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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

03/08/2012 10:29

Adotada aos 45 anos, Jorgina vai para escola pela primeira vez

Ângela Kempfer
Jorgina Aparecida Conceição é vítima da Talidomida e não tem parte dos braços. (Foto: Rodrigo Pazinato)Jorgina Aparecida Conceição é vítima da Talidomida e não tem parte dos braços. (Foto: Rodrigo Pazinato)

A primeira informação marcante ao conhecer Jorgina Aparecida Conceição é o fato dela não ter braços nem pernas. Mas ao longo da conversa, são tantas as histórias importantes que a deficiência parece detalhe.

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Na Escola Municipal Professor Vanderlei Rosa de Oliveira, no bairro Novo Maranhão, ela entra pela primeira vez em uma sala de aula, para realizar mais um sonho, o de aprender a ler e escrever.

Com o lápis na boca ou apoiado na parte do braço que restou, ela começa as lições pelo desenho. Nada difícil para uma mulher que até limpa quintal com a enxada.

Ela nunca usou cadeira de rodas, criou um chinelo com espumas para conseguir andar, leva sempre um banquinho para acesso aos pontos mais altos e assim vai vivendo a vida, sempre criando quando algum obstáculo aparece.

Os dotes são vastos. Jorgina faz qualquer peça em crochê e criou até um fogãozinho de lenha artesanal, feito com parafina e depois moldado na base do palito, para vender. “Aprendi tudo sozinha, ninguém nunca me ensinou nada. Sempre tive que me virar. Não dá para esperar ajuda, até porque nunca veio”, conta.

Apesar de ter o olho sempre brilhante e a conversa sincera, Jorgina é tímida, quase não fala se não houver provocação.

Simples, com o sorriso quieto no rosto durante todo o tempo, parece surpresa diante de uma recepção tão carinhosa e da preocupação da equipe da escola com o conforto da nova aluna. “Achei que todo mundo ia me olhar diferente. Preconceito meu né, pensar que iam me tratar mal”, admite.

Vítima da Talidomida, medicação que provoca deformação congênita, ela parece nunca ter recebido um carinho ou qualquer atenção enquanto morou na terra natal, Paranapanema (SP).

“Meus irmãos me abandonaram pelos cantos e, quando a minha mãe morreu, fiquei sem ninguém mesmo. Mas ela sempre falou assim: Luta pela vida”, ensina.

Sobre o pai, ela responde com decepção. “Meu pai? É só meu pai por criamento, não por sentimento não”, conversa.

Na porta da sala de aula com a professora Judite Fernandez.Na porta da sala de aula com a professora Judite Fernandez.

Nova vida - A mulher, de 45 anos, há 2 meses vive em Campo Grande porque foi praticamente adotada por um casal que prefere não aparecer.

Os dois conheceram a história no Youtube e decidiram ajudar. Religiosos, eles viajaram até São Paulo, a convidaram para morar em Campo Grande e ela nem pestanejou. “Sei lá, vi os dois e na hora respondi: Claro que vou”.

Hoje, Jorgina diz que é madame, vive na casa da avó postiça, perto do casal que a acolheu . “Fazem o almoço para mim, eu passeio e arrumaram até um jeito para vir para a escola de van”, conta, bem arrumada, com uma camisa azul nova e brinco dourado na orelha.

Ela recebe um salário ao mês, como benefício do INSS, mas diz que agora não precisa mais gastar, vai economizar pela primeira vez. “Tive um tempo muito sofrido, de nada ter graça. Sempre fui sozinha, mesmo tendo família”, conta.

A diretora-adjunta da Vanderlei Rosa confirma a história e é só elogios ao casal que resolveu dar uma nova vida a uma pessoa que mal conhecia. “O casal tem duas filhas, ele é advogado e ela é uma professora interprete de Libras (linguagem de sinais), bem novinha e super dedicada”, conta Lucilene Vedana.

Jorgina nunca namorou e até conhecer o casal de Campo Grande só ganhou um presente na vida: uma televisão doada por loja de Paranapanema, depois de uma reportagem de TV sobre a condição dela.

