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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

23/09/2013 07:06

Os 15 passos do luto não tem anonimato e também pregam um dia de cada vez

Paula Maciulevicius
Eles compartilham histórias, lágrimas e a dor da saudade. Perderam filhos, maridos, esposas. (Fotos: Marcos Ermínio)Eles compartilham histórias, lágrimas e a dor da saudade. Perderam filhos, maridos, esposas. (Fotos: Marcos Ermínio)

“Hoje ele teria 25”. “Hoje faz 321 dias e eu não consigo falar”. “Foi tão rápido, tão de repente”. “Tive muitas perdas e eu fico pensando, o que ainda vai vir?”. Frases ditas por quem nunca mais vai ter a vida de antes. Gente que compartilha de um cotidiano pautado na ausência, na falta do sorriso, do abraço, da voz e do cheiro de alguém.

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Uma sala. Cadeiras em círculo, histórias, desabafos e lembranças. Mentores que vão conduzindo a conversa, estendem a mão, dão um abraço, te entregam um lenço para secar as lágrimas já cansadas de percorrer aquele caminho. Nascem nos olhos e morrem nos lábios de quem conta como está naquele dia, como foi a semana desde o último encontro.

Eles também vivem um dia de cada vez. Na parede, os 15 passos do cartaz são seguidos a cada reunião. Ali eles não são anônimos. Tem rostos que revivem a dor diária de conviver com o luto. Olhos que choram, palavras que lembram exatamente como foi aquele dia, semana, que transformou a vida de quem está sentado.

“Foi de repente, tão rápido. Demorou pra cair a ficha, tem mãe que chora, desespera, eu não chorei, não gritei. Estava anestesiada. Enterrei meu filho no sábado e quis ver no domingo, será que eu enterrei mesmo? A gente acha que só acontece com o vizinho, a gente acha que cuida tão bem dos filhos e eles de repente escapam da gente”.

Maria Inez Basmagi, tem 53 anos. Há seis, deixou de fazer pizza todas as sextas-feiras em casa. O filho, com 19 anos na época, sofreu um acidente de carro e deixou este mundo. Com ele foi uma parte de toda a família. “O vício do Felippe era coca-cola e pizza. Meu marido não come pizza até hoje. Eu fazia toda sexta-feira e a nossa última reunião, foi pizza”.

Foi de repente que Maria Inez perdeu parte de si mesma. O filho hoje teria 25 anos. Foi de repente que Maria Inez perdeu parte de si mesma. O filho hoje teria 25 anos.

Enquanto ela fala, a narrativa toca o coração e enche os olhos de quem ouve. Entre os 15 participantes deste último sábado, pessoas que se fizeram irmãos pela dor são unidos pelo consolo. Cada abraço, palavra ou gesto de carinho, é recebido e dado por quem compartilha do mesmo sentimento, a ausência de quem nunca mais vai voltar.

“Tentamos trabalhar com esse lado. De como conviver com essa dor, essa perda. Vivemos aqui para ser felizes, essas experiências dão uma infelicidade muito grande, mas Deus não nos criou para isso e sim para viver as experiências sem perder o equilíbrio”, orienta o mentor.

Em seguida, quem rege a reunião pede que Maria Inez detalhe como chegou ao grupo de apoio. Não foi diferente de ninguém ali. “Cheguei muito desesperada, cheguei, chegando. Queria uma explicação, uma resposta”, descreve.

A cada dia que nasce, ela alterna a dor e saudade e comenta com o grupo a ligação que muitas mães e pais fazem depois que a tragédia chega sem avisar. Maria Inez tinha esse medo, de quem sabia que ia perder Felippe. “Eu já me preparava para aquilo, mas é uma dor muito intensa. Eu chorava como se não fosse parar”.

O décimo quinto passo trabalhado neste último sábado no Gaepe (Grupo de Apoio Espiritual a Pessoas Enlutadas) foi “onde e como está meu ente querido”, o último item na lista que retoma do início na próxima semana. O grupo segue a doutrina espírita e é acompanhado por uma psicóloga a cada 15 dias.

No calendário, o pai que conta dia após dia a morte do filho. Edson e Isabel perderam o único filho há mais de 321 dias. No calendário, o pai que conta dia após dia a morte do filho. Edson e Isabel perderam o único filho há mais de 321 dias.

O pai que não conseguia falar, tinha na cabeça e no coração apenas os dias que correram depois da morte do filho. “Faz 321 dias e a dor está muito grande. Eu, psicologicamente, não estou bem. Não tenho condições de falar”. Depois que Edson Luiz Neves Biancão, de 65 anos, falou, os olhos de todos se voltaram a ele em forma de carinho. Ao lado, um abraço amigo.

