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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

06/11/2013 06:16

Para serem 'vistos' eles tiveram de emagrecer e diminuir a numeração das roupas

Paula Maciulevicius
As roupas do antes e depois de Tathiana Ajala. Do manequim 54, em dois anos ela já chegou no 44. As roupas do antes e depois de Tathiana Ajala. Do manequim 54, em dois anos ela já chegou no 44.

Para ser atendido em loja, conseguir comprar roupa e ser reparado na balada eles tiveram de emagrecer. Hoje o Lado B conta a história de dois personagens que viveram boa parte do tempo como coadjuvantes na própria vida. Se escondendo atrás das roupas que lhe serviam, não as que gostavam, e dizendo para si mesmos uma falsa verdade, de que não se importavam em ser gordos.

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A estilista Tathiana Ajala, de 31 anos, nunca foi magra e viveu a discriminação de perto. Era a moça do rosto bonito. Tinha os elogios voltados somente à parte do corpo que não estava acima do peso. Não usava vestidos, saias curtas e o guarda-roupa se resumia às calças jeans e blusas pretas. Apesar da formação em moda, a satisfação em montar um look era voltada aos amigos. Para ela mesma, não havia nem graça em se vestir.

Com 126 quilos, o peso que chegou a ter, na hora de comprar roupas, já saiu muitas vezes chorando das lojas. “Se você pergunta, a vendedora olha para você e fala não tem nada do seu tamanho. Acontece que quando você é gordo, se entra numa loja os vendedores olham de cima embaixo”.

Uma das experiências foi quando ela e uma prima, magra, foram às compras. “As duas vendedoras foram atender ela. E eu fiquei só olhando e a loja tinha roupa que me servia e eu ainda poderia comprar acessório, uma bolsa. Mas ninguém veio me atender”.

De 2011 até 2013. Tathiana pesava 126 quilos e hoje tem 79. (Foto: Roberto Ajala)De 2011 até 2013. Tathiana pesava 126 quilos e hoje tem 79. (Foto: Roberto Ajala)

Quando ela pediu à funcionária do caixa para ser atendida, recebeu a resposta de que deveria esperar porque todas estavam ocupadas. “Saí da loja chorando, é muito ruim. Você se sente discriminado para tudo. Se senta para comer em local público, os olhares já são ‘mas olha como ela está comendo’, é muito dolorido isso”.

Na balada, na noite ela era só a gorda amiga dos homens. Recebia abraços e beijos, mas na visão masculina, não representava perigo algum. “Você é a gordinha da turma, ninguém nunca vai querer você. Você é a amiga de todos”, relembra.

Há três anos, com o apoio da família e dos amigos, ela ingressou na bateria de exames para fazer a cirurgia de redução de estômago. Em agosto de 2011, com 126 quilos, Tathiana entrou na sala de operação. Hoje, o jogo inverteu e ela pesa 79, cinco quilos são de massa magra.

“Quando emagrece muda completamente. O olhar masculino é outro. Agora olham primeiro a aparência e depois o resto. As mulheres me elogiam e quando eu digo que fui gorda, as pessoas ficam pasmas”, conta.

Do manequim 54 ela passou a usar 42, 44. O pé diminuiu e os sapatos tamanho 38 já ficam grandes. Ir às lojas não é mais problema. E o guarda-roupa deixou as calças jeans e blusas pretas de lado. O look da estilista ganhou vestidos, saias curtas, shorts e até uma blusa branca. “Para mim isso foi muito bom. Eu nunca tina vestido roupa branca na minha vida. Hoje eu compro o que eu quero, escolho, provo e dá certo”.

A imagem de não poder comprar roupas que queria ficou para trás. Como magro, a primeira coisa que ele fez foi ir às compras. A imagem de não poder comprar roupas que queria ficou para trás. Como magro, a primeira coisa que ele fez foi ir às compras.

Ter cabelo azul virou um mero detalhe na aparência. O que ela ouve hoje é “olha que linda aquela menina de cabelo azul. Percebi que comecei a chamar muito mais atenção. Muda o olhar da sociedade com você”.

Tathiana nunca havia cruzado as pernas. Sabe, se sentar e cruzar pernas? Coisa que se faz no automático, sem nem ao menos perceber e notar que é possível que alguém não consiga fazer isso. “Como eu nunca fui magra, eu achava que era feliz. Quando eu emagreci, eu vi que não era feliz”.

