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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

05/01/2016 06:34

Tem cacique com ensino superior em aldeia cada vez mais próxima da universidade

Naiane Mesquita
Cerimônia de posse de Célio reuniu líderes indígenas (Foto: Giselli Figueiredo)Cerimônia de posse de Célio reuniu líderes indígenas (Foto: Giselli Figueiredo)

Célio Fialho é filho de cacique. Na infância aprendeu a observar o pai tomar as decisões em benefício de toda a comunidade. Aos 32 anos, ele decidiu seguir o caminho da família e se candidatar ao cargo na Aldeia Bananal. Terena, formado em Licenciatura Intercultural Indígena, do programa Prolind, Célio é um dos poucos líderes indígenas que tem ensino superior.

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“Aqui na região de Aquidauana acredito que sou o único, não sei em outras regiões”, afirma. Essa experiência na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) foi decisiva para a carreira do cacique, que se viu entre duas escolhas, seguir o caminho político ou lecionar.

“Tive a oportunidade de lecionar, surgiu essa proposta. Estamos estudando na aldeia. Minha mulher também estudou, é professora, meus vizinhos, alguns patrícios da aldeia estão indo para a academia. Tem uma senhora agora que passou no Enem, pelo Sisu conseguiu uma vaga na Universidade Federal. O nosso desejo é esse, trazer a universidade para dentro da aldeia”, acredita.

Eleito pela maioria em eleição direta na aldeia, Célio diz que o cargo de cacique não é diferente de um prefeito ou governador. “Dia 2 nós tomamos posse. A aldeia não é diferente de uma cidade, a atribuição de um cacique não é diferente de um prefeito ou vereador, a única diferença é que não temos recurso próprio para tocar. Mas, vamos atrás de mudanças na área de saúde junto com a secretaria de saúde indígena, assim como educação e preservação da cultura”, ressalta.

 

Célio acredita que a universidade pode transformar a aldeia Célio acredita que a universidade pode transformar a aldeia

Para Célio, a oportunidade de frequentar a universidade possibilita que ele se torne um líder diferente dos anteriores. “Eu vi essa necessidade de estudar porque vivemos em um mundo globalizado. Então as lideranças precisam estar em contato com as ferramentas tecnológicas, que algumas lideranças tradicionais não tem conhecimento. Para dar um avanço nos projetos que a comunidade necessita. Existe a preservação cultural, mas também o desejo de crescer”, explica.

Célio cita a construção de uma laboratório intercultural na Aldeia Bananal, que precisa de reestruturação. “Quem sabe trazer a faculdade para dentro da aldeia, cursos em EAD (Ensino à Distância), tem que avançar, não podemos ficar parados no tempo, precisamos acompanhar essa evolução ocidental”, frisa.

Na hora de lidar com os contratos e o mundo globalizado, ele ainda explica que por muitas vezes os índios se acostumaram em firmar acordos na oralidade. “Devido a nossa tradição. Chegamos com poucos projetos e reivindicações por escrito nos gabinetes e isso nos prejudicava. Queremos elaborar documentos, mostrar de forma explícita o que queremos e nesse ponto o conhecimento adquirido na universidade contribui muito”, aponta.




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