A esposa, Isabel Cristina Correa Neves Biancão, de 46 anos, é quem retoma a vez. “Hoje ele não está bem não. Nós ainda estamos com essa dor do Lawrence, a qual ele não aceita”. O único filho do casal foi assassinado em dezembro do ano passado, na Orla Morena, em Campo Grande.

Nove meses contados dia após dia no calendário. Uma mãe que chora ao mesmo tempo em que diz ter paz. Uma tranquilidade de quem não aceitou o que viveu, mas aprende a conviver com a saudade. “Hoje acho que o Lawrence está bem, num lugar bom, está sendo amparado. Meu coração está hoje em paz, pra mim ele está bem, mas faz muita falta, meu filho único”.

Isabel transmite espiritualidade. Olhos de uma mulher forte, uma mãe que deu tudo de si. “Somos só nós dois e não é fácil não, meu coração está em paz, bem em paz. O que eu pude fazer, eu fiz. Ele veio para ficar pouco tempo e viveu intensamente. As coisas dele ainda estão lá, na sua maioria, mas vai chegar uma hora que eu vou ter que tirar”.

Pela força do depoimento da esposa e uma paz trazida pelo filho, ele pede para falar de novo. Desta vez consegue por pra fora a angústia que lhe tirou o sorriso. “Creio que o Lawrence é um espírito muito desenvolvido, a marga registrada era o sorriso dele. Creio que está bem, em paz no plano superior. Mas a minha revolta, essa dor é muito grande. Pelo que eu escutei, o Lawrence já perdoou essas pessoas, isso, de vez em quando, me acalma um pouco”.

O grupo se reúne todos os sábados, não impõe religião e só quer, através da caridade, do amor e do compartilhamento de histórias, dar um novo sentido a ausência.O grupo se reúne todos os sábados, não impõe religião e só quer, através da caridade, do amor e do compartilhamento de histórias, dar um novo sentido a ausência.

Na pausa de quem respira o desabafo, os orientadores fazem o parêntese ao explicar que o primeiro passo para evoluir é o perdão. “Quando você perdoa, vai conseguir entender. A saudade não traz prejuízo, mas a revolta traz. Não confunda perdão com aceitação. O que foi feito com ele, não foi certo e nunca vai ser, mas o perdão é libertação”, consolam.

A fundadora do Gaepe carrega a saudade da filha Luane, que no mês em que completou 11 anos, deixou a vida tão nova por conta de um tumor cerebral. Luciene de Souza Ferreira vive desde 2001, os agostos de lembranças. Junto de uma amiga que perdeu o filho em um acidente de carro, que ela criou o grupo, há seis anos.

Para trabalhar o lado espiritual de pessoas que vivem o dia-a-dia do luto foi um ano de muito estudo. “Criar um grupo não é fácil, você precisa ter passado pela experiência”. No caso de Luciane, a saudade é imensa, mas tudo que se resume a filha está em uma malinha. “Pulseiras, anéis, cadernos de escola e roupas que ela mais gostava. De vez em quando, eu abro, quando a saudade bate, eu choro, converso com ela, fecho e sigo adiante”. Com essa proposta que o Gaepe abre as portas. O grupo é aberto, não impõe religião e só quer, através da caridade, do amor e do compartilhamento de histórias, dar um novo sentido a ausência.

Eles compartilham histórias, lágrimas, dor e o sentimento de que um pouco da vida também se foi. A vida continua. Ela nunca mais será a mesma e aquelas pessoas sentadas em círculo vão sentir falta de alguém pra sempre, mas não se pode enterrar todos os dias. É preciso seguir adiante, é o que ensina o Gaepe.

O grupo se reúne todos os sábados, às 9h30, no piso superior da loja Arquitécnica, na rua Dom Aquino, 431, bairro Amambaí.




Hoje fazem 09 dias que perdi meu filho. Tenho 3 filhos. Ele era o do meio. Tinha 36 anos. Dia 13/2 ultimo teve uma forte dor de ouvido, foi ao posto de saúde UPAS aqui em Caraguatatuba onde moramos, e lá lhe aplicaram uma pelicinila. Em segundos ele teve um choque anafilático seguido de parada cardiáca e não resistiu. Ele estava separado da esposa há quase um ano e morava comigo. Deixou uma filhinha com 8 anos. Grito por dentro todo o tempo. Fico louca varias vezes ao dia. Não tenho chão, nem identidade, nem planos, nem projetos, nem futuro. Morri com meu filho. A maior parte de mim foi com ele. Não sei como seguir ... Não sei.
 
neusa ferreira da silva em 22/02/2014 17:30:02
Olá pessoal.
Eu cheguei no gaepe há mais de quatro anos.
Graças à Deus, eu pude dividir o meu desespero com este grupo que me acolheu com muito amor e sabedoria.
Não perguntaram minha religião, não fizeram nenhuma pergunta, simplesmente me abraçaram, choraram comigo e me deram o direito de desabafar sem interromper, porque até aquele momento eu não tivera tempo de dizer como eu me sentia.
Apenas, fiz o meu papel de viúva, enterrei meu companheiro ( a época com 49 anos), deixando nossos filhos adolescente desesperados, eu, por minha vez tive que ser o suporte para que eles não despencassem para o abismo.
Hoje faço parte deste grupo e posso dizer á você, religião é o que menos importa.
O que realmente valorizamos é o AMOR.
 
