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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

15/08/2012 16:09

Casa dos Aviamentos vai fechar, com coleção de histórias do Carnaval para contar

Ângela Kempfer
Loja completa 39 anos na rua 13 de Maio. (Fotos Rodrigo Pazinato)Loja completa 39 anos na rua 13 de Maio. (Fotos Rodrigo Pazinato)
Cléo mostra potes de vidros de mais de 30 anos, carregados de miçangas.Cléo mostra potes de vidros de mais de 30 anos, carregados de miçangas.

No Carnaval, uma corrente ficava preparada na fachada para interditar a loja quando a multidão de clientes lotava o espaço. Era tanto trabalho na Casa dos Aviamentos, que os funcionários tinham de passar a madrugada produzindo, por exemplo, os pompons para tipos variados de fantasias.

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Alguns lugares entram para a história, mesmo sem querer, e deixam certa tristeza na cidade quando anunciam o fechamento. Para quem tem mais de 30, esse é a sensação sobre a Casa dos Aviamentos, já há 39 anos na rua 13 de Maio.

A empresa já não renova o estoque desde setembro do ano passado e a ideia é entregar o prédio até fevereiro do próximo ano, ironicamente, o mês do Carnaval.

No outro lado do balcão, a proprietária Cleonira de Souza, ou somente Cléo, recebe a cliente um pouco desanimada. Mas é só embalar na conversa para os olhos e as histórias começarem a brilhar, com direito a fotos de tempos de glória.

Todos os anos, era na Casa dos Aviamentos que o Carnaval iniciava em Campo Grande. A música tocava direto, com centenas de clientes escolhendo pedrarias, plumas, tecidos brilhosos e acessórios para a festa pela cidade.

“No Rádio Clube, o Carnaval começava 4 meses antes, com bailinhos. Depois, nos dias mesmo, tinha concurso de fantasia e isso aqui lotava de gente querendo comprar alguma coisa para concorrer. Famílias inteiras compravam”, conta Cléo.

Casa dos Aviamentos começou pequena.Casa dos Aviamentos começou pequena.
Depois virou referência em Campo Grande.Depois virou referência em Campo Grande.

As compras dos produtos, ela mesma fazia em São Paulo. Uma diversão que rendia o sustento dos 3 filhos. “Criei eles aqui, onde sempre foi a nossa residência. Cheguei até a construir uma piscina para brincarem, enquanto a gente trabalhava”.

Na hora, ela lembra de uma foto, procura na pasta de documentos e encontra a imagem de uma criança, em frente à porta da loja.

“Fiquei por muitos anos procurando esse menino, queria saber como ele estava, por causa dessa foto. Esses dias, no final da tarde, um homem entrou, tirou o boné e apareceu aquela cabeleira grisalha. Ele pediu para trocar o botão de uma calça e perguntou se eu lembrava dele. Abracei o rapaz e chorei, era o menino da foto”.

Era assim que as coisas funcionavam naquele tempo de cidade pequena. Todos ali no Centro se conheciam e se divertiam na lida cotidiana. “Aqui em frente ficava a sede do Operário. Era uma festa. Conheci o Manga (goleiro) nesse tempo”, conta.

Cléo trocou de marido, mas a loja continuou firme e forte, até a folia perder o glamour. “Lembro que o último Carnaval de movimento foi o da época do grupo “É o Tchan”. Vendi um monte de roupas da Carla Perez”.

As escolas de samba, que costumavam comprar material na loja, passaram a ter a comodidade de ir e vir de São Paulo no mesmo dia, em ônibus de turismo. "Isso também prejudicou bastante", avalia.

Foto na fachada da loja lotada. Clientes olham para a esquina, onde ocorreu uma acidente.Foto na fachada da loja lotada. Clientes olham para a esquina, onde ocorreu uma acidente.

Lá se vão quase 15 anos. Hoje, quem entra quer apenas colocar crédito de parquímetro ou comprar lã e linha de bordar.

Nas prateleiras, há produtos que já completam 30 anos, diz Cléo ao mostrar dezenas de potes de vidro com miçangas. Em uma caixa, as centenas são de botões de madrepérola, “legítimos”, garante a proprietária.

Fitas com elástico para as melindrosas usarem na testa e na perna estão ainda em rolos, empoeiradas. “São tão velhas que acho que eu tenho mais elasticidade que elas”, brinca a senhora de 65 anos.

