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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

11/12/2012 07:48

Sete dias na semana, ele vive de acertar os ponteiros na rua

Ângela Kempfer
Avelino em uma segunda-feira de trabalho. (Fotos: Rodrigo Pazinato)Avelino em uma segunda-feira de trabalho. (Fotos: Rodrigo Pazinato)

O nome dele é o mesmo de joalheria famosa na cidade: Avelino. Mas a vida é bem dura no ofício de acertar os ponteiros alheiros, de domingo a domingo, sem folga.

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Na rua Spipe Calarge, a banca na rua movimentada tem uma faixa com o anúncio “Relojoeiro”. Só a cena já é digna de registro, pela diferença na paisagem. A função do senhor de 60 anos faz a história valer ainda mais em tempos de descarte fácil.

A banquinha de Avelino é bem pequena, também com alguns “serviços” extras, para os que têm uma “fezinha” no jogo.

Mas o trabalho mesmo é com os relógios. Pelo menos na manhã de segunda-feira, quando Avelino é incomodado pelo Lado B. A primeira imagem é do relojoeiro compenetrado, de olhos e mãos em um modelo novo que precisa de regulagem.

Pelo local, todas as prateleiras, pregos ou parafusos dispostos a receber algum objeto, exibem relógios de pulso, de parede e de mesa.

Há peças há cerca de 5 anos ali, abandonadas. A maioria é modelo antigo, de mais de 20 anos, “fora de moda”. “Ninguém dá muita importância porque hoje é muito mais fácil comprar outro”, explica Avelino.

Até no pulso dele o relógio é paraguaio, outra vantagem em relação ao conserto. “É muito barato quando vem do Paraguai”, lembra.

Tem dias que não aparece ninguém, mas em outros surgem 5, 6, até 8 pessoas querendo ajustar a pulseira, trocar a pilha...

Pelo serviço, Avelino cobra em média R$ 5,00 e assim vai vivendo longe dali, no Jardim Noroeste, onde vive com a esposa e os dois filhos.

Antes, ele viajava por aí comprando e vendendo semi-jóias. As viagens ficaram caras, passou a não compensar e por frequentar muitas relojoarias ele resolveu abrir o negócio. Montou a banca em um terreno baldio em 2007 e até agora não foi incomodado.

Todos os dias o relojoeiro chega às 8h e volta para casa às 17h, só nos domingos sai mais cedo, às 12h. A rotina não tem data para acabar, porque nem a aposentadoria em 5 anos deve deixar Avelino em casa. “Enquanto as mãos funcionarem, vou ter de trabalhar para viver”, explica.

Banca fica na Spipe Calarge.Banca fica na Spipe Calarge.



BOM EXEMPLO.
 
HUMBERTO TADEU BORGES DANIEL ARAUJO em 11/12/2012 17:41:43
Que coisa boa, ver uma pessoa ja idoso trabalhando e feliz, enquanto tem muitas pessoas jovem que não quer trabalhar... Esta de parabens Sr. Avelino, tudo de bom!!!!!!
 
NOEMI PEDRO em 11/12/2012 11:12:50
Parabéns ao seu AVELINO pela bela profissão,meu pai também é relojoeiro seu Jorge Fraiha, há mais de 60 anos,hoje ele está com 85 anos e ainda exerce a profissão .
 
ana otávia silva em 11/12/2012 10:50:48
Passo por ali todos os dias e sempre vejo essa banquinha. É realmente muito interessante ver que esse tipo de trabalho ainda persiste, firme e forte, dentro da cultura de descarte. Desejo excelentes dias ao senhor Avelino.
 
Fernanda Lins em 11/12/2012 08:21:58
imagem transparente

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