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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

27/10/2014 06:25

Sapataria de 1968 vai fechar, mas mantém o mistério sobre motivo do nome

Aline Araújo
Mario sempre está sorrindo. (Foto: Marcos Ermínio) Mario sempre está sorrindo. (Foto: Marcos Ermínio)

Como ela era? O que aconteceu? Mas foi uma história de amor né? As perguntas não têm respostas detalhadas. Mas o dono garante que o nome da sapataria "Love Story" surgiu de um romance aos 16 anos. Mário Ramão Benites, hoje com 72, não fala muito sobre o tal "amor" que inspirou o batismo de uma das mais antigas sapatarias de Campo Grande, com as portas abertas desde 1968 na Antônio Maria Coelho, entre 14 de Julho e Calógeras. Aos poucos, isso foi virando marketing para atrair clientes.

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A loja é pequena, com a fachada antiga pintada em azul royal. Dentro, uma placa presa ao balcão avisa que uma “Love Story” deu nome ao estabelecimento. A inspiração não veio do filme, clássico que só foi lançado em 1970 e tornou a frase ainda mais conhecida. Também não foi música, nem poesia... aconteceu mesmo, jura o proprietário, mas virou mistério guardado e colado no coração do sapateiro. “Melhor nem contar que é perigoso dar divórcio”, brinca.

Não sei se foram as boas lembranças, o trabalho feito com paixão ou a vida bem vivida, mas ele não aparenta ter mais de meio século. Conversa com um sorriso de quem tem orgulho da vida que leva. Conta com alegria os detalhes da trajetória que trilhou até aqui. “Sabe quando um vaso quebra? E você tem que colar cada pedacinho e dar uma pintura nova? Meu trabalho é assim e é gratificante ver o sapato saindo daqui novinho. É muito gostosa essa sensação, eu amo o que eu faço”, resume.

O salão é azul e fica no meio da quadra.  (Foto: Marcos Ermínio) O salão é azul e fica no meio da quadra. (Foto: Marcos Ermínio)

Aos oito anos, Mário começou como aprendiz em uma fábrica de sapatos. "Naquela época podia", explica. Aos 12, já era um profissional. Ficou na fábrica até os 18, quando entrou para o serviço militar. Um acidente o obrigou a abandonar a farda e voltar para antiga rotina de sapateiro. Foi quando abriu a “Love Story”, em parceria com um irmão já falecido.

E o nome diferenciado já atraiu muitos clientes, principalmente os que ainda consultam as páginas amarelas da lista telefônica. “Muita gente vem aqui só por causa do nome. Sapataria, ou chama Nossa Senhora Aparecida ou Santo Antônio. Ou é de santo, ou é do nome do dono. É difícil ter nome fantasia”, comenta.

Ele também foi arbitro de futebol, "o primeiro sul-mato-grossense a apitar jogos do campeonato brasileiro", afirma. Assim conheceu boa parte do País. E em uma das voltas que o mundo dá, conheceu a atual companheira, com quem é casado há 37 anos.

Mário começou a trabalhar com os sapatos ainda na infância.  (Foto: Marcos Ermínio) Mário começou a trabalhar com os sapatos ainda na infância. (Foto: Marcos Ermínio)

Com a esposa Marilene, viveu muitas histórias. Juntos, os dois se converteram à religião batista e mudaram o estilo de vida para respeitar os dogmas da igreja. Até criaram uma dupla gospel, a "M e M", para louvar em eventos.

Mas apesar de um amor tão firme, quando se conheceram a Love Story já existia. “Todo mundo me pergunta o porquê do nome. Mas a minha esposa mesmo, nunca perguntou nada. Ela é muito discreta, mas também nem tem porque perguntar, o passado a gente deixa no lugar dele”, reforça.

Em março, a sapataria vai fechar. Mário já decidiu que é hora de descansar e o que ele mais quer é viajar. Conhecer os lugares que ainda não conhece e retornar a alguns que já visitou. “Vou parar, conheço o Brasil de Leste a Oeste, mas quero conhecer mais”, explica.

Só lamenta que os sobrinhos para quem ensinou a profissão não tenham pegado gosto pelo negócio. “Eles querem ser funcionários públicos, fazer o que?”, diz. Por isso, o serviço está com os dias contados e um bocado de clientes vai perder o ponto de conserto de calçados.

Antes de ir embora ainda insisto: Mas a história do nome o senhor não vai contar mesmo? Em meio a um sorriso ele responde: “Vai morrer comigo”.

 




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