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Campo Grande, Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

25/09/2012 14:26

Para se apaixonar... as histórias de quem vive um amor por cartas

Paula Maciulevicius
O laço leva parte de uma mulher apaixonada pelo homem de sua vida. Histórias de amor que se passam por cartas. (Fotos: Minamar Júnior)O laço leva parte de uma mulher apaixonada pelo homem de sua vida. Histórias de amor que se passam por cartas. (Fotos: Minamar Júnior)

“Seja meu como sou sua”, diz ela. “Você sabe que me faz falta”, responde ele. Iniciais escritas em corações numa folha de caderno ou bordados em toalhas. Juras de amor eternas. A dor da saudade trocadas em cartas entre as ruas Uruguaiana e Indianápolis.

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Os dois estão em Campo Grande, mas a distância que os separa ultrapassa qualquer quilometragem. “Eu necessito. Eu preciso das suas cartas”, suplica ele. “Às vezes fico olhando a janela e procurando você e você não está, que amor é este que nunca está aqui?”, pergunta ela.

Ela é Vilma Moraes, 34 anos. Ele é Júnior César Pereira, 30 anos. Há oito meses é só por cartas que se falam. Juntos criaram na escrita um refúgio para quem vive um amor trancafiado. Ela esperou um mês até a primeira notícia chegar. Foi ele quem rascunhou as primeiras palavras de amor.

“Ele diz que me ama muito, que eu sou a mulher da vida dele”. “Eu me entreguei mais às cartas. É quase uma visita pra mim. A pessoa abre o coração. É o meio da gente conversar”. Os dois desabafam, um de cada vez, ao Lado B.

Todos os dias o casal tem a mesma rotina em ambientes diferentes. No final do dia, ela sobe à cama, pega o caderno e escreve como foram as últimas horas. Ele, após a jornada de trabalho e estudo, termina o dia em declarações de amor.

Um sorriso. Os olhos que brilham quando Vilma fala de Júnior. Ali ela é uma mulher apaixonada, como tantas outras que vivem o amor em liberdade. Um sorriso. Os olhos que brilham quando Vilma fala de Júnior. Ali ela é uma mulher apaixonada, como tantas outras que vivem o amor em liberdade.

“Tudo o que vem na minha mente, eu escrevo”. Vilma é uma mulher apaixonada. Tem nos braços o nome do amor e nos olhos o brilho de quem vive um conto de fadas, criado pelos dois e alimentado a cada entrega de cartas.

“É algo que me domina, me transporta para outro mundo”. Ele contabiliza 70 envelopes. Ela, mais de 400 folhas. “Quem inventou as grades não sabia a dor da saudade”.

As cartas endereçadas a ela são entregues no Presídio Feminino. O que ela escreve a ele termina na cela do Instituto Penal de Campo Grande. Eles estão privados da liberdade, mas não de amar. Demonstram no carinho das palavras e no capricho das cartas que amam como qualquer um em liberdade. Que amar não é crime e que sofrer por um amor entre grades é muito pior.

“Eu choro, eu fico feliz de receber a carta. Tudo demonstra que ele gosta de mim mesmo. Que saudade de você meu amor”, ela diz à equipe, sabendo que ele depois, vai ler.

Presos juntos, por tráfico de drogas, cada um está pagando a sua pena. Mas mesmo atrás das grades, Júnior ainda consegue ser o ombro para a mulher amada.

“Eu pego a caneta e escrevo para a mulher que eu amo palavras de força, para fortalecer ela lá. Nem eu imaginei que ia escrever, mas fui me apegando a esse negócio de carta. Eu te amo, eu te adoro”.

A forma de contar se mistura à paixão que os dois aprenderam a demonstrar pelas palavras. Nos dois depoimentos, o casal começa abrindo o coração para a reportagem e terminam em frases de amor voltadas um para o outro.

