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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

27/11/2014 06:12

Sem emprego, crente e moderninha acham que motivo é saia longa e cor do cabelo

Paula Maciulevicius
Aos 20 anos, Jéssica Padilha é formada em Técnica em Enfermagem e está em busca de trabalho na área. (Foto: Arquivo Pessoal)Aos 20 anos, Jéssica Padilha é formada em Técnica em Enfermagem e está em busca de trabalho na área. (Foto: Arquivo Pessoal)

De cabelo roxo ou saia no joelho, os extremos da aparência ou personalidade têm o mesmo peso e a mesma medida quando pautados no preconceito, garantem duas jovens desempregadas. Dois exemplos estampam que o sentimento não tem cara.

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Na hora de encontrar emprego, nem a estilosa com o cabelo roxo e nem a crente de saia no joelho conseguem passar da fase de entrevistas. A justificativa, segundo elas, é que cor ou o fato de não usar calça, não se enquadram dentro do que as empresas procuram. Será? 

Aos 20 anos, Jéssica Padilha é formada em Técnica em Enfermagem e está em busca de trabalho na área. "Aí no primeiro momento, quando você vai procurar emprego e entrega o currículo, já te olham só pela cor do cabelo", conta. O colorido atualmente é um tom de roxo escuro.

"De rótulo já acham que você não é capaz, que não vai servir para aquela função ou que vai pedir demissão na primeira semana. Vou para entrevista quando aceitam o meu currículo, mas me olham e acham que eu vou ser irresponsável", explica Jéssica.

Atualmente, a cor roxa do cabelo é o que tem atrapalhado. (Foto: Arquivo Pessoal)Atualmente, a cor roxa do cabelo é o que tem atrapalhado. (Foto: Arquivo Pessoal)

Por vezes, ela descreve que não chegou nem a falar sobre suas qualidades, experiências e o que sabe fazer. "Eles inventam mil desculpas, por mais que o meu currículo seja o que estão pedindo, só respondem que talvez vão me ligar ou que fica para uma próxima".

O fato de não ter uma aparência dentro do convencional também foi explícito. "Já me disseram: não vou te contratar. Você não é adequada, seu cabelo não é um bom exemplo", recorda. Ela tentou rebater, dizendo que mudaria a cor e se enquadraria nas regras, mas ouviu outro não. "Me disseram: você não vai levar nada a sério, seu cabelo não impõe uma aparência séria. Procura outro..."

O cabelo é pintado desde a adolescência, mas a resistência por parte das pessoas surgiu há 3 anos, depois de ingressar no curso de Enfermagem. "Eu gosto muito do meu estilo, mas tenho 20 anos, estou formada e preciso trabalhar e tenho que mudar e me adequar ao que sociedade quer". Como já procura alguma vaga há 1 mês, terá de rever a aparência para ver se é só isso mesmo que falta.

"As pessoas preferem contratar alguém 'normal', que todo mundo vai chegar e aceitar aquela pessoa", resume.

Evangélica, a segunda personagem não consegue emprego por só usar saia. (Foto: Marcos Ermínio)Evangélica, a segunda personagem não consegue emprego por só usar saia. (Foto: Marcos Ermínio)

Extremo - Evangélica da Igreja Deus é Amor, a segunda personagem prefere não se identificar. Com 23 anos, tem experiência em vendas e auxiliar de escritório, mas há quase 1 ano procura uma oportunidade em alguma empresa que não se oponha ao simples fato: de que ela não usa calça.

"Na maioria das vezes, eu passo por isso. Geralmente nos lugares o uniforme é a calça, na entrevista eu já aviso sou evangélica e me falam que só podem aceitar pessoas com calça", pontua. A jovem chegou a rebater dizendo que a saia é comprida, mas nem tanto, um pouco abaixo do joelho e que o trabalho exigia dela ficar só sentada, ninguém nem iria vê-la atrás de um balcão.

"Eles dão desculpas, é um pretexto para não te contratar. Mas isso não impede a pessoa de ser profissional, pontual, responsável, não é verdade? O preconceito é a pior coisa que tem e não é só com religião, com tamanho, cor de cabelo, raça. É uma coisa que tem que mudar muito ainda". 

Da entrevista, ela não passa para outras etapas. (Foto: Marcos Ermínio)Da entrevista, ela não passa para outras etapas. (Foto: Marcos Ermínio)



Um grande problema hoje em dia, é que as pessoas esquecem de que os nossos usos e costumes são nossos, e as empresas tem suas exigencias e isto não significa preconceito ou conceito, o perfil que a empresa precisa o candidato é que tem que se enquadrar e não a empresa se enquadrar ao candidato e dai vem a confusão de conceitos distorcidos.
 
francisco damacenosobrinho em 27/11/2014 10:15:48
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