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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

12/08/2015 06:21

Sobre os venenos e maldades que encontro espalhados em comentários por aí

Mariana Monge
Cada um oferece aquilo que tem e que cultiva dentro de si, mas também é lembrado por aquilo que oferta.Cada um oferece aquilo que tem e que cultiva dentro de si, mas também é lembrado por aquilo que oferta.

Sempre antes de escrever, gosto de revirar os sentimentos que guardo dentro de mim, para saber qual está pronto para eu exteriorizar. E isso é um baita exercício. Quando a inspiração demora a chegar, começo a buscar lembranças, para ver se encontro algo que "valha a pena ver de novo". E em uma dessas buscas, relendo textos antigos meus, tropecei em um no qual haviam dois comentários de leitores. O primeiro trazia uma mensagem de conforto e coragem. O outro, um discurso áspero e arrogante.

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Ao ler o primeiro, abri um sorriso voluntário. Não era vaidade, mas sim um sentimento de alegria em perceber que cheguei ao coração de alguém. Mas o sorriso deu uma murchadinha quando cheguei ao segundo comentário. E também não era uma questão de vaidade, mas de desconforto em perceber a necessidade de diminuir o próximo.

"Ah, Mariana, beirando os 30 e você ainda não aprendeu a receber críticas, menina?"

Não é nada disso! Criticar é bem diferente de menosprezar. Tenho a impressão que muitas pessoas precisam falar mal na mesma proporção que precisam respirar. E o que é pior, na maioria das vezes sem embasamento algum. Digo isso não apenas por comentários em textos meus (pois este não foi o único), mas também por várias palavras amargas deixadas diariamente em textos de outros autores.

Somos obrigados a gostar e concordar com tudo o que lemos? Com certeza não. Só que também não temos o direito de, por isso, ofender as pessoas ou diminuí-las. E isso se estende a várias outras áreas de nossa vida. Até me arrisco a afirmar que em muitos casos são essas asperezas que envenenam os relacionamentos.

Percebo, por aí, a necessidade de algumas pessoas em colocar as limitações do outro embaixo de holofotes. Juro que não entendo isso. É uma violência verbal sem escrúpulos e sem sentido de existir. E a situação é ainda pior quando as ofensas (camufladas de críticas) são direcionadas àqueles tão próximos de quem destila o veneno (pois pra mim, nada mais é do que pura maldade). 

Não gostou? Então vira a página. Quer se expressar? Faça isso com delicadeza e respeito. Na dúvida, coloque-se no lugar do outro, pense em como gostaria de receber uma mensagem (seja ela escrita ou falada). Não espalhe desamor gratuitamente por onde você passar. Cada um oferece aquilo que tem e que cultiva dentro de si, mas também é lembrado por aquilo que oferta.

*Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Outros textos na página Mariana Monge.




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