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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

13/04/2016 07:12

Recordista no altar, padre ensina: amor é cego, mas casar abre rapidinho a visão

Naiane Mesquita
Padre Leandro, da São José, famoso pelas celebrações mais modernas e o discurso sincero com os noivos (Foto: Marcos Ermínio/ Click Start Studio)Padre Leandro, da São José, famoso pelas celebrações mais modernas e o discurso sincero com os noivos (Foto: Marcos Ermínio/ Click Start Studio)

Recordistas em casamentos, com a média de 200 cerimônias celebradas ao ano, o padre Antônio Leandro Ribeiro, 55 anos, não hesita em avisar aos noivos cheios de esperanças de que, talvez, seja melhor adiar o enlace. É o que ele sempre diz. “Dizem que o amor é cego, mas o casamento devolve a visão rapidamente. Então estejam preparados para enxergar o melhor e o pior que o outro”.

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Padre é recordista em casamento, são 200 por ano.Padre é recordista em casamento, são 200 por ano.

O tom bem humorado da entrevista vem fácil. O padre tem o dom de fazer rir, com a sinceridade de quem já viu muita gente subir ao altar. Ao todo, são 20 anos de ofício, percorrendo Campo Grande, Rio de Janeiro e até o exterior, onde estudou. Sem papas na língua, diz que o casal jamais deve deixar a “chama” apagar. Por essas e por outras, conseguiu alguns fãs e até desavenças pelo caminho.

“Muitas pessoas pensam, casei, já peguei o diploma, agora estou formado e não preciso cuidar mais. São Paulo diz que quem ama cuida, quem ama marca território, zela, protege, está junto, a rotina do dia a dia e a distância engole muito casamento. Essa história de cada um para um lado não dá. Costumo sempre dizer para eles, vocês vão casar, agora a vida de solteiro fica para trás”, acredita.

Mesmo com o jeito descontraído de transmitir a mensagem, o padre Leandro tem uma autoridade nata, de quem está a frente da Igreja São José há mais de quinze anos e é juiz do processo de nulidade de casamento. Talvez por receber tantas solicitações de desfazer enlaces tenha adquirido coragem para dizer quando é melhor pular fora.

“Quem vê de fora as vezes vê melhor. Tem pessoas que eu vejo e até pergunto, você tem certeza que vai se casar mesmo. Está escrito na cara que não vai dar certo, o casal não tem nada em comum. Na entrevista um gosta de ir ao baile, outro prefere futebol. Esses dias um noivo saiu bravo, mas eu falo, é melhor você sair bravo e até me odiar do que amanhã ou depois dizer que o padre teve a oportunidade de abrir meus olhos e não tentou”, acredita.

Para ele, vale também ouvir os pais ou os amigos. “O alimento do amor é o relacionamento. Mas, com a modernidade, as provações, eles precisam se adequar, principalmente em questão de companheirismo, de ciúmes, de cumplicidade. Duas pessoas se tornarem uma só carne, morre o eu e nasce o nosso. Porque o que atrapalha hoje é justamente a separação, estou casando com você não com seus bens. Casando ou não, você leva a família de bandeja, você entra na história da pessoa, sua mãe não gosta de mim, mas eu estou casando com você, raramente isso dá certo”, argumenta.

O sacerdote lembra que na Igreja Católica apenas em casos de compulsão, em que a fidelidade é impossível, abuso de drogas ou homossexualidade, por exemplo, o casamento pode ser anulado, então é melhor observar antes de subir ao altar. “Trai a pessoa uma, duas, três vezes, a pessoa é compulsiva, não adianta perdoar, que ela vai fazer de novo. Questão do homossexual, as vezes está escrito que a pessoa é homossexual, mas a mulher não viu, você percebe, as pessoas percebem, mas não acredita, depois que casa vai perceber que o marido é homossexual ou a mulher é homossexual, tem a nulidade, como vai prometer aquilo que não tem para dar, tem gente que casa para mascarar, para esconder a situação sexual”, indica.

Por isso que na hora do casamento, o padre faz de tudo para o sermão ser parecido com os noivos, mas também atingir os casais que estão nos bancos assistindo a cerimônia. Vale falar do ciúmes excessivo, do uso sem restrição do celular, onde a família e o cônjuge ficam de lado. “O próprio ritual de cerimônia do casamento, as leituras falam sobre a vida a dois, a constituição, cabe ao padre justamente fazer uma celebração voltada aos noivos e tocar o coração de quem está participando porque tem muitos casais, muitos noivos. A palavra de Deus é atual”, acredita.

Para quem duvida, uma última mensagem do padre. “O que Deus uniu nem o capeta separa,
mas o que o capeta uniu a vida separa logo, logo. Porque os olhos se abrem”, ri.




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