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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

18/06/2012 10:20

Depois de passar fome em Campo Grande, ele virou personalidade de fogo

Ângela Kempfer
Policarpo Matias de Lima é o dono da mais antiga casa de fogos de Campo Grande, a Brasfogos. (Fotos:Ângela Kempfer)Policarpo Matias de Lima é o dono da mais antiga casa de fogos de Campo Grande, a Brasfogos. (Fotos:Ângela Kempfer)

Faça chuva, faça sol, ele está ali, sentado atrás do balcão da loja na rua 7 de Setembro, super disposto a contar uma boa história. Policarpo Matias de Lima é o dono da mais antiga casa de fogos de Campo Grande, a Brasfogos. Lá se vão 40 anos de portas abertas e lembranças.

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Depois de tanto tempo, ele ainda consegue rir do dia em que passou a perna em todos os jornalistas da cidade. Era época de movimentação intensa no Centro da cidade, há décadas, quando vender fogos de artifício era certeza de falência. “Ninguém comprava fogos. Em dias de festa, preferiam sair por aí atirando. Sempre tinha um morto por bala perdida”, conta.

Com a freguesia miúda, ele resolveu apelar. Diz que ligou para todas as rádios e também para a TV Morena e forjou uma denúncia. “Primeiro tirei todos os fogos das caixas e coloquei só as embalagens na prateleira. Depois liguei para a imprensa e até para o delegado e disse que tinha uma loja na 7 de Setembro cheia de fogos, prontos para explodir”.

O golpe deu certo. Em poucos minutos a Polícia estava ali na porta, apreendendo as caixas vazias. “O delegado chegou nervoso e levou tudo, sem olhar se tinha alguma coisa dentro. A imprensa ficou noticiando o caso o tempo todo. No outro dia, isso aqui ficou lotado de gente comprando. Nunca tive propaganda melhor”, lembra com uma gargalhada.

Mas ele garante que o principal nesta história toda nem foi o movimento. "Eu estava cansado do povo morrer por causa de tiro. Depois disso, não tinha mais desculpa para sair por aí atirando. Se quisesse comemorar, era só comprar fogos de artifício".

Até hoje, o que mais gosta de falar é sobre segurança. "Nunca tive notícia de um cliente que se feriu, nunca tive uma explosão na loja. Aqui não faço nada para economizar. O produto é de qualidade, isso é mais importante. Quem explode por aí, é porque fabrica pólvora".

O senhor baixinho, magro, com cara de feliz, já passou por maus bocados. Depois de abandonar a miséria no Rio Grande do Norte, onde “passava fome de verdade” com os pais e 12 irmãos, ele foi servir ao Exército em Três Lagoas. Ao dar baixa, resolveu vir para Campo Grande, sem dinheiro algum. “Só tinha recebido uma passagem do Exército e vim com a cara e a coragem”.

Ainda com o cabelo de soldado e o ofício de cabeleireiro (aprendido ainda na infância) ele “acampou” na Praça Ary Coelho. “Não tinha outro lugar para ficar, então fiquei dormindo ali. Foram dois dias ao relento, até que uma serenata salvou a pele do ex-soldado.

“Tinha 2 militares fazendo serenata na praça e me viram ali, sem ter o que comer. Perguntaram se que estava com fome e acabaram abrindo uma conta para mim na Churrascaria Maranhão, para eu almoçar, jantar e tomar café”.

Com a alimentação garantida, ele conseguiu também uma vaga de cabeleireiro. “Uns taxistas ali da rua Maracaju resolveram me levar até um salão e disseram que se eu cortasse bem o cabelo deles, iam conseguir um emprego para mim. Foi assim que eu comecei a trabalhar, no Salão Cristal”.

Depois 27 anos como cabeleireiro (contando com o tempo de menino que trabalhou no RN e em Campo Grande), surgiu a oferta de vender fogos de artifício. Policarpo aceitou na hora, tempos depois largou o salão de beleza e hoje passa os dias colhendo frutos e “inventando moda”, diz a esposa com quem está casado há 50 anos.

Ele conseguiu trazer os pais para uma vida melhor em Mato Grosso do Sul, criou os filhos “que só dão orgulho” e agora o neto de 14 anos prepara um livro sobre as peripécias do avô, causos que não cabem em uma só reportagem.

Quando chegamos à loja, ele produzia um kit de fogos, com caixas, fio e uma imaginação...”Eu sou assim, antes de dormir fico 10 minutos acordado pensando no que vou inventar no outro dia. Penso sempre pra frente”, brinca o velhinho de 77 anos.

Policarpo é um dos convidados de honra para o Casório do Ano, festa do Lado B que ocorre no próximo sábado, a partir das 17h, na Rua do Laticínio, em Campo Grande.




Conheci o senhor Matheus através da sua filha Dra. Célia Regina Coutinho de Lima, minha colega de trabalho. Parabéns seu Matheus, pela sua vida exemplar, a sua perseverança, a sua superação, a sua humildade, mas acima de tudo pelo seu exemplo que serve de referencial e de estimulo para a superação para todos aqueles que enfrentam desafios na vida.

