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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

22/08/2012 11:44

A vontade de viver bem com pouco de quem deixou Campo Grande e mora em veleiro

Ângela Kempfer
Tassio a bordo do veleiro comprado em 2010. (Foto: Divulgação)Tassio a bordo do veleiro comprado em 2010. (Foto: Divulgação)
Tassio, Claudia e um dos privilégios, a paisagem.Tassio, Claudia e um dos privilégios, a paisagem.
Pelas andanças, provas de carinho à natureza, como coleta de lixo na praia.Pelas andanças, provas de carinho à natureza, como coleta de lixo na praia.

Para viver é preciso inspiração e no cotidiano do jornalismo felizmente isso não falta. A história que tenho para contar hoje é de um rapaz de 27 anos que já viveu várias vezes o que muitos gostariam de ter experimentado pelo menos uma.

Tassio Azambuja Jacques tem 27 anos e um veleiro. Filho de família rica de Campo Grande, o mais legal é que nunca se acomodou diante das posses dos pais. É claro que o dinheiro ajudou a ganhar a liberdade, mas o poder de investir em alguns sonhos, como fazer cinema e viajar pelo mundo, veio pela coragem.

A vontade de sair por aí surgiu aos 11 anos, quando ganhou da mãe um atlas e a dedicatória: “Meu filho, viajar é um estado de espírito. Viaje sempre...”. Aos 15, veio o intercâmbio nos Estados Unidos e enquanto os amigos se preparavam para entrar na faculdade, construir uma carreira, ele deixava a cidade para viver na Amazônia. “O que sempre me encantou foi o contato com a natureza”, explica.

Nos últimos 13 anos, já passou por vários países da Europa, esteve na Índia, no Nepal e a última parada foi no Caribe. Há um ano e meio, depois de muito trabalho com transporte de turistas mundo afora, Tassio conseguiu comprar o veleiro.

Ao lado da esposa Cláudia, uma canadense de 28 anos, produtora de teatro, ele traçou um roteiro e passou a viver no mar. “Medo é claro que aparece, mas se parar para pensar nele, ninguém faz nada”, ensina.

Apesar de nada convencional, o velejador não quer ser mal interpretado. “Não sou aventureiro. Não quero provar nada a ninguém. Viver no mar foi uma opção, como qualquer outra, só isso”, comenta.

Tassio no frio...Tassio no frio...
e Claudia no calor. Cada dia em um lugar, sempre de bem com a natureza.e Claudia no calor. Cada dia em um lugar, sempre de bem com a natureza.

O primeiro trecho de uma volta ao mundo que deve durar mais 3 anos foi de Açores (Portugal) ao Caribe. Todas as experiências são registradas em vídeo e fotografias. O projeto é transformar a viagem no documentário “Terras D’água ”, para mostrar histórias de pessoas que vivem bem, com pouco, com a sustentabilidade como conceito principal.

Algumas imagens são postadas no site do projeto e no blog. São um deslumbre, não só pela alta definição, mas pelo conteúdo que carregam. O mar azulzinho, golfinhos fotografados bem de perto, um mergulho em mar aberto ou apenas a foto dos pés descalços, são suficientes para fazer pensar sobre o real valor de tudo e, é lógico, soltar a frase típica: “Que vidão!”

Até o tempo de Tassio e Cláudia é outro. “Vamos bem devagar, parando, ficando o tempo que for necessário para ganhar intimidade e captar as imagens e as informações de uma maneira mais real”, conta o jovem que já fala 4 idiomas.

O dinheiro? Por enquanto vem de empregos temporários em cada local. “A gente faz de tudo, cuida de carro, a Cláudia trabalha de babá. Levamos o currículo e pegamos o que aparece. Depois, viajamos até acabar o dinheiro e paramos de novo para trabalhar e continuar.”

Os dois também buscam patrocinadores, que podem ser empresas, ou uma emissora de TV, por exemplo.

Agora o casal está em Campo Grande para ver a família, mas na quinta-feira volta ao lar flutuante. Sobre um lugar que sonha ainda em conhecer, Tassio responde; “Algum dentro de mim mesmo”.




Comecei a trabalhar aos 12 anos de idade, vivi até hoje somente pensando no trabalho, este ano, com 52 anos, depois de muitas conversas com esposa, filhos e amigos, tomei a decisão, em 2014, largo tudo e vou morar num pequeno veleiro, sozinho, vou lavar minhas próprias roupas, cozinhar minha comida, arrumar minha cama, lavar meu banheiro.
A vida média do Brasileiro é 73 anos, acho que vou conseguir viver pelo menos uns 20, viver de verdade, de forma sustentável e livre. para os que ficam Adeus e me desejem bons ventos.
 
Jackson Dasilva em 18/09/2013 19:16:06
Quem dera ter a coragem de abandonar as regras convencionais de vida. Deve ser o mesmo que viver no Paraiso. Sem cobranças, sem taxas, sem convenções. Felizes são voces que desfrutam desse "bem viver".
 
Lara Cardoso em 23/08/2012 09:48:57
Seria maravilhoso poder viver nesta liberdade....Não se preocupar com o luxo, poder ver as crianças correndo descalças na imensidão... Uma natureza total....
 
Helen Rangel em 22/08/2012 12:53:48
(Um mergulho em mar aberto) imaginem só onde estas palavras nos coloca, o real significado para o ser humano, a insignificancia do homem diante da natureza e ao mesmo tempo a permissão de Deus para que o homem prove disto e consiga nos contar sobre esta experiencia fantastica, parabens muitos outros deveriam viver esta esta cituação para entender melhor o porque de nossa existencia no mundo.
 
FRANCISCO ESTEVAM em 22/08/2012 09:48:27
Quem me derá ter a coragem de abandonar o relógio, as regras, as obrigações, incomodas as vezes, para sair no mundo e simplesmente viver!!! conheço de vista o rapaz, pois fez intercambio para os EUA na mesma epoca que meu filho...Espero que ele seja muito feliz nessa ousada empreitada, pois da vida nada se leva, a nao ser como se vive. Desejo sorte e que consiga os patrocinadores que merece!
 
Laila Salomeni em 22/08/2012 03:58:52
Minha irmã e meu cunhado vivem assim na região de Parati e dizem que não tem coisa melhor, pois além de ter poucas despesas, respiram ar puro e procuram hábitos de vida saudável. Vieram em Campo Grande em julho para visitar os familiares e realizar exames médicos de rotina e permaneceram no apartamento que mantêm aqui na capital.
 
Maria Tereza Silveira em 22/08/2012 02:54:29
Compartilho de todas as palavras escritas por Marco Túlio Costa. De fato, não existe nada mais sublime que curtir a "simples essência de viver". Me fez sentir saudades da minha infância...
 
Maristela Vilela em 22/08/2012 02:29:43
Ah o tempo! Implacável!! Na minha pressa de viver o cotidiano acelerado esqueço da irrefreável simples essência de viver. Essa matéria me trouxe esse pensamento!! Me lembrei de minha filha de seis anos. Meu mais sincero desejo é que ela viva a vida assim! Sempre partindo! Vivendo a vida Saudavel, Sã!. A vontade contida que muitos temos de deixar tudo e partir: "Por ai!" "Pelo mundo!".
 
Marco Túlio Costa em 22/08/2012 01:18:41
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