Ao contar do dia-a-dia, Júnior fala de acordar cedo, trabalhar, estudar. Circula entre as grades como quem cruzasse a rua. Sensação de liberdade que as cartas lhe deram. “Ajuda bastante, eu saio do espírito da cadeia. Eu sou livre quando estou escrevendo”.

Ela, não se contenta em falar de sua história de amor. Escolhida pela Agepen por ser a mulher que mais gastou folhas de cadernos em cartas quilométricas, Vilma pula de alegria quando o Lado B diz que também vai falar com um preso.

O sorriso se abriu quando ele ouviu que ela está bonita. “Vocês falaram com ela? Assim de pertinho também?”. O coração de um homem que ama também sofre a saudade. O sorriso se abriu quando ele ouviu que ela está bonita. “Vocês falaram com ela? Assim de pertinho também?”. O coração de um homem que ama também sofre a saudade.

“Um preso? Chama o Júnior. Tem que ser o Júnior! Por favor, pede para falar com ele, pede, pede”. Ali ela não era uma presa. Era uma mulher amando, que pedia a mim, a ajuda que pediria a uma amiga para ter qualquer contato que fosse com o amado.

“Diga a ele que estou bonita e sorridente, por favor. E foto você pode tirar uma foto para eu mandar pra ele? É que ele não me viu assim ainda, eu coloquei dois dentes”, aponta para a própria boca.

Atendemos o pedido e um dia depois Júnior também se abriu ao Lado B. “Vocês falaram com ela? Assim de pertinho também? Como agora? Que massa”. A alegria no rosto dele era de um homem se recordando do semblante da mulher que ama.

“E como ela está? Ela está bonita? Ela está magra? Engordou?”. A resposta que lhe abriu o sorriso foi de que ela está loira e, sim, bonita. Se o amor ilumina o rosto, o deste casal, mesmo separados pelas grades, esbanjava paixão.

A ‘branquela’ e o ‘meu preto’ só escrevem um para o outro. Amor e consolo de não ter contato com a família. Os dois não têm notícias dos familiares desde a prisão. A irmã de Vilma até a visitou uma única vez. Um tem apenas ao outro.

Paralelo às cartas de amor, estão os chefes de segurança de cada presídio. Erênia Ramona, tem 51 anos e 30 de sistema penal. Walter José Cardoso, 49 desde o nascimento e 23 do que ele chama de ‘sacerdócio’, ajudar na ressocialização de presos.

As cartas de amor passam por eles todos os dias. A parte do serviço que arrancam suspiros. Eles são apenas dois que junto de outros agentes penitenciários olham, em média, as 400 cartas que saem dos presídios da Capital.

“São 20 anos fazendo a leitura das cartas. Elas são muito apaixonadas, com dizeres lindos, falam muito em Deus, em reconstruir a vida. Este marido, o Júnior, conseguiu por uma carta mudar a Vilma. Ele incentivou ela a trabalhar, a estudar e isso através de uma carta”.

Entre as 10 cartas que lê diariamente, Walter não nega a emoção. Ele também se contagia. “Você vê que duas pessoas ainda que separadas assim, sentem amor e romantismo. É uma forma de matar a saudade, de dar carinho”.

Todos os dias ele vê nas escritas dos casais as próprias histórias de amor. Personagens e enredo que dariam uma novela. De viver um romance separados pelas grades.



Ah muito lindo vivo uma historia muito triste porém confio em Deus que meu amor um dia poderemos ser felizes novamente somos casados somos 2 homens ele esta preso vivemos o nosso amor por cartas e visitas porém estamos confiante que nada nem a distancia e nem os anos irão separar o grande amor que temos um pelo o outro
 
Jhonata Guimaraes em 09/02/2014 13:13:31
Lindo , tbm estou passando por uma situação assim , porém o meu namorado é quem esta preso , a distancia so aumenta o amor , a prisão é uma chance que deus da para nós podermos refletir sobre as maravilhas que a no mundo , que vem da parte de deus , hj eu e meu namorado temos um relacionamento maduro , sabemos como é difícil e insuportável ficar longe um do outro ! Todos merecem viver o amor e merecem uma segunda chance !
 
