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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

20/07/2016 06:10

Padaria ainda toca sirene para avisar que tem pão quentinho saindo do forno

Paula Maciulevicius
A cada fornada, uma tocada de sirene de Marco, o padeiro de Bandeirantes (Foto: Arquivo Pessoal)A cada fornada, uma tocada de sirene de Marco, o padeiro de Bandeirantes (Foto: Arquivo Pessoal)

Sirene tocou. Pão saiu. É assim que uma padaria da pequena cidade de Bandeirantes avisa aos moradores que a assadeira acabou de sair do forno. Desde que Marco e Fernanda trocaram o interior de São Paulo por Mato Grosso do Sul, trouxeram a ideia na bagagem. E como o município é pequeno e eles ficam bem na praça, no Centro, o som é ouvido por toda Bandeirantes. 

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"Aqui quantas vezes assar, quantas vai tocar", explica Marco Antônio Pascoalin, de 47 anos. A família veio há seis anos de Macaubal, onde a esposa de Marco, Fernanda, trabalhava em uma padaria. A sirene foi ideia de dona Ieda, ex-patroa da confeiteira que via lotar o comércio de gente atrás de pão quentinho. 

Quando a padaria "Purart" foi montada, eles logo instalaram a sirene no teto e próximo do forno, o botão que a aciona. De início, Marco veio mesmo para trabalhar como técnico em laticínio e gerente industrial e Fernanda, "confeiteira de mão cheia", como define o esposo, ficou à frente. Com o tempo, ele também aprendeu a ser padeiro, abandonou a profissão e os dois passaram a tocar o negócio.

Sirene ecoa e alcança um raio de 5km da padaria só pelo botão. (Foto: Arquivo Pessoal)Sirene ecoa e alcança um raio de 5km da padaria só pelo botão. (Foto: Arquivo Pessoal)

 

"Toca exatamente desde o dia em que abrimos. Divulgamos na rádio local e fizemos com carro de som também, explicando que a padaria inauguraria e o sistema. Toda vez que acionava a sirene, era um aviso que teria pão quente", explica Marco.

Nos "bons tempos", como diz o casal, o som chegava a tocar até cinco vezes. Hoje, só uma. "Não toca e começa a chegar igual enxame de abelha, mas é um aviso", descreve Marco.

Na madrugada, logo que abre, ninguém toca para não incomodar os vizinhos com o barulho às 5h da manhã. Mas à tarde, não tem quem não saiba que o pão saiu.

"Entre 15h e 16h tocamos. Como é um barulho diferenciado, todo mundo conhece e até já acostumou com o horário: 'ó é o Marco e a Fernanda'", brinca o padeiro.

De praxe, ele tira o pão do forno e já mete o dedo no botão. O tempo? Depende do dedo do tocador, explica. "Por ser de 30 segundo a 1 minuto, não pode ser nem mais e nem pouco", completa Marco.

Conforme a disposição do vento, a sirene alcança num raio de até cinco quilômetros. "Somos os únicos aqui que fazemos isso. Não está patenteado, mas até hoje, ninguém copiou", diz o padeiro.

A padaria abre das 6h às 11h da manhã, fecha para almoço e retorna às 13h até 21h. "E tem sirene de domingo a domingo, sábado, feriado, dia santo. A gente só fecha uma semana por ano, para descansar", avisa Marco.

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