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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

31/08/2015 06:45

Quando a chance de conhecer o mundo apareceu, a vida trouxe outra surpresa

Ângela Kempfer
Angel em tempos de treinamento.Angel em tempos de treinamento.

Angel já foi notícia aqui no Lado B, quando criou canal no Youtube e provou força apesar de entrar para o time dos deficientes físicos com apenas 19 anos. A jovem perdeu uma perda e aproveitou a condição para virar atleta. Mas quando estava com passagem comprada para mundial de Paracanoagem na Rússia, outra reviravolta ocorreu, mudando os planos e exigindo ainda mais determinação. A história ela conta aqui no Voz da Experiência.

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Meu nome é Angel Campos Magalhaes, tenho 22 anos, sou deficiente física e mãe.

Em 2013, aos 19 anos, sofri um acidente de moto que me fez perder a perna esquerda, acima do joelho. Com isso resolvi criar um canal no YouTube para poder compartilhar e receber mais informações sobre esse "meu novo mundo".

Seis meses depois, descobri na Paracanoagem uma maneira de recomeçar. Treinei muito, ganhei alguns campeonatos e conquistei a vaga para um mundial e um Parapan. Cinco meses depois de começar, fui convocada a integrar a Seleção Brasileira de Paracanoagem, em São Paulo.

Me mudei, e lá conheci meu antigo namorado. Faltando 3 semanas para embarcar para o mundial na Rússia, descobri que estava grávida.

Nunca sonhei em ser mãe, depois do acidente isso me parecia algo tão distante. Ainda mais perto de um campeonato tão importante, o qual eu tinha treinado tanto. Foi um susto muito grande, daqueles que te faz repensar tudo. E eu repensei.

Decidi largar tudo: a Paracanoagem, o campeonato, a seleção brasileira que tanto sonhei! Eu não abriria mão daquele filho. Depois de tantas perdas, a vida estava me dando um presente e eu não iria recusar.

Comuniquei à Confederação e, algumas semanas depois, já tinha saído do CT. Primeiro fui para Piraju, morar com o pai e a família dele. O relacionamento não deu certo e resolvi voltar para Campo Grande.

Tive alegrias, tive medos, preocupações. Como cuidar de um bebê sem uma perna? Como meu corpo aguentaria tudo em uma só perna? Foram meses intensos, até que em fevereiro, a minha menininha nasceu.

Resolvi chamá-la de Valentina, afinal, ela já era valente e guerreira. Entrei em um novo mundo, na maternidade. Foi difícil. Meu corpo estava debilitado, por conta da gravidez, por conta da cesariana, mas tudo se adapta, e fomos nos adaptando também.

Dois meses depois voltei à fisioterapia para uso de prótese. Contei com a ajuda da minha família e amigos. Aos poucos, as coisas estão cada vez mais tranquilas.

Cada nova conquista dela é mágica. Cada nova conquista minha é uma vitória. Coisas pequenas para outras mães, para mim são incríveis quando ocorrem. Poder empurrar o carrinho da minha filha, poder segurá-la no colo sem a ajuda de ninguém... a cada dia é uma superação e uma nova alegria.

Voltarei com o canal para poder incentivar outras mães, deficientes físicas ou não. Mostras que tudo depende da gente! Existindo amor e fé, o resto se resolve. E se tudo der certo, aos poucos volto para o esporte também. Quem sabe minha filha não me vê em uma Paraolimpíada no futuro?




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