A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

21/08/2013 07:23

Por onde andam os apitos e os velhos picolezeiros de Campo Grande?

Paula Maciulevicius
Na última década de 25 a 30 carrinhos de picolés nas ruas, não sobrou mais que meia dúzia do estilo picolezeiro. (Fotos: João Garrigó)Na última década de 25 a 30 carrinhos de picolés nas ruas, não sobrou mais que meia dúzia do estilo picolezeiro. (Fotos: João Garrigó)

Uma das melhores lembranças da infância era ouvir a buzina do picolezeiro anunciando aquilo que minha mãe brincava ‘picolé de água suja com açúcar’. Bastava ele aparecer na rua que a gente, moleque de tudo, ouvia de longe e já saía com uma bacia pra por os sabores e um adulto pra pagar a conta. Foi se o tempo em que uma simples buzina causava alvoroço e correria. “Tio, pera aí”.

Veja Mais
Caligrafia da escola rendeu à Marystella a profissão de designer de lousas a giz
Luis ganhou o título de presidente e hoje é dono da própria cadeira no bar

Esses dias me peguei pensando onde foram parar os picolezeiros daquela época. Eles não foram embora totalmente, mas foi mais uma das coisas que os anos 2000 levou da década de 90.

Meu preferido era o de groselha. Daqueles que a gente se lambuzava tudo e ficava com a boca roxa por uns dias. Brincadeira. A ‘água suja’ como minha mãe brincava nunca manchou e nem fez mal a ninguém.

Aqui em Campo Grande, quer vê-los basta ir no final do dia até a Praça dos Imigrantes, ali próximo a Rui Barbosa. Mas de tantos que andavam por aí, hoje os carrinhos de picolé se resumem, pasmem, a seis. Quem conta é o comerciante Celso Henrique dos Santos, de 41 anos, que fabrica e coordena os picolés nas ruas.

Hoje, na visão dele, o que mudou, além da cultura da criançada, foi o investimento pesado de grandes marcas. Coisa que não se via antes passou a estar presente nas ruas, carrinhos Kibon, por exemplo e marcas daqui do Estado mesmo que investiram pesado no ramo.

 

Concorrente do picolezeiro Felipe tem até farmácia entrando na briga.Concorrente do picolezeiro Felipe tem até farmácia entrando na briga.

“É um ramo muito ingrato. Você trabalha seis e ganha seis. Hoje não tem mais essa cultura. A criançada é da geração coca-cola e videogame. Como a maioria dos sorvetes fechou, ficou difícil também ir para os bairros”, justifica Celso.

Aí não teve jeito. Na última década de 25 a 30 carrinhos de picolés nas ruas, não sobrou mais que meia dúzia do estilo picolezeiro. Mas os que ainda perseveram são aquelas típicas figuras do tio do picolé. Aposentados que usam o dinheiro da venda para implementar o salário mínimo que recebem.

‘Seo’ Felipe Pereira Nolasco, 68 anos, lembra exatamente o dia e a hora em que começou a buzinar pelas ruas de Campo Grande. “Em 1994, mais precisamente 12 de outubro. Eu não esqueço. Guardei a data porque na época estava desempregado”, conta. Era um dia das crianças e as vendas, claro, seguiram o ritmo da data comemorativa.

 

'Seo' Armindo guarda na memória os tempos em que era só buzinar que a garotada mandava esperar.'Seo' Armindo guarda na memória os tempos em que era só buzinar que a garotada mandava esperar.

Nos dias de bom negócio, ele vende até 30 picolés, já nos dias de movimento fraco, não vai nem a metade disso. Se choveu ou fez frio então, aí é que os picolezeiros não saem da toca.

Fora os altos e baixos dos picolés, ‘seo’ Felipe faz frente a muitos outros produtos que despertam até mais a atenção da garotada. “Tem muita concorrência hoje em dia. Antes não tinha sorvete em lanchonete, esses de freezer, hoje tem e está cheio em tudo quanto é canto, até em farmácia”, desabafa.

Há mais de duas décadas puxando um carrinho de picolé, Armindo Galdino Delgado, de 74 anos, fala logo de cara que foi de uma época diferente, onde a aceitação era bem maior. “A maioria comprava. A gente ia nos bairros aos finais de semana e ia buzinando de longe que quem escutava e queria comprar já saía gritando, mandando a gente esperar. A gente sente né? Naquela época era tudo bem diferente”, descreve.




"Delícia" de matéria! Quanta saudade... ainda se ouve em bairros a típica buzina...
e os passos apressados correndo atrás do carrinho. Parabéns campograndenews!
Tradição e coisas do tipo mexem com o emocional, continuem!
 
Beth Saltão em 22/08/2013 00:08:40
Que legal ver o Seu Armindo ele que vendia picolé na frente do antigo ASE na 26 eu e minha irmã sempre comprávamos! momento nostálgico, estou tentando fazer as contas acho q era em 1994..1996 .. faz tempo rs
 
kleris da rocha em 21/08/2013 19:41:13
Gente adorei a reportagem! Éh, bons tempos aqueles!!! E realmente, nos dias atuais a maioria das crianças não sabem o que é tomar aquele picolé de 'água suja'.Além do picolé tinha também moreninha,ituzinho... ohh coisa boa!!!! Saudades da velha infância!!!
 
Luciana Almeida em 21/08/2013 18:07:04
Eu já fui picolezeiro, nas ruas de chão de Marcelândia - Mato Grosso, não tinha nem carrinho e nem buzina, era caixa de isopor e no grito "olha o picolééé"...Depois eu, meu pai e meu irmão tivemos aqui em Maracaju uma sorveteria mesmo, soltando carrinhos nas ruas. Sugeriria também uma reportagem sobre os carrinhos de cachorro quente. Fui também vendedor de cachorro quente na praça de Maracaju, onde até hoje meu pai continua a história na praça Central, o Tio Rael do Cachorro quente...
 