 
Rafael de souza Fagundes em 19/06/2012 09:25:10
Parabéns Sr. Matias. O senhor é um exemplo para seus netos e para todos nós.
 
Gessi Zampieri em 19/06/2012 08:35:54
Fico feliz em ver ele sempre alegre, eu a conhesso deus de criança,e sempre o mesmo
com este sorizo no rosto,e sempre atendendo bem os seus crientes.
 
Rosilda Oliveira dos Santos em 19/06/2012 08:11:58
Meu pai , minha vida depois de tantos tropeços tenho ORGULHO DE SER FILHO DE POLICARPO MATIAS DE LIMA, continuo a trilha e me espelhar nele seguindo o mesmo ramo com fogos para casamento e formaturas.
 
paulo cesar coutinho de lima em 18/06/2012 12:36:42
Parebéns ao senhor Policarpo pelo exemplo superação, ele é um patrímônio de Campo Grande. Eu me lembro no início da década de 90, quando criança ia lá com meu pai para comprar fogos. Bons tempos.
 
Flávio Tsujisaki em 18/06/2012 11:20:55
Tenho muito orgulho de ter o Senhor Policarpo Matias como meu patrão, o que mais me fascina são as historias que todos os dias ele me conta uma nova, referente a sua trajetória de vida.
 
Rycardo Rodrigues da Silva em 18/06/2012 11:18:53
O Sr Matias,cortou o cabelo meu e dos meus irmãos,na década se sessenta,qdo moravamos na rua sete de setembro.Meu pai o professor Castro era muita amigo do Sr Matias,que ele chamava de Matatias(coisa de cuiabano, "apelidar os amigos").
A bronca minha e dos meus irmãos era que o meu pai pedia para o corte ser igual a de soldado,imagine a briga!Bons tempos.
Hoje,são os meus filhos os seus clientes
 
Jary Castro em 18/06/2012 10:41:01
Anginha quando leio uma matéria cheia de sensibilidade e conteúdo já reconheço, sei que é sua. parabéns garota!!!! Está com ótima atuação: jornalismo diferenciado pelo foco humanista. Valeu !!!
 
Sandra Freitas em 18/06/2012 09:32:13
Tenho orgulho de dizer que sou neta do Policarpo. Em cada dia, cada conversa, aprendo algo novo sobre sua história e a de Mato Grosso do Sul.
Sempre que um amigo meu descobre que sou neta dele, já me vem contar um monte de histórias e dizer "sempre comprei fogos com seu avô" e termina sempre dizendo que meu avô sempre foi um homem atencioso, dedicado ao trabalho e sorridente.
Ele merece!
 
Bruna de Lima Zampieri em 18/06/2012 08:22:49
Conheci o Sr. Mathias desde 1978. Na época, eu e meus amigos comprávamos fogos para comemorar as vitórias do Galo da Bandeirantes, e muito mais! Conheço filhas e netos dele. Boa pessoa. O mais interessante, é a longevidade do seu empreendimento que está ativo por mais de 40 anos! Mais antigo que ele, só as Casas Pernambucanas. Parabéns!
 
João F. Lopes em 18/06/2012 07:34:10
Geeente esse Senhor é uma graça!!! Semana passada estive em sua loja para comprar fogos de artificio para comemorar o fim da minha faculdade e tive um atendimento ótimo e cheio de histórias!! Bem do jeito que falaram na reportagem.
 
Geicieny Oliveira em 18/06/2012 07:19:39
Sr. Policarpo! Nem conheci o senhor, mas já fiquei orgulhoso de saber que existe pessoas como o senhor que ajudou muito o desenvolvimento de Campo Grande!!!! Parabéns que Deus o Abençoe >>>> Até Logo
 
Getulio Albuquerque de Moura em 18/06/2012 06:46:22
olá!.. seu policarpo conheci o senhor , através de seus filhos na escola joaquim murtinho. pegavamos fogos escondido do senhor . o tempo passou mas sua fisionomia não mudou daqueles tempos parabéns.
 
edsondeoliveira em 18/06/2012 04:41:06
TAMBEM LEMBRO-ME QUE QUANDO CRIANÇA LÁ PELAS DECADAS DE 60 O SR.MATIAS TINHA UMA MALINHA E CORTAVA NOSSO CABELO. AI PELAS BANDAS DA CASTELO. ONDE ELE TINHA UM PEQUENA FRUTARIA E CORTAVA CABELO A VULSO. RSRS BOAS LEMBRAÇA
 
valdemir pinto costa [ BONITO MS} em 18/06/2012 04:19:17
A primeira vez que comprei fogos com o Sr. Matias, foi no dia 13/10/1977 e até hoje ainda compra, aliás, é só lá que compro fogos e ele sempre com esse sorriso e com essa simpatia, que é a sua marca registrada. Ele merece essa homenagem. Que Deus te abençoe.
 
Sérgio Onça em 18/06/2012 02:06:20
Ow tio matias, ta famoso hem, uma historia de sucesso, que conseguiu com muito esforço e honestidade, parabens, que Deus te de muita saúde, o Sr é exemplo para muitos, que com criatividade, uma pitade de humor, e seriedade e muito suor, pode chegar longe... abraços!!!
 
Michael Vitor em 18/06/2012 01:17:03
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