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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

11/07/2016 18:08

Usar "bugre" no nome não é homenagem, nem brincadeira, reclamam leitores

Naiane Mesquita
Termo surgiu na chegada dos europeus ao Brasil.Termo surgiu na chegada dos europeus ao Brasil.

A palavra bugre é uma das mais antigas palavras relacionadas a um índio. No dicionário, remete ao tempo de chegada dos europeus ao Brasil, um tempo em que indígenas nem sequer eram considerados humanos, por serem pagãos, “sem alma”. Em Mato Grosso do Sul, onde essas questões se tornaram ao longo dos anos ainda mais complexas, devido ao genocídio e aos conflitos por terra, basta uma fagulha para incendiar o debate.

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Hoje, o motivo foi reportagem publicada no Lado B sobre uma lanchonete que se apropriou do termo ao criar a marca do estabelecimento, a HamBugreria. O assunto rendeu posts nas redes sociais, de gente contra e em defesa do nome.

Antes, a cidade já conhecia o HamBugritos, sanduíche criado pelas Massas Capivaras, que são vendidos em encontros culturais e alternativos com frequência, fazem sucesso entre a galera engajada em temas sociais, mas nunca foram alvo de polêmica. 

Apesar de tão incorporado ao cotidiano, quem está imerso nessa questão sente ofensa de forma instantânea. O antropólogo Antônio Hilario Aguilera Urquiza, de 53 anos, acredita que, muitas vezes, por falta de conhecimento, a população usa o termo no comércio, por exemplo. “O primeiro ponto é que em uma sociedade democrática, o comerciante tem o direito de colocar o nome que quiser. Provavelmente eles quiseram destacar a questão indígena, até mesmo homenagear, mas por falta de conhecimento acabaram ofendendo”, afirma.

Para o advogado e doutorando em antropologia, Luiz Henrique Eloy, 27 anos, não há dúvidas de que a palavra na literatura antropológica é bem pejorativa. “É um termo que designa o indígena há muito tempo e que surgiu para defini-lo para como algo não humano, que não era cristão, não tinha alma, não tinha rei, não eram alfabetizados, selvagens, pagãos. O termo bugre é uma palavra preconceituosa, que surgiu de algo errôneo, inferior, um termo bem pejorativo, infeliz e ultrapassado”, defende Eloy, que é da etnia terena.

Na discussão hoje sobre a lanchonete, muitos indígenas disseram não se importar com o conceito, pelo contrário, garantiram que se identificam com o termo. "Minha bisa era Nhambiquara, bugre que tinha orgulho de ser chamada como tal, não entendo porque toda essa polêmica acerca da denominação", postou uma mulher.

Mas para quem estuda o assunto e luta pelo respeito às etnias, o que falta é conhecimento. Uma das mais famosas artistas surgidas em Mato Grosso do Sul, ficou conhecida como Conceição dos Bugres, mas até ela não compreendia o quanto ofensivo é a palavra, diz Luiz Eloy. “Acho que os índios que não ligam de ser chamados de bugres, desconhecem o significado da palavra, a carga histórica que essa palavra trás. É muito infeliz, uma pena que um indígena desconheça o significado dessa palavra. Isso é uma coisa negativa no Brasil todo, em outras partes do País também”, ressalta Eloy.

Antônio Hilario acredita que um ou outro indígena pode pensar isso, mas que não representa toda a população. “Muitos pensam que já passaram dessa fase, mas com certeza os que tem autoestima, brio, se importam. É como ofender a mãe do outro, desqualificar. Eles poderiam ter usado outro termo etnico, mas não esse”, frisa.

Os proprietários da HamBugreria negaram qualquer intenção de ofender a população indígena, mas preferiram não comentar o assunto.




A metonímia é um processo através do qual a palavra muda de sentido em função de um conceito que lhe é “adjacente”. Por exemplo a palavra "formidável" era algo "pavoroso" que produzia "terror", e hoje em dia é usado para descrever algo agradável. Isso ocorre com varias palavras de todos os idiomas e inclusive os americanos chamam os Afrodescendentes Norte-Americanos de "black" que significa "preto" e se por acaso você tentar chamar um deles de "Nigga" ou "Nigger" que significa "Negro" é bom que você também seja negro ou pode acabar preso. Daqui a umas dezenas de anos, as gerações mais jovens não vão conhecer o significado original destas palavras e que este vá acabar por se perder”, substituído por um que lhe foi atribuído posteriormente por moda ou auto-valoração.
 
Eric Dutra em 12/07/2016 09:33:43
Alex André, você tem razão... o tal "politicamente correto" já deu! só serve para criar conflito onde não existe... esse povo devia procurar o que fazer, vc disse bem!
 
Hélia De Albuquerque Palhares em 12/07/2016 08:02:11
aro senhor advogado, como o senhor mesmo disse, " literatura antropologica". O senhor acredita que todas as pessoas que vão a uma lanchonete vão com um dicionario antropologica embaixo do braço? creio que não. Se a maioria dos indios não estão nem ai para a palavra bugre, por que incitar o odio racial? Daqui uns tempos todas as palavras serão proibidas pois todas carregam uma carga "genetica" na origem. Creio que o senhor tenha coisas mais importantes para fazer.
 
Alex André de Souza em 11/07/2016 22:30:42
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