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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

18/10/2014 08:00

Taxista tem a gentileza como maneira de levar a vida e fidelizar clientes

Aline Araújo
Edvaldo assina recibo, antes da despedida. (Foto: Aline Araújo)Edvaldo assina recibo, antes da despedida. (Foto: Aline Araújo)

Gentileza. Essa característica poderia muito bem separar a humanidade entre pessoas que tem ou não. Sem julgar, cada um tem uma história e carrega consigo as marcas dela, cada um tem uma modo de enxergar a vida, tem gente que leva ao pé da letra a música de Cartola e leva a vida a sorrir. E o jornalismo às vezes nos possibilita a oportunidade de conhecer pessoas assim, como Edivaldo Gonçalves, de 52 anos.

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Ele é taxista, trabalha rodando pela madrugada em Campo Grande, nos conhecemos quando eu estava indo fazer uma matéria. Edivaldo me recebeu com um sorriso. O trajeto cruzando a cidade, serviu para uma conversa e tanto.

Edivaldo escolheu trabalhar à noite por considerar o trânsito mais tranquilo e os clientes mais animados, sem estresse. “Eles geralmente estão saindo ou indo para uma festa. Na maioria das vezes de bom humor. Eu gosto de gente simpática que gosta de conversar, mas se entra e fecha a cara, eu respeito também”, argumenta.

Motorista há 24 anos, já trabalhou em Corumbá por um tempo, mas decidiu voltar às ruas da Capital, que ele considera menos perigosas e mais divertidas durante a madrugada. “Eu já fiz amizades trabalhando e é disso que eu mais gosto. Conhecer pessoas”, pontua.

Simpático e atencioso, brinca para deixar o passageiro à vontade. Se a pessoa não for demorar, ele espera com o taxímetro desligado. Parece coisa banal, mas para quem costuma usar táxi na cidade, não é gentileza que se encontra em qualquer esquina. O diferencial está no zelo com o cliente, que é tratado como um amigo novo.

“Também sou passageiro, quando vou no centro com a minha família a gente pega táxi, e eu não gosto quando entro e o motorista tá sisudo sério, não dá um sorriso, a gente tem que ser bacana com todo mundo”, ensina.

Nesse tempo, além das amizades, ele já viveu muitas histórias inusitadas. “O pessoal fala muita bobeira e a gente ri muito”, comenta.

Ele já parou em ponto de prostituição, levou os passageiros em um beco e ficou aguardando, para sabe-se lá o que. Também há história de passageiros em busca de conforto, que paga altos preços para corridas inimagináveis, como até Corumbá, pela bagatela de R$ 900,00.

E nessa de receber, Edivaldo aprendeu uma lição. “Uma vez um bêbado entrou no carro e a corrida dele deu R$ 39,70. Eu falei para arredondar para R$ 40,00. Ele ficou bravo disse que eu queria roubar 30 centavos dele. Foi engraçado, mas depois disso eu nunca mais quis arredondar nada na vida”, lembra.

O taxista passou por apertos, certa vez foi assaltado e viveu uma aventura. “Eu estava em um ponto na frente do Rancho do Cowboy, que já fechou, e dois rapazes entraram no carro e pediram para eu levar eles para o outro lado da cidade. No meio do caminho, anunciaram uma assalto. Eu vi que eles não estavam armados, estavam colocando o celular por baixo da camiseta. Quando estávamos chegando em uma rua deserta eu deu um cavalinho de pau e saltei do carro, eles vieram atrás, a gente brigou. Depois eles foram embora e eu fui para a policia fazer um Boletim de Ocorrência” conta. No final, nada de ruim aconteceu, tudo virou mais um história para contar.

Conversador e com um riso frouxo, ele afirma que não adianta se irritar, que acredita que fazer amizade é o melhor da carreira que escolheu. A viagem acabou, eu contei para ele que ia fazer um texto sobre a sua simpatia, ele riu e deu autorização. Edivaldo é o tipo de pessoa que alegra a noite dos que encontram com ele. Assim como aquele motorista do ônibus gentil, ou aquele cobrador que sempre te espera com um boa noite.

 

Taxista tem rotina de trabalho à noite. (Foto: Aline Araújo)Taxista tem rotina de trabalho à noite. (Foto: Aline Araújo)



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