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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

13/06/2016 07:20

Sem TV em casa e com cabelo azul, idade a libertou para ser o que quisesse

Thailla Torres
Terezinha acredita que todos podem fazer as próprias escolhas, desde que elas não reclamem.(Foto: Alcides Neto) Terezinha acredita que todos podem fazer as próprias escolhas, desde que elas não reclamem.(Foto: Alcides Neto)

Aos 61 anos, Terezinha Bavaresco é o exemplo de mulher que lida muito bem com a chegada da idade e não tem medo de ser feliz com as escolhas que fez na vida. Os cabelos azuis chamam atenção e provam, mesmo sem que ela precisasse provar algo, que mulher tem o direito e o dever de fazer o que ela bem entender. A maturidade serviu de libertação ainda maior, para que seguisse adiante, contrariando convenções sociais.

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Natural de Garibaldi, no Rio Grande do Sul, chegou a Campo Grande em 1989 pensando na vida mais tranquila, longe da violência que já presenciava por morar em Porto Alegre. Trabalhou em agência bancária por anos, se aposentou e hoje se dedica aos livros e a viver a vida da maneira que lhe faz feliz.

A escolha do cabelo azul é uma resposta autêntica à sociedade que não aceita a própria idade.

Terezinha gosta das cores, os primeiros fios brancos apareceram aos 17 anos e de lá pra cá sempre gostou de pintar os cabelos. Mas nunca deixou de amar o grisalho. Até pouco tempo, a cor branca predominava na cabeça, mas de tanto falarem, ela decidiu radicalizar.

“Eu usei até pouco tempo o cabelo grisalho. Porém, vem a sociedade e te massacra. Eu tenho que parecer jovem e não posso ter a minha idade. Dizem para colocar botox na cara, fazer retoques, passar maquiagem para esconder a velhice..”, reclama sobre o que vê e ouve por aí.

Sem a menor paciência para fazer o que só os outros acham correto, ela tem os dois pés na rebeldia. “É bom ser velha, isso não é um problema, tenho autonomia e me cuido. Aí me enchem o saco para pintar o cabelo, então eu pinto. Mas daí de roxo ou azul”, comenta mostrando um frasco de Azul de Metileno. O produto é vendido em farmácias, contém menos química, e por isso é ideal, já que Terezinha é alérgica a tinturas de cabelo. 

Ela não é casada, não tem filhos, é apaixonada pelos livros, se dedica a aprender, buscar conhecimento e o brilho nos olhos não nega a felicidade de falar sobre o que acredita.

Sem aparelho de TV em casa ou perfil no Facebook, Terezinha não é do tipo de pessoa influenciável. “Não gosto e não tenho paciência para ficar na frente de uma televisão. Eu quero ler e é isso que eu absorvo. Aquela imagem da televisão me incomoda muito”, explica.

A decisão de largar a TV ocorreu há 4 anos, no período das Olimpíadas. Ela conheceu uma família que desejava acompanhar os jogos e decidiu doar a televisão para quem fosse realmente utilizar. “Eu disse que tinha uma TV em casa e nem a família estava acreditando”.

As escolhas e as viradas na vida de Terezinha vieram a partir dos 40 anos. Até então, assume, talvez tenha se importado com o que as pessoas falavam. Chegada a maturidade, ficou evidente que estava na hora de praticar a própria lógica de viver. “As pessoas são passionais e é mais fácil você obedecer as ordens, para não existir conflito. A partir do momento que você não obedece as ordens sociais, é como se você não tivesse cumprido o seu papel social”, argumenta.

Viver sozinha surgiu com uma necessidade ainda cedo, quando ela perdeu o pai e a mãe.

Aprendeu com a vida, a trilhar o caminho segurando nas próprias mãos. Não gosta de receber visitas em casa, o lugar onde vive é seu recanto e um momento de paz. Mas tem alegria em conhecer, conversar e encontrar as pessoas, seja aonde for.

O fato de andar só deixa os outros curiosos, mas ela afirma que isso não lhe incomoda, a menos que alguém insista em invadir a sua privacidade.

“Por exemplo: se eu vou em um casamento e me sento na mesa sozinha, as pessoas acham que tem que preencher meu espaço e isso é muito desagradável. Não significa que eu queira uma companhia. Mas essas cobranças eu sei lidar muito bem, porque a partir do momento que eu fiz as minhas escolhas, eu também lido com as consequências”, explica.

Ela cortou da vida algumas reações que sempre a perturbaram, como a tentativa do ser humano em responsabilizar o outro pela própria infelicidade. “Vejo que muitas pessoas estão casadas e passam um vida reclamando dos filhos ou do marido. Mas porque estão casadas? Ela vivem responsabilizando o outro pela própria infelicidade, quando na verdade é uma escolha dela”, finaliza. 

Sobre o interesse do Lado B na entrevista, Terezinha questionou se não havia temas mais relevantes por aí, sem se dar conta de que o importante para nós é inspirar pessoas.

 

 




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