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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

17/05/2016 06:05

Vendedor por teimosia, Elias não esconde a língua presa e nem a boa vontade

Paula Maciulevicius
Elias Pereira dos Santos sempre lutou para ser vendedor, apesar dos problemas de comunicação.Elias Pereira dos Santos sempre lutou para ser vendedor, apesar dos problemas de comunicação.

Elias é teimoso. Teve de ser assim para aprender na vida. Numa casa de cinco irmãos, só ele nasceu com distúrbio do freio da língua, popularmente conhecido como "língua presa". O problema que Elias explica ser genético, parece que foi mais particular na família e parou nele. A consequência hoje é de uma troca de letras e uma atençãozinha a mais que precisa ter, por quem escuta, para compreender o diálogo. E mesmo assim, Elias se tornou vendedor há pouco mais de um mês, depois de quase dois anos de batalha.

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Na loja onde trabalha, no Shopping Norte Sul Plaza, ele começou como repositor, no estoque, para então ir para a linha de frente. "Foi teimosia minha e pelas pessoas que me ajudaram, acreditaram em mim", conta Elias Pereira dos Santos, de 24 anos. Na hora de dizer que é a elas que é "grato", o GR não sai de jeito nenhum. Primeiro é "cato" e é preciso pedir para ele repetir a frase. 

Desde a entrada no trabalho, a vontade era de ser vendedor. "Porque eu tinha minha meta, de alcançar meus objetivos de vida e também de falar com as pessoas", explica. Para conseguir chegar ao cargo, a lista tinha prós de um lado e contras do outro. O principal é notório, a dificuldade na fala. "Tinham medo de eu não me adaptar e os clientes não quererem ser atendidos", justifica.

Por parte do público, Elias admite que já teve quem pedisse para não ser atendido por ele, assim como também há os que riem dos erros e chegam a perguntar da onde ele veio. "Muita gente acha que eu falo errado brincando ou que eu sou estrangeiro, porque eu não falo o português corretamente", descreve.

Ao ser questionado, Elias explica que o problema é a língua presa, diagnosticado e feita a cirurgia aos 8 anos, em Rondônia. Quando a família percebeu, uma irmã da igreja quem arcou com as despesas. Se ele é nascido lá? O vendedor conta que não, é paulista, mas filho de um pai que gosta muito de viajar.

Este é o segundo trabalho em atendimento. O primeiro durou pouco, porque a loja fechou e no currículo, todas as outras atividades eram "braçais", como define. "Mas eu não tenho vergonha de falar, sempre procuro desenvolver a fala, para conversar mesmo", diz.

Basicamente é o "R" e o "L", as letras onde Elias emperra. No geral, entre as palavras que mais tem dificuldade, o vendedor conta que não consegue notar. "Eu não sei que eu falo errado, porque na minha percepção, eu falo certo, é a língua que não transmite", explica.

A dificuldade no aprendizado sempre o acompanhou, isso porque Elias explica que escreve da forma como fala. E que durante a infância, por dó, os professores o aprovavam. "Meio que empurravam com a barriga e iam me passando, tinham compaixão, dó, porque eu era um menino que não sabia falar", narra.

Já grandinho é que o rapaz foi estudar por conta própria. Coisa que faz até hoje para aprender a escrever certo. Os planos eram de se tornar engenheiro, ainda são na verdade. Elias chegou a cursar três semestres, mas teve de trancar. Sobre a língua presa, ele não vê problema de falar a quem - de curioso - lhe pergunta.

"Não vejo problema. É o que eu sou e sou feliz assim".

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