Valdecir Antonio Zaniboni em 21/08/2013 17:18:52
Lembrança boa.
Parabéns ao Campo Grande News pela reportagem.
 
Fran Carvalho em 21/08/2013 15:47:18
Muito legal a declaração do SR. Valdir Pereira, como ele bem salientou trabalhou em toda sua infância e hoje é um homem de bem, que tem orgulho dos trabalhos que já realizou, nunca vendi picolé, mas trabalhei desde os 13 anos e tenho orgulho disso, atualmente é bem diferente a criançada só quer ficar na tv ou games, se os pais pedem para ajudar reclamam, no meu bairro jd são lourenço ainda passa o picolezeiro, mas como foi frizado é uma aposentado, se fosse uma criança os defensores da vadiagem já teriam denunciado!!! Trabalho nunca fez mal a ningúem.
 
RONALDO DEPÓLITO em 21/08/2013 14:58:31
Que linda reportagem..... meu tio era picolezeiros, muitas saudades da minha infância.Saudades
 
Anna Matias em 21/08/2013 14:47:57
Para uma criança, é o momento onde as duas pessoas mais importantes do mundo são eles, o que vende e o que paga, se for o vovô então.....
 
rodolfo de toledo em 21/08/2013 13:49:22
Lendo coisas deste tipo que paro e penso: To ficando velho mesmo!
 
Marcio Brunholi em 21/08/2013 13:45:59
Na praça Ary Coelho tinha pipoqueiro, picolezeiro, vendedor de algodão doce, fotografos lambe lambe, vendedor de balões de gás hélio, enfim um clima de praça mesmo.
Os vereadores fizeram leis e acabaram com tudo isso, e colocaram lá os azulados com um pedaço de pau na mão para recepcionar a população de Campo Grande com uma cara de mau.
 
Roberto Araujo em 21/08/2013 13:28:44
nossa! voltei no tempo agora.... que delicia quando jogavamos jogo de bete aos domingos e quando lá longe escutávamos fonfonfon e aí gritavamos maehnnnnnnnnnn...o picolezeiro vem vindo compra picolé pra nóis .......tio tio tem´picole de que!
 
nanci reis em 21/08/2013 12:41:10
À Produção. Carambas, vocês realmente estão arrasando meus amigos. Essas matérias nos levam a tempos remotos e para mim que já sou cinquentão, traz até emoção. Parabéns ao Campo Grande News pela popularidade.
 
Lenirdo Pedroso de Almeida em 21/08/2013 12:40:10
Fon! Fon! Fooonn! aquela corneta com bolotas de borracha de ar ao lado dos carrinhos, picolé de groselha, as rapadinhas também hum.... os tambores de latas azuis, que vendia "bijus" umas tiras enrolada fina de biscoito, tinha tipo um ponteiro de madeira giratória na tampa numerada, quem comprava girava pra ver o desconto ou se podia ganhar mais uma.
 
Carlos Lamarca em 21/08/2013 11:16:23
Nossa eu quando criança , não podia ver o tio do picolé que ja ia correndo , para tomar moreninha ai que delicia ...e hoje em dia quase não vejo mais eles , pois e verdade as farmácias e banca de revista vendem o picolé , so que tem um detalhe não vendem moreninhas rsrsrssr e os picolés de la são mais caros , e as farmácias estão virando quase um mime supermercado ...
 
Anny oliveira em 21/08/2013 10:12:39
Nossa!!! Q saudades q me deu da infância...
 
Eder Mattos em 21/08/2013 09:37:13
Lembranças oh doce lembrançaaass.....Quando meu pai era vivo sempre passava um em frente da minha casa,era aquela correria pra comprar moreninha e ituzinho...
 
Valquiria Diogo em 21/08/2013 09:30:23
Me lembro com saudade,pois;fui parte integrante desta história.Comecei a vender picolé em caixa de isopor à tiracólo, no inicio dos anos 70, tinha 10 anos de idade,me lembro como se fosse hoje, eu chegava sedo na sorveteira,em frente à Escola Estadual Maria Constância de Barros Machado.um dia ao chegar pra trabalhar o João(proprietário), tinha comprado mais 3 carrinhos, me chamou e disse:agora vc vai vender com carrinho,fiquei muito orgulhoso,na saída já comecei a apertar a buzina.Mesmo tendo que trabalhar na minha infância,tenho muita saudade e orgulho por fazer parte da História de minha terra, como Picolezeiro,Engraxate na Praça Ari coelho, vendedor de frutas, salgados e pirulitos no tabuleiro,indo a pé do Bairro Santo amaro até o centro,estudava, brincava, jogava futebol no America...
 
VALDIR PEREIRA em 21/08/2013 08:56:45
O "Seo" Armindo sempre estava no recreio da escola Zamenhof, me lembro dele na época do meu primário, isso ha 15 anos atras, gente boa o "tio do picolé"
 
Diego Hudson em 21/08/2013 08:49:44
Concordo com vc "SUZU DA COSTA"...
Existe muitas crianças ainda que fica só esperando os "TIOS DO PICOLÉ" passar na rua de suas casas...
 
Douglas Augusto em 21/08/2013 08:10:51
Desanimem não, é só persistir mais um pouco que ainda tem muita criança por trás de muros e portões esperando o sorveteiro passar buzinando.
 
Suzi da Costa em 21/08/2013 07:51:40
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.