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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

24/08/2016 14:20

Sozinho na Santa Casa após três aneurismas, Tomaz só quer reencontrar o filho

Naiane Mesquita
Tomaz está internado há 15 dias na Santa Casa (Foto: Alcides Neto)Tomaz está internado há 15 dias na Santa Casa (Foto: Alcides Neto)

Aos 66 anos, o aposentado Tomaz Ramão Franco se esforça ao máximo para inclinar o corpo e ficar sentado. O lado direito, recém paralisado por três aneurismas, não responde tão rápido aos comandos como antes, mesmo assim, ele consegue se manter nesta posição durante a entrevista. O esforço só tem um objetivo para ele, encontrar o filho com quem perdeu o contato há um ano, deixar finalmente as desavenças de lado e buscar uma forma de reunir a família.

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Tomaz perdeu os movimentos do braço direito (Foto: Alcides Neto)Tomaz perdeu os movimentos do braço direito (Foto: Alcides Neto)

“O primeiro derrame que eu tive faz um tempo. Fui no posto e eles me liberaram. Depois, tive o segundo, fiquei uma semana no Hospital Regional. Então, sai e vim andando para a Santa Casa. Tinha que fazer uma cirurgia, mas quando cheguei tive o terceiro. A boca foi ficando torta”, relembra.

O último derrame aconteceu há quinze dias e desde então, Tomaz está sozinho na Santa Casa. Não há informações sobre parentes ou até mesmo o filho que ele tanto procura. Apenas os colegas de trabalho o visitaram para saber seu estado de saúde. Da família, ninguém pediu por notícias.

Tomaz nasceu na cidade de Antônio João, mas cresceu e viveu a vida toda em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. Trabalhou em lavouras até receber a oportunidade de reencontrar o filho, Marcos Oliveira Franco. “Era em um programa de televisão. Fazia 22 anos que eu não via meu filho. A gente morava em Ponta Porã, teve um desentendimento com a mãe dele e ela veio embora com ele criança de colo para Campo Grande. Eu vim atrás, mas ela se escondeu, não quis mais falar comigo. Nunca mais nos vimos. Eu larguei tudo em Ponta Porã para encontrar meu filho de novo”, diz.

Esse reencontro há quase dez anos foi tranquilo. Tomaz morou com o filho e os netos até que outra desavença separou a família. Sobre isso, ele não quer falar. “Eu ainda estou muito magoado. Morava com meu filho, tenho dois netos meninos e uma netinha. Agora faz um ano que eu não vejo mais meu filho. Ele se mudou e eu não tenho notícias. A minha ex-mulher falou que também não tem conversado com ele”, justifica.

Tomaz procura a família desde que começou a sofrer os aneurismas (Foto: Alcides Neto)Tomaz procura a família desde que começou a sofrer os aneurismas (Foto: Alcides Neto)

Tomaz não sabe mais o que fazer. “Eu deixei tudo em Ponta Porã para vir para cá, meu emprego, minhas coisas, para ficar perto do meu filho. Fiz um cartão de crédito para que eles pudessem comprar as coisas. Com 60 anos, eu nem sabia o que era cartão de crédito. Agora meu nome está sujo, eu nem posso comprar medicamentos, ganho uma aposentadoria e trabalhava vendendo picolés. Só ao aluguel da casa é R$ 400,00, está muito difícil”, acredita. 

O aposentado trabalhava e morava no bairro Nossa Senhora das Graças. Foi socorrido pela empresa onde ele fazia os bicos como picolezeiro. Da história de Tomaz ninguém sabe precisar, apenas que ele sempre viveu no bairro. “Eu nem deveria estar trabalhando porque tenho uma sequela de um problema nas pernas, mas era o jeito. Agora tudo que eu quero é me recuperar, ficar bem, sair daqui, tentar trabalhar e encontrar meu filho”, acredita.

Quem tiver alguma informação sobre o paradeiro da família de Tomaz, pode entrar em contato com a Santa Casa pelo telefone (67) 3322-4039. 




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