Cléo diz que, se bobear, há vestígios até da mãe que morreu há 30 anos. Dona Dolores era responsável por bordar cartolas com lantejoulas.

Agora como a loja fica a maior parte do tempo sem clientes, Cléo improvisou até uma cama dentro de um dos balcões. “É engradado. Os clientes perguntam alguma coisa e quando eu respondo ninguém sabe de onde vem o som”, solta a gargalhada.

No rosto da paulista que desde os 25 anos vive em Campo Grande, não há sinais de desgosto ou indignação. Sobram elogios ao dono do imóvel, que “nunca reclamou de qualquer mudança no prédio”. A loja começou em 2 cômodos, depois dobrou de tamanho e novamente cresceu para o imóvel ao lado, até que começou a diminuir novamente.

Os comentários sobre a concorrência moderna também são carregados de nostalgia. “O menino que é dono do Bazar São Gonçalo vinha aqui quando era criança”, conta sobre a loja que atualmente é referência em fantasias e aviamentos em Campo Grande.

Agora ela só quer vender o que ainda pode do estoque e entregar o prédio, mas promete ao Lado B que não vai fechar antes de um bota fora no Carnaval de 2013 com uma super liquidação.

A vizinha concorrente, a loja de aviamentos Cerejeira, também na 13 de Maio, fechou as portas este mês e deixou a lembrança em uma faixa: “Em agradecimento pelos 44 anos de trabalho...”

Loja Cerejeira já fechou as portas, depois de 44 anos na 13 de Maio.Loja Cerejeira já fechou as portas, depois de 44 anos na 13 de Maio.



É muito triste mas tudo na vida vai se transformando em lembranças, boas ou ruins, mas somente lembranças...
 
Maria de Fátima da Silva em 23/08/2012 02:41:58
Nesta vida passageira não levaremos nada, mais um exemplo de que tudo tem começo meio e fim. O passado só nos deixa lembranças e o futuro iremos colher o que plantamos no passado.
 
Paulo Rodrigues em 17/08/2012 01:33:31
Lendo o comentário de Luciana Souza Reino, me vi nele pois sou filha de uma dessas
costureira campograndense, onde tambem fiz muitas compra de aviamentos para minha mãe alem dessa casas aqui lembradas tinha tambem a casa palestina na Av.
Calogeras,façam uma reportagem desse comercio se ele ainda existir e bom recordar de coisas boas de infancia.
 
Conceição Aparecida Costanzo em 17/08/2012 01:17:49
Eu trabalhei de 85 a 88 na loja Janaina, concorrente da Casa dos Aviamentos que era bem na frente. Lembro do movimento que a loja tinha, principalmente na época do carnaval. Era uma concorrente leal, muitas vezes indicávamos uns aos outros. Pena que esse segmento esta acabando. Mais uma parte da história do nosso centro que se vai.
 
Fabio Turque em 16/08/2012 11:28:54
poxa, que pena, confeço que fiquei mto triste, mtas e mtas vezes eu comprei nestas duas lojas, e agora onde comprar? mais fazer ok né, eles tem motivos para fechar, que DEUS lhes acompanhe e que nunca falte nada a vcs, parabens pelos anos dedicados, mtas felicidades no que vcs pretende fazer, e mto obg por tudo.
 
Quezia Chaves Alencar em 16/08/2012 10:12:56
As costumeiras frases: "A vida continua", "A fila anda", "Vamos em frente que atrás vem gente"... tudo nos impulsiona a seguir em frente. E pelas leis naturais , tudo passa, as coisas e as pessoas envelhecem e vão dando lugar para os novos, para a modernidade, para a evolução. Ficam as boas lembranças do antigo, que um dia, lá atrás já foi também moderno. Felicidades a Cléo !
 
Luciene Ferreira em 16/08/2012 08:59:43
Confesso que senti um aperto no meu peito. Minha história e a de muitos campo-grandenses começa ali. Infância divagando na cabeça e naquelas cores, no som, no emaranhado de pessoas e coisas. Parabéns Cléo pela resistência e pela história.
 
