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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

19/04/2015 09:29

Publicitária fez do câncer um parceiro de dança e transformou rotina em página

Paula Maciulevicius
Carolina tem 26 anos e depois de tumor, criou páginas para falar do parceiro de dança. (Foto: Fernando Antunes)Carolina tem 26 anos e depois de tumor, criou páginas para falar do parceiro de dança. (Foto: Fernando Antunes)

"Dancing with cancer". A começar pelo nome da página, tanto no Facebook, quanto no Instagram, se percebe a forma como a publicitária Carolina Sawada Torres, de 26 anos, escolheu de encarar a doença. Com um tumor no cérebro descoberto em novembro do ano passado, ela operou no mesmo mês e hoje finaliza o tratamento com sessões de quimioterapia. Pela casa, as perucas indicam que o cabelo caiu, mas o sorriso continua.

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Foi depois de perder o pai, em dezembro de 2012, que Carol passou a sentir dores de cabeça e espasmos nos olhos, mais do lado esquerdo. O que ouviu de todos e passou a se convencer também é de que era apenas emocional, resultado da morte do pai.

Pela casa, algumas de suas perucas. (Foto: Fernando Antunes)Pela casa, algumas de suas perucas. (Foto: Fernando Antunes)

Durante uma conversa com uma amiga médica, Carolina ouviu que poderia ser algo mais e decidiu investigar. Em novembro do ano passado, depois de realizar exames, recebeu a ligação do médico para retornar à clínica. "Ele perguntou se eu podia voltar lá que ele queria confirmar uma coisa. Voltei no mesmo dia e perguntei se tinha algum problema. Ele falou de uma massa muito grande no meu exame e queria confirmar se não era sangramento", recorda a publicitária.

Na tomografia feita ali, o médico disse que sangramento não tinha, mas era para a paciente buscar um neurologista o quanto antes. A família de Carolina sabia dos exames, mas não da gravidade das possibilidades. De encaixe, ela conseguiu uma consulta de urgência com um especialista que constatou que se tratava de um tumor no cérebro e que era necessária a operação.

A família preferiu fazer a cirurgia em São Paulo, com um conceituado neurocirurgião pediátrico. Entre marcar a primeira consulta, retornar com exames e fazer a operação, não se passaram nem 10 dias. "Abriu aqui, de orelha a orelha, tira o tampão e tira o tumor. Ele é da mesma cor e textura do cérebro", descreve Carolina sem o maior receio.

Parte do tratamento da quimioterapia por via oral foi postada nas redes sociais. (Foto: Arquivo Pessoal)Parte do tratamento da quimioterapia por via oral foi postada nas redes sociais. (Foto: Arquivo Pessoal)

As palavras saem com facilidade tanto na hora de descrever, como quando ela tira a toca que cobre os poucos fios de cabelo. Não se percebe vergonha e nem medo da jovem em relação à doença praticamente vencida.

Em janeiro deste ano, depois da primeira sessão de radioterapia, Carolina decidiu que iria expor aos amigos, familiares e também desconhecidos, como estava o tratamento. "Eu queria fazer alguma coisa diferente, um amigo, quando ficava sabendo, me ligava achando que eu estava morrendo. Fiz para desmistificar a doença", explica Carol. "Às vezes me encontram no shopping e me perguntam 'o que você está fazendo aqui?'", repete.

Logo na primeira sessão de radio, a jovem esperava pelo mal estar que todo mundo diz passar. Com ela, foi diferente. Não sentiu nada. O apego aos longos cabelos lisos de pontas encaracoladas a fez cortá-los antes de começarem a cair. Eles viraram peruca, a mais bela da coleção de Carolina.

Para o dia a dia ou festas, Carolina tem sempre uma peruca à mão. (Foto: Fernando Antunes)Para o dia a dia ou festas, Carolina tem sempre uma peruca à mão. (Foto: Fernando Antunes)

A tranquilidade com que encara a doença me faz questionar de onde ela tira essa força. "É só uma dança, vai acabar tudo isso e vou largar esse parceiro", explica. Carol completa dizendo que nunca foi de fazer drama e que o convívio com a doença já vinha de anos. "Meu pai ficou doente por 10 anos do coração, a gente também aprendeu a viver com a doença assim e eu acho que foi isso que eu quis passar, que a pessoa tem vida, não é o fim do mundo", resume.

Carolina fez uma ressonância recentemente que constatou que não há mais nada do tumor. Foram 30 sessões de radioterapia e serão mais quatro de quimioterapia. "Como ele retirou tudo, estou curada. Só que em volta, ficam células cancerígenas, por isso precisa fazer tratamento porque é muito arriscado ainda", completa.

Da dança com o câncer, a publicitária diz que conseguiu extrair muita coisa boa, como a união da família e a proximidade com Deus. "Não tenho nenhuma religião, mas nestas horas não tem ninguém, Deus é fundamental".

A página no Facebook tem 1.746 mil curtidas e no Instagram, 906 seguidores. Os textos são escritos tanto em português como em inglês devido aos amigos que Carolina fez durante seus três intercâmbios pelo mundo.




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