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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

13/04/2016 07:56

Por onde quer que vá, filho leva fotos dos pais para mostrar que é homem de bem

Thailla Torres
Momar saiu de Senegal em busca de um vida melhor para a família. (Foto: Fernando Antunes) Momar saiu de Senegal em busca de um vida melhor para a família. (Foto: Fernando Antunes)

Momar Talla Mbaye, de 32 anos, veio do Senegal em busca de um vida melhor no Brasil. Ao chegar em Campo Grande, há cerca de 15 dias, foi abordado pela Polícia Militar em frente ao Terminal Rodoviário de Campo Grande. Como é rotina, a PM exigiu documentos e aí Momar surpreendeu todo mundo. Antes dos registros pessoais, o rapaz apresentou a foto dos pais, como prova de respeito e garantia de ser um homem de bem.

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A força e o sorriso do senegalês encanta quem o conhece. No Brasil ele já está há dois anos. Deixou a situação de pobreza em que vivia, em busca de recursos que pudessem garantir a sobrevivência da mãe, da esposa e dos dois filhos.

Ainda com dificuldade de falar o português, aos poucos ele conta por onde passou até chegar na Capital. "Vim para trabalhar e parei em Três Lagoas. Trabalhei em duas fábricas", diz orgulhoso mostrando os registros de trabalho.

Após saber que Campo Grande era uma Capital de oportunidades, não teve dúvidas sobre o novo endereço. "Eu vim trabalhar para mandar dinheiro para minha mãe, tenho passaporte e conta bancária. Eu só quero trabalhar", esclarece. 

Momar mostra com orgulho a foto dos pais, como prova de ser um homem de bem. (Foto: Fernando Antunes) Momar mostra com orgulho a foto dos pais, como prova de ser um homem de bem. (Foto: Fernando Antunes)

Como permanecer em um país que não é de sua origem exige burocracias, Omar ainda aguarda para tirar a Carteira de Trabalho na Capital. "Eu só preciso de um emprego, aqui é muito bom e as pessos são boas, mas quero muito trabalhar, porque preciso de R$ 10 mil para buscar minha mãe e meus filhos".

Sobre a fotografia com a imagem dos pai e da mãe que carrega com ele, Momar explica que é maneira de sentir perto e protegido. "Mãe é mãe e pai é pai. Meu pai ensinou respeito e eu nunca fiz nada de errado".

Para ele, ter a foto dos pais é a maneira de mostrar o bom caráter herdado da família. "Quando meu pai morreu, a ultima coisa que falou era pra eu cuidar da minha mãe e por isso eu vim trabalhar", explica sobre a vinda para o Brasil. 

 

O policial militar André Saldanha, se surpreendeu com a força e garra de momar. (Foto: Fernando Antunes) O policial militar André Saldanha, se surpreendeu com a força e garra de momar. (Foto: Fernando Antunes)

Atualmente, Momar dorme na rua, faz amigos por onde passa e come onde dá. Durante alguns dias, chegou a ser levado para o Cetremi (Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante), mas não gostou do que encontrou e decidiu voltar às ruas em busca de um emprego fixo.

A simpatia, a garra e força de vontade de Momar mesmo diante de tantas dificuldades surpreendeu o soldado da polícia militar que abordou o senegalês em frente a rodoviária e acabou emocionado ao ter como resposta as fotos dos pais bem guardadas em uma pasta de plástico.

Depois do encontro, o PM André Saldanha virou admirador. Ele conta que torce pelo novo amigo, um homem de bom coração. "A gente vê que muitos acabam entrando no mundo do crime dizendo que não houve oportunidades e veja só, um rapaz que nem está no próprio país, ao chegar aqui já foi em busca de emprego e uma carteira de trabalho. E vemos que só basta querer."




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