Linda Benitez em 16/08/2012 08:27:59
Gente, tudo tem um ciclo e a Casa dos Aviamentos cumpriu bem o seu! Morava ao lado da Loja na década de 80 e me lembro bem do movimento que era intenso quando passava diariamente em frente para levar minha filha para a Escola ou fazer compras. Que a Cleo reserve desse tempo os episódios alegres e felizes, pois o restante não tem importancia.

 
francisca bezerra em 16/08/2012 08:24:41
Não posso acreditar que emprêsa tão tradicional e idônea possa encerrar-se de forma melancólica como estamos vendo.Conheço Cleo há muitos anos e sempre tive por ela uma admiração e respeito que transformou em amizade o que se iniciou como contato comercial.Acho que Campo Grande,na sua conhecida pujança,não pode se dar ao descuido de perder uma empresária dêste porte.
Cleo,um grande abraço.Força.
 
Reginaldo Filpi em 16/08/2012 05:09:27
Meu primeiro emprego foi na galeria dona neta, no café do ponto e lá a Cleo e seu filho Marcos ia todo dia tomar seu café, isso foi em19989, já servi muito café para eles e ela sempre alegre e trabalhando o dia todo, é triste saber que vai fechar pois essa casa faz parte da historia de Campo Grande.
 
Vânia Fat em 16/08/2012 03:20:00
Já conheci a dona Clèo pessoalmente, tive a oportunidade de fazer a contabilidade da casa dos aviamentos, ela é uma pessoa muito boa e amiga, que Deus lhe acompanhe com muito amor.
 
Cleber Valu em 16/08/2012 01:42:39
Esta minha concunhada sempre foi batalhadoura, nunca deixou a peteca cair, como diz o ditado.
Cleo, como você sempre teve muitos desafios e sempre venceu; você vai vencer mais este pode têr certeza.
 
Jair Theodoro Alves em 16/08/2012 01:10:00
fiquei emocionada, qdo criança sempre fazia as compras com minha mãe nessas lojas !!!
que pena estão fechando, é o progresso ou comodismo, pois qdo se fala em estacionamento de 10 reais, fica mais facil ir a são paulo.
 
RAQUEL SOUSA em 15/08/2012 11:23:52
Os tempos modernos , sao eternos
quando na decada de 60 vieram os primeiros movimentos jovens, os que viveram a decada de 40 e 50 ,perderam suas referencias
assim foi na decada de 80... os anos 90
passamos para o 2000 era do computador,da camera digital,Ipod,Ipad, telefone celular !!!!!!!!!Casa dos aviamentos simbolo de Campo Grande...pode até encerrarr , mas PERPETUAMENTE sera lembrada
 
Carlos Alcantara em 15/08/2012 11:14:43
Acabei de ve-la a dona cléo caminhando sorridende toda feliz na avenida afonso pena!!!!!! Conheço ela desde 1975
 
pedro rodrigues neto em 15/08/2012 07:12:02
Eu penso em ir ao centro comprar algo, vou na 13 de maio, 14 de julho ou ruy barbosa e desisto. Como ir comprar botões numa casa de aviamentos, pagar 5 reais no produto e 10 de estacionamento privativo? Porque na rua é impossível
 
lesly lidiane ledesma em 15/08/2012 06:49:27
Saudade da década de 80 e 90.
Tudo parecia menor, inclusive a violência.
 
Maurício Castello em 15/08/2012 05:19:18
No centro as lojas estão fechando as pessoas procuram os shoppings que são mais confortáveis. Além da concorrencia com camelô que estão por toda parte nas calçadas do centro. A rua 26 de agosto é um abandono.
 
Zulmira Abrami em 15/08/2012 04:49:28
É muito triste ler uma matéria como esta.Já comprei muito ao longo dos anos nesta loja. Tudo o q tem uma história em cpo gde esta acabando. Cerejeiras, bar esquina 20, e agora a casa dos aviamentos. Só tenho q desejar muitas saudades p vcs. Que DEUS ilumine a cada um de vcs.
 
Magali Santana em 15/08/2012 04:47:06
Para filhos de costureiras batalhadoras, crianças que dormiam ao som das máquinas de costura enquanto a mãe ficava até tarde trabalhando pra dar conta de encomendas e do sustento. Para os filhos que "desciam pro centro" com listinha de materiais escrita num papel de pão. Para mim também sobrarão muitas histórias dessas casas de aviamentos. Uma pena, mas consequência dos novos tempos.
 
Luciana Souza Reino em 15/08/2012 04:39:29
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