Os quilos a mais que um final de semana de pé na jaca trariam, a ela não faria diferença. Um exemplo disso eram as saídas entre amigas, quando uma dizia que tinha de emagrecer e não podia comer tal coisa e Tathiana de pronto respondia que 2 ou 10 quilos a mais a ela não fariam diferença.

O dilema não é vivido apenas por elas. Em 2011, Bruno Duim, com 22 anos, entrou na sala de cirurgia para também fazer a redução de estômago. Na época, os 155 quilos pesavam muito mais no consciente do que na balança.

Ele não saía de casa, não comprava roupas, não ia à lojas. “Não tem seu número, então fica constrangedor. Você gosta daquela marca e infelizmente não tem”.

Na balada, a lembrança que ele tinha eram dos cumprimentos por educação. “Você sabe que não vai acontecer nada. Sua autoestima é tão baixa, que eu saía de casa com essa ideia, de me divertir. Você prefere ficar em casa, no seu mundo”.

A imagem de não poder comprar roupas que queria e o olhar torto dos vendedores foi a primeira coisa que ele quis deixar para trás. Como magro, ele foi às compras.

“Eu entrei numa loja e comprei roupa. Vesti um número diferente, me olhei no espelho e falei, agora eu sei que estou magro”.




Tá uma obsessão por magreza agora que chega a incomodar, sei que existe o lado da saúde, mas tem gente que é doente e magra e tem gente que é saudável e gordo, a industria do emagrecimento tá ganhando bilhões por ano, tudo por uma regra cada vez mais imposta pela sociedade, são as mesmas pessoas que pregam que voce tem que usar roupa de marca para ser aceito, porém no caso de magreza, a coisa é mais séria, existe o preconceito brutal sobre as pessoas acima do peso que acabam juntando o que tem para fazer cirurgia, e as vezes a pessoa morre na cirurgia, fora isso a pessoa gasta o que juntou a vida toda pra fazer a cirurgia e 6 meses depois já tá gordinho de novo, devia existir uma lei que proiba o preconceito com gordo igual a dos negros e gays. Chamou de gordo, processa na hora.
 
maximiliano nahas em 06/11/2013 12:41:01
Infelizmente esse preconceito é triste e desanimador para quem sofre ele. Até mesmo médicos despreparados fazem mal uso das palavras deixando seus pacientes mais ansiosos e desmotivados. Ninguém é gordo por que quer, a gente diz que não se incomoda para tentar se aceitar e ai sim começar a mudar esse estado físico. A grande maioria dos obesos são pessoas ansiosas, que descontam sem ver de alguma forma na má alimentação não é simples 'fechar a boca' . Garanto que sabemos muito mais sobre alimentação do que muitos magros, mas há fatores que nos rodeiam que fazem as coisas não darem certo. Não precisamos do seu olhar repreensivo, nem suas criticas destrutivas, tudo isso os espelho já nos dias e as situações do dia-a-dia nos deixa desconfortáveis.
 
Eliza Prado em 06/11/2013 10:09:33
Não se pode mudar o passado, mas se pode mudar o presente e o futuro. Hoje com 54 anos, não mais tão magra como a sete anos atrás, mas feliz com a aparência, comendo para viver e não viver para comer me alegro com pessoas que estão dispostas a mudar de vida, eu só preciso criar coragem para exercitar-me mais, me considero um pouco sedentária, mas quem sabe na próxima segunda feira?
 
Jussara do Rossio dos Santos em 06/11/2013 08:29:10
Eu sei o que é ser "diferente das outras pessoas". Cheguei a pesar 120, era velha, escurinha e gorda para trabalhar em uma determinada escola particular em Campo Grande. Fui indicada para a vaga por uma colega, professora, mas esta não me via "diferente" então se esqueceu de dar estes detalhes. A diretora/sócia, me ligou e disse-me que eu poderia estar lá as 6:30 para conversarmos e ela me apresentar o plano de aula, mas ao chegar, a mesma me olhou de cima a baixo e com "muita educação" perguntou-me se eu já havia trabalhado com o método "tal" disse-lhe que não, mas conhecia como era o "tal" método e que a história seria a mesma em qualquer forma de trabalho, pois ela se baseava em conteúdo e ninguém pode mudar o passado. Disse-me que entraria "em contato" e deu-me um bom dia "passa fora"
 
jussara do rossio dos santos em 06/11/2013 08:22:45
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