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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

13/03/2016 07:10

Promessa de 30 anos faz avó doar sapatinhos de bebê às grávidas pela rua

Paula Maciulevicius
Irma faz e doa sapatinhos pelas ruas, assim que avista ou ouve falar de futuras mamães. (Foto: Fernando Antunes)Irma faz e doa sapatinhos pelas ruas, assim que avista ou ouve falar de futuras mamães. (Foto: Fernando Antunes)

Dona Irma tem cara de vó. Cabelinhos brancos, óculos redondinhos e nas mãos, um sapatinho de crochê que sempre está à procura de pés que ainda não nasceram. Uma promessa feita a Santo Antônio, 30 anos atrás, faz com que a vovozinha até hoje costure e doe sapatinhos de bebê para futuras mamães que vê pela rua. A abordagem é das mais carinhosas possíveis: "você não me conhece, tenho uma promessa e um sapatinho de bebê. Você aceita?" pergunta.

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Aos 87 anos, dona Irma Maria Bonadia Scieppo, mora com uma das filhas aqui em Campo Grande. Trocou São Paulo pela Cidade Morena há 16 anos, para ficar mais perto da família. Três dias depois da mudança, perdeu o marido de mau súbito e passou a dividir a vida com a promessa feita, filhas e netos.

A promessa surgiu três décadas atrás, quando ela morava em São Paulo e por influência de uma vizinha que fazia roupas para enxoval de mães solteiras. A moradora da casa ao lado perguntou se Irma aceitaria ajudar e ela disse que poderia fazer sapatinhos, na mesma época, crises de labirintite a fizeram recorrer a Santo Antônio. 

Dona Irma e Letícia, mamãe presenteada enquanto espera Sophia, de 6 meses e meio. Dona Irma e Letícia, mamãe presenteada enquanto espera Sophia, de 6 meses e meio.

"Eu sou católica e devota. Fiquei muito adoentada e pedi para Santo Antônio, no lugar, eu ia fazer sapatos. Eu faço de doação, não cobro nada", conta. Nas mãos, um novo está surgindo. Os últimos dois pares tinham acabado de sair, presente para a funcionária que trabalha com uma das netas de dona Irma. "Mas eu posso fazer outro enquanto a gente bate um papo", avisa. Os dedinhos correm entre agulha e lã e no pensamento, vai boas vibrações para quem for calçá-los.

"Eu penso no bebê que vai precisar. Hoje em dia são poucas as mães que usam sapatinhos, são mais aquelas meinhas de malha, não é?", observa. O destino é qualquer mãe que ela veja na rua, com barriguinha aparente ou ainda no início.

"Eu tenho na bolsa, onde encontro uma grávida, eu dou", fala. Quem recebe fica surpreso, como foi o caso de Letícia, que espera Sophia, na foto. Uns dias atrás, foi a conversa na hora de passar as compras no mercado que despertou o gesto.

"Eu estava passando e a menina que embala as compras falava para a do caixa que tinha recebido a notícia de que a tia estava grávida e eu só escutando... Ela disse que a tia tinha aberto o resultado do exame na igreja Santo Antônio, porque era devota. Eu fui, tirei da bolsa e dei a ela. Ela me perguntou quanto me devia, eu disse: a mim? Nada. Agradeça a Deus e a Santo Antônio", relata.

Na semana seguinte, a mesma mocinha reconheceu a senhora e disse que a tia tinha um agradecimento singelo, um beijo entregue na bochecha da avó.

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Os dedinhos correm entre agulha e lã e no pensamento, vai boas vibrações para quem for calçá-los. (Foto: Fernando Antunes)Os dedinhos correm entre agulha e lã e no pensamento, vai boas vibrações para quem for calçá-los. (Foto: Fernando Antunes)



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