Anesia S.N. Souza em 25/09/2013 19:24:32
Toda perda é irreparável, só sabe quem perde, mas as coisas não depende de nós e sim do criador, portanto, Deus é mais, se Deus é por nós, quem será contra nós.
 
ilma alexandre em 24/09/2013 15:06:38
Alfredo, eu quem agradeço a oportunidade de ter feito parte da educação do Felipe. Se ele era um menino querido por todos é porque você e a Maria Inez fizeram dele uma pessoa especial.
 
ana ramos em 24/09/2013 13:47:42
Professora Ana Ramos, agradeço suas palavras sobre o Felippe pois só quem o conheceu sabia do ser maravilhoso que ele era e é, um anjo que Deus me deu para cuidar e deixei escapar pelos meus dedos. Agradeço ao GAEPE pelo apoio psicológico e espiritual que recebi e que esse Grupo continue ajudando com este AMOR sempre. Abraço carinhoso, Alfredo Basmage.
 
Alfredo Jorg Basmage em 23/09/2013 19:53:25
Essa dor não tem consolo, eu perdi minha mãe, pai e meu irmão em 1 ano e meio todos em fração de segundos, não gosto que ninguém me ligue pois toda vez que meu celular toca eu fico achando que mais uma tragedia esta acontecendo. Queria que esta dor saia do meu coração.
 
Llsane Fleck em 23/09/2013 19:27:12
Realmente um excelente trabalho.
Só gostaria de acrescentar, que a maioria desses "acidentes" que resultaram na perda de um ente querido, não foi "acidente", com toda certeza o causador do "acidente" estava alcoolizado.
Por isso, há anos tenho tentado, sem êxito, que proíbam as propagandas de bebida
alcoólica.
 
Cristina Castel em 23/09/2013 18:59:00
A perda de um ente querido e a pior coisa que se tem, perdi minha mãe faz 5 meses e 23 dias após ela ter tido 4 AVC,cuidei dela 3 anos e 6 seis meses como se fosse um bebe adulto,mas assim mesmo sinto muita saudade dela sinto um vazio enorme no meu coração parece que esta dor nunca vai passar,sei que onde ela estiver está olhando por mim,quando não aguento mais a saudade choro para me aliviar um pouco sei que não vai resolver e só Deus para nos dar forças para continuar.
 
Rosilda F. Coronel em 23/09/2013 18:34:23
Felipe Basmage, um menino maravilhoso que tive a oportunidade de conhecer, pois fui professora dele.
 
ana ramos em 23/09/2013 14:16:12
É muito difícil mesmo conviver com esta dor, perdi minha mãe há quatro anos e ainda não me conformei, sinto tanta falta dela, as vezes me revolto, parei de ir a igreja, minha mãe era religiosa se dedicava tanto a fé, mas a fé dela não a salvou do câncer.Ela era boa demais não era deste mundo mesmo.
 
DIVINA MENDONÇA em 23/09/2013 14:15:06
Hoje faz oito dias q eu perdi um dos bens mais preciosos da minha vida,a minha mae,eu nunca tinha passado por uma experiencia tao dolorosa em toda minha vida e uma mistura de sentimentos q nao tem como descrever,a falta q ela faz o vazio q fica a dor no peito e inexplicavel.Gostei muito da materia se morasse ai com certeza iria nas reunioes o apoio e o carinho de quem ja teve perdas parecidas conforta um pouco o coraçao da gente.
 
sandra queiroz em 23/09/2013 12:35:25
Que Nossa Senhora derrame todas as bênçãos e luz para este Grupo continuar este lindo trabalho! Parabéns de coração!
 