Mesmo sem qualquer incentivo, nunca baixou a cabeça e até financiamento para construir uma pequena casinha ela conseguiu.

Em São Paulo tem um imóvel minúsculo, de cerca de 16 metros quadrados, mas nem a conquista há 4 anos faz ela pensar em voltar. “Achei Campo Grande muito legal, não vou sair daqui nunca”.

Se depender da dedicação da professora, pelo menos durante 3 anos e meio, a aluna ficará por aqui, até se formar. “A escola vai colocar uma professora assistente na sala, mas eu já disse que vou cuidar pessoalmente dela. Fiquei muito impressionada com a vontade da Jorgina em aprender”, justifica Judite Fernandez.

A diretora, Ângela Maria Faustino, admite o choque ao saber da história de Jorgina, mas quando ela começou a falar, diz que percebeu que a presença da nova aluna será fundamental para toda a comunidade escolar. “É um incentivo para alunos e pais de alunos, por ter contato com uma pessoa assim, que não vê dificuldades, só vê possibilidades”, conclui.

Veja a reportagem que levou o casal até Jorgina.




é a presença de Deus, mais uma vez agindo sobre as pessoas. É a mais pura expressão de amor. Amor incondicional. lindo demais. felicidades a todos.
 
monica carvalho em 08/08/2012 09:03:49
Quando menos esperamos, a vida nos presenteia com anjos. Parabéns pela atitude, este casal é um exemplo de a vida é um recomeçar continuo.Deus os abençoe!
 
vania gutierrez em 04/08/2012 12:05:47
Eu sou professora de arte da Jorgina, e cada vez que vejo a reportagem dela fico emocionada e me sinto previlegiada por poder conhecer e participar da vida de uma pessoa tão batalhadora em busca de seus objetivos.Parabéns e conte comigo.
 
Maria Auxiliadora Marques Mogatti em 04/08/2012 10:06:24
Deu um nó na garganta...parabéns a todos envolvidos nesta história. E que voces do campograndenews continuem a nos brindar com este tipo de matéria.
 
Fernando Rodrigues em 04/08/2012 08:10:27
parabens Jorgina mantenha essa sua fé em DEUS e prosiga nessa caminhada e lembre-se sempre o SENHOR é contigo e nunca vai de deixar só. a palavra do SENHOR diz que mesmo que se sua mãe e seu pai te deixar eu nunca te deixarei. JESUS te ama.e eu através de você aprendi mais uma lição hoje que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, pois o nosso DEUS vai sempre colocar anjos em nosso caminho,
 
Mario Aparecido Galvão em 04/08/2012 08:09:41
PARABENS!!!! VOCÊ É LINDA, UMA MULHER MAIS QUE VITORIOSA...QUE DEUS A ABENCOE
 
maria helena ferreira de souza em 03/08/2012 12:42:09
Muito orgulho de ter sido aluna da Lucilene e da Angela (diretora e diretora adjunta). Quero deixar claro que esta não é uma ação "pra inglês ver" e que a Escola Municipal Vanderlei Rosa apóia muito a educação inclusiva, aliás, é uma das únicas que de fato tem educação inclusiva. A escola tem quase 46 alunos com as mais diversas deficiências. PS. não sou funcionária pública rs
 
lesly lidiane ledesma em 03/08/2012 12:37:10
Linda história, UM EXEMPLO para todos nós.
Que Deus ilumine sempre o seu caminho Dona Jorgina!
 
Paula Lunardon em 03/08/2012 12:35:12
Linda iniciativa deste casal. Que os três possam se completar sempre.
 
Monica Marcato em 03/08/2012 12:16:22
No domingo vi a reportagem de Jorgina, e fiquei chatiada que ela não tinha em quem se apoiar e pedir auxilio. Agora fiquei muitoooo feliz em saber que ela tem uma Família que a ama pelo jeitinho que ela é. Parabéns ao casal Deus abençoe e a Jorgina Vida Nova, Tudo novo ela merece, Exemplo de vida para todos**
 
Maiara Prado em 03/08/2012 12:10:56
Hoje, falando com a Sandra Luz, lembrei da d. Dirce e disse: "Nem tenho direito de chorar não". Agora, lendo isso aqui, eu penso: "Tenho direito nenhum". Angela, obrigada! Obrigada por apresentar isso aqui, e por nos mostrar essa joia.