Letícia Sabrina em 01/12/2013 21:39:24
E essa historia e linda mesmo pois tambem vivo uma historia dessa amor atraves das cartas
eu amo muito ele tambem bjos fiquem com deus
 
paula felix em 09/01/2013 16:43:25
CONHECI O JUNIOR NO INSTITUTO PENAL, TRABALHEI COMO PROFESSORA DELE POR ALGUNS DIAS.....E REALMENTE ELE É MUITO APAIXONADO PELA VILMA..FALA DELA O TEMPO TODO.
 
DENISE LOPES em 08/11/2012 14:10:10
eu confirmo , vilma é uma mulher realmente apaixonada, trabalho lá e ela grita o dia todo juninhoooooooooo, e diz dona dalva a senhora já viu um amor assim????? parabéns a reportagem, o amor é uma coisa divina e abençoada por deus, apesar da circustancia...
 
DALVA LOUREIRO SARAVY em 28/09/2012 10:23:35
Boa matéria Paula, meus parabéns, uma historia muito bonita!
 
Michel Dos Santos em 27/09/2012 12:43:11
Realmente lindo...Todos temos o direito de amar, mesmo que desta forma talvez não muito boa. Mas VC saber que tem alguém que lhe ama com tantos problemas envolvidos e sabe valorizar o amor é algo radiante. Fico feliz por saber que não importam as diferenças e eles ainda se amam e se completam. Como disse escrito acima Personagens e enredo que dariam uma novela. De viver um romance separados pelas♥
 
Déborah Suellen em 26/09/2012 09:39:53
Ah que lindo! Me emocionei... ;)
 
JESSICA MACHADO em 26/09/2012 09:24:55
Depois que o casal destruiu várias famílias, com seu tráfico de drogas, tentam reconstruir a deles...
Eles tem todo o direito a serem felizes, mas podiam faze-lo sem ter feito o que fizeram.
Somente após estarem preso é que deram valor à liberdade e à felicidade. Só espero que quando saírem arrumem uma ocupação lícita e que nunca mais destruam outras famílias.
 
Rodney OSilva em 26/09/2012 08:44:35
Enquanto existe amor no ser humano...há esperança!
 
Louise Gomes em 26/09/2012 08:38:13
Que linda reportagem, estão de parabéns.......

O verdadeiro amor começa quando se pode amar um ser tal como ele é, e não como se imaginou que fosse.

 
Girlane Pereira em 26/09/2012 08:31:00
Eu também acreditava muito no amor, mas depois que casei... Rapaz a mulher se transformou num trem em descarrilhamento.
 
jose carlos silva em 26/09/2012 08:20:00
parabéns campo grande news por essa matéria tão linda, que essa cartas de amor possam mudar o rumo da vida desse casal muito apaixonado. eu também me correspondia durante muito tempo com a minha mãe que mora no nordeste, gente é muito bom, muito emocionante a cada cartinha eu chorava muitooooooo. hoje nos falamos mais por telefone, mas ainda escrevo de vez em quando para minha mainha!
 
josenira ferreira da silva em 26/09/2012 08:08:43
Nossa.. ...como sempre mais uma reportagem de nos arrepiar, quem a escreve tem um sentimento HUMANO imensoo... a sensibilidade nas palavras faz com que agente se coloque no lugar e no momento, nos relembrando de uma epoca que nos deixou saudades... Parabens Paulinha por mais esta linda reportagem..
 
Fabiola Higa em 25/09/2012 09:34:25
Excelente reportagem, com um gosto de saudades. Sou do tempo que não havia e-mail, torpedos e SMS e, assim como eles, vivi um grande amor por carta!
 
Diogenes Duarte em 25/09/2012 06:45:36
Parabéns! Reportagem muito bem escrita.
 
Luisa Romero em 25/09/2012 05:56:14
MEUS PARABENS POR ESTA REPORTAGEM REALMENTE DE EXCELENCIA...
 