de jaca que eu tinha plantado. Nunca mais aguei nada”, justifica.

Mas muitos pés resistiram, além de jaca. Também tem limão, manga, tamarindo, abacate e até cajueiro. “Na época, eu fui até o Horto Florestal pedir mudas e a prefeitura disse que ia mandar um engenheiro florestal para fazer um projeto aqui. Como ele nunca apareceu, eu mesmo arrumei as mudas e plantei”, diz Mário.

Graças a isso, as tardes são mais frescas para o vizinho João Vicente Alves, de 76 anos. “Venho sempre às 3 horas da tarde, descansar ali na sombrinha”, garante.

Um dos bancos da praça, descascado. (Foto: Fernando Antunes)Um dos bancos da praça, descascado. (Foto: Fernando Antunes)
Flores miúdas no caramanchão. (Foto: Fernando Antunes)Flores miúdas no caramanchão. (Foto: Fernando Antunes)
O lugar é bom para as fotos. (Foto: Fernando Antunes)O lugar é bom para as fotos. (Foto: Fernando Antunes)



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