O quanto m sinto feliz em saber que há histórias assim, contada por jornalistas que não tem medo de mostrar isso, a vida real! Dona Jorgina, um BEIJO! só isso rs
 
Liziane Berrocal em 03/08/2012 11:30:17
Jorgina é uma pessoa iluminada!!!!
 
Marilia Barreiro em 03/08/2012 11:28:11
" Eu que queixava de não ter sapatos , encontrei um homem que não tinha pés "
 
francisco fernandes em 03/08/2012 11:21:03
Parabens ao casal,pela iniciativa! Felicidades e muito sucesso a Jorgina...
 
Claudineia Santana em 03/08/2012 11:18:06
Linda história...linda mulher...exemplo...
 
Natalia Yahn em 03/08/2012 10:59:20
Em 1982, "mesmo sem ter parentes ou amigos atingidos por essa mal", participei em Porto Alegre/RS, do 1º Encontro Nacional das Vítimas da Talidomida. Na ocasião conheci muita gente de luta, e suas histórias de vida. Algumas histórias narrando vitórias, outras só tristezas. Mas todas certamente contribuíram para meu crescimento e valorização da vida. Sera que essa senhora não estava lá?
 
Fernando Silva em 03/08/2012 08:18:25
Que vergonha de mim depois de conhecer a história da Jorgina. Eu, que reclamo das coisas mais frugais, acabei de ver uma mulher que encara de frente os desafios impostos pelas próprias limitações. Ê, vida essa pra ensinar...
 
Guilherme Cavalcante em 03/08/2012 07:23:38
Que exemplo!!!! Que Deus abençoe esse casal que está auxiliando a Jorgina. Bela reportagem!!!!
 
Airton Bio em 03/08/2012 07:11:00
são histórias assim que fazem com que demos mais valores em nossas vidas e principalmente agradecemos a DEUS por todas as pessoa que fazem a sua parte fazendo algo pelos menos favorecidos.QUE DEUS ABENÇÕE ESSA MARAVILHOSA FAMÍLIA.
 
osvaldo willian da silva em 03/08/2012 07:07:48
Caramba, que exemplo de altruísmo.
 
André Costa de Morais em 03/08/2012 06:17:45
Parabéns a equipe do Campo Grande News, são reportagens assim que nos da mais ânimo de vida. Parabéns!!!!!
 
eliany amaro em 03/08/2012 05:08:40
QUE DEUS QUANTINUE ABENÇOANDO ESSE CASAL .
 
Meridiana Martins De Moraes em 03/08/2012 04:39:23
Parabéns pelo casal que Deu o abençoe sempre pela atitude tomada, ainda bem que existe pessoas maravilhosas nesse mundo, ungidas pelas mãos de Deus. Sempre temos que ter esperanças e confiar em Deus, ele jamais abandona seu filho.
 
Marisa Goulart em 03/08/2012 04:30:35
...que Deus continue lhe abençoando D. Jorgina Aparecida Conceição ...sua historia de superação e esse lindo sorriso me enche de alegria...
 
Ester Menacho em 03/08/2012 03:32:30
De uma coisa eu tenho serteza Deus usou este casal por instrumento e criátura divina para realizar tamanha caridade a essa guerreira e abençoada Jorgina só dou meus parabens a todos voces até aos que colocou esta matéria.
 
Diogenes Rosa da silva em 03/08/2012 01:50:09
Eu que tenho, perfeitos, dois braços e duas pernas me envergonhei da preguiça e barreiras que já coloquei para realizar várias coisas.
A dona Jorgina mostra para o sociedade que é possível sim, fazer de tudo, basta querer e ter sabedoria para buscar aquilo que se quer.
Parabéns ao casal pelo gesto de amor ao próximo.
Que Deus os abençoe.
 
Willian Salviano em 03/08/2012 01:06:22
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