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Campo Grande, Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

25/06/2016 07:05

Tear é marca registrada da vó Angelina, que aos 105 anos só faz o que quer

Paula Maciulevicius
Em abril, dona Angelina completou 105 anos confirmados na Certidão de Nascimento. (Foto: Alcides Neto)Em abril, dona Angelina completou 105 anos confirmados na Certidão de Nascimento. (Foto: Alcides Neto)

A máquina de costura e as três colchas feitas para cada um dos filhos aos 96 recepcionam os convidados que chegam para celebrar mais de um século de vida. Vó Angelina tem de felicidade o mesmo que de idade. Em abril ela completou 105 anos - confirmados na Certidão de Nascimento - mas a festinha só pode acontecer agora em junho. 

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Nascida na cidade de São Lourenço, no Rio Grande do Sul, ela veio para cá aos 6 anos de idade, para a região Sul do Estado, junto dos pais. A família foi umas colonizadoras que se firmaram entre Iguatemi e Amambai. No segundo município é que dona Angelina se casou e constituiu família.

Mãe de três filhos, avó de sete e bisavó de outros seis, no final da década de 80, depois de ficar viúva é que ela se mudou para Campo Grande, para viver junto da filha caçula, Maria Leda. As costuras vieram junto e a personalidade dela, também.

As colchas que viraram decoração foram feitas pela avó, aos 96 anos. (Foto: Alcides Neto)As colchas que viraram decoração foram feitas pela avó, aos 96 anos. (Foto: Alcides Neto)
Máquina de costura que dona Angelina usou até os 98 anos. (Foto: Alcides Neto)Máquina de costura que dona Angelina usou até os 98 anos. (Foto: Alcides Neto)

"O que eu aprendo com ela até hoje? A ter personalidade forte. Ela não faz o que não quer. Manda e me trata como filha até hoje", descreve a professora Maria Leda Pinto, de 66 anos. Ela é a filha que tem o "privilégio" como define, de conviver com dona Angelina.

O ritual em casa é sempre o mesmo. Levantar cedo, tomar chimarrão, o café da manhã e uma sonequinha que vai até perto do almoço. À tarde, fisioterapia e assistir televisão. Os exercícios e a força de vontade de viver da bisavó é o que lhe distanciaram até hoje da cadeira de rodas. "E ela tem um bom humor! Gosta de piadas, fábulas. Ela se lembra da moral da história, sabe?" exemplifica a filha.

Se Maria Leda não tem nada previsto na rua, precisa ainda assim, sair de casa. Dona Angelina adora passear de carro e pelo menos uma voltinha no bairro precisa dar. "Ela nunca foi de falar: 'tô velha' ou de morte. Sempre teve perspectiva de vida", revela a caçula.

Os três filhos Os três filhos
E parte dos seis bisnetos. (Fotos: Alcides Neto)E parte dos seis bisnetos. (Fotos: Alcides Neto)
Pietra fala da alegria de saber que bisavó viveu tudo o que ela estudou. (Foto: Alcides Neto)Pietra fala da alegria de saber que bisavó viveu tudo o que ela estudou. (Foto: Alcides Neto)

A filha já falou demais por quem sabe dizer tão bem de si e da vida que levou. Dona Angelina conversa com o Lado B enquanto fica sentadinha esperando as fotos. Perguntei a ela por que acredita que tenha vivido tanto, a resposta é quase um agradecimento.

"Eu fui muito feliz, graças a Deus. Não me faltou nada", diz Angelina Oliveira Pinto. A mãe fez as colchas - que estão na decoração - aos 96 anos, para ficar de lembrança aos filhos e eles passarem adiante. "Para ficar para eles, sabe? Ficar, ficar e apreciar..."

Se o segredo da felicidade é o chimarrão diário? Ela ri e diz que a resposta está em "não fazer mal a ninguém e também ninguém fez a mim. Eu vivi muito bem e vivo até agora".

Para uma das bisnetas do meio, é essa simplicidade que Pietra da Silva Souza, de 17 anos, aprende com ela até hoje.

"Ela nunca precisou de muita coisa para ser feliz. E quando eu penso que todas as coisas que eu aprendi na escola, as guerras mundiais, do Paraguai, ela passou por tudo. Chegar aos 105 anos significa força de vontade", resume a estudante.

"Até quando eu quero viver? Até quando Deus quiser", diz a aniversariante.

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Eu fui muito feliz, graças a Deus. Não me faltou nada, diz Angelina Oliveira Pinto. (Foto: Alcides Neto)"Eu fui muito feliz, graças a Deus. Não me faltou nada", diz Angelina Oliveira Pinto. (Foto: Alcides Neto)



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