Dayana Oliveira em 23/09/2013 12:28:19
Venha falar sobre essa perda. Falar sobre essa dor vai ajuda-lo a alcançar e entender melhor a total consciência do que aconteceu. O Gaepe estará aqui para acolher as pessoas que sentirem necessidade desse apoio.
Obrigada.
 
jussara marques reinoso de siqueira em 23/09/2013 12:26:12
"O luto nos permite curar, lembrar com amor em vez de dor.
É um processo gradativo.
Uma a uma, você vai soltando as coisas que se foram e lamenta por elas.
Uma a uma, você mantém as coisas que passaram a fazer parte de quem você é e constrói de novo." Rachael Naomi Remen
Com a fala do autor acima identifico o GAEPE, um lugar acolhedor, preocupado em receber as pessoas que estão vivendo o luto, e sentindo a necessidade de colocar pra fora as angustias e sofrimentos que o luto causa. Não existe comprimidos que os ajudará a atenuar essa dor, vamos aprender através do grupo, através de outras experiências , aceitar e trabalhar essa travessia de dor, que nesses momentos difíceis nos causas vários sentimentos ruins como a raiva, culpa, ansiedade, desamparo e solidão.
 
jussara marques reinoso de siqueira em 23/09/2013 12:22:48
Não e fácil mesmo na sexta fez 5 meses que perdi minha mãe e ontem se fez 1 ano que perdi meu irmão tbem foi um em cima do outro meu irmão sofreu um acidente de trabalho e por conta disso minha mãe nao aguentou e se foi para ficar ao lado dele, ele tinha apenas 21 anos, agora ficamos 3 eu meu pai e meu irma o mais velho cada dia que passa e um sofrimento a mais não sei se sofre por eles que ja se foram ou se sofro pelo meu pai e meu irmão.
saudades demais deles...
 
Evelyn Paula em 23/09/2013 11:31:27
Que trabalho maravilhoso, pena que só procuramos quando estamos com a dor da perda, da solidão da saudade, esse é um trabalho que deveríamos fazer sempre, independente até para nos fortalecer ou para darmos o nosso ombro para nossos irmãos que estão necessitando de ajuda espiritual, gosto muito desse trabalho é muito gratificante.
 
Elza Maria em 23/09/2013 11:18:29
PARABÉNS a todos do GAEPE por esse lindo e fundamental trabalho.
Abraço a todos.
 
Joely Alves de Araujo em 23/09/2013 11:01:09
Participo do Gaepe há quase três anos e só tenho a agradecer a todos pela acolhida. Cheguei com muita dor pela morte repentina da minha mãe, amiga incondicional de todas as horas. No grupo, conheci mães, outras filhas, mulheres, amigos... pessoas que buscavam, como eu, entendimento para a separação e busca de algum sentido. Aprendi que nenhuma dor é igual, mas que a dor do outro me ajuda a entender a minha. Aprendi como é possível ser agradecido pelo tempo que desfrutamos da convivência com quem tanto amamos, aprendi sobre amizade, aceitação, carinho e solidariedade. O Gaepe é ecumênico, está de braços abertos a todos. Pode vir, pode chegar. A gente fala, silencia, chora, muitas vezes ri, e sempre aprende muito nesse lindo compartilhar de experiências. Um dia de cada vez. Vamos em frente!
 
Fabiana Silvestre em 23/09/2013 10:06:12
Sabemos que a dor e a saudade são individuais, próprias de cada um, mas, quando se tem um apoio espiritual (independente de religião) amigo, fraterno, pessoas que acolhem e entendem sua dor, é fazer o trabalho do Cirineu na caminhada de Jesus ao calvário: ajudar a carregar a cruz. Alivia, apazigua o coração, e a partir do momento que consegue voltar a sorrir então estará fazendo brotar novamente a fé que havia sido enterrada com seu ente querido. O GAEPE não tem receitas prontas, nem é um grupo de estudos ou de mensagens espirituais, são pessoas envolvidas no amor e na caridade, compartilhando suas experiências. Obrigada pela matéria, tão bem explanada.
 
Luciene Ferreira em 23/09/2013 09:56:17
Quando você que é mãe e passa pela dor da perda, principalmente as trágicas, você perde a fé ou quem sabe, é ali que você descobre que nunca a teve.
Parabéns pela matéria.
 
Maria Izildinha Fernandes Remijo em 23/09/2013 08:40:16
ACHO ESSA IDÉIA MARAVILHOSA, POIS TB. PERDEMOS NOSSO FILHO PARA DEUS, IRÁ FAZER UM ANO NO DIA 28/09/2012, E SÓ NOS RESTA MESMO É A DOR E A SAUDADE, E PEDIR A DEUS QUE NOS CONFORTE NA HORA DA DOR E DA SAUDADE...
QUE NOSSOS FILHOS ESTEJAM COM DEUS PARA A ETERNIDADE
 
FILADELFIO TERENCIO em 23/09/2013 08:40:09
Essa é uma idéia maravilhosa, uma iniciativa fenomenal, esse tipo de assistência espiritual, ajuda muito a todos nos, não podemos ignorar, sabemos que todos nós vamos passar por esse luto, é algo certo e a "dor" é inexplicável, força, parabéns pela iniciativa dos participante, estou atualmente em Dourados , mas logo estarei por ai em Campo Grande.
 
Antonio Dantas em 23/09/2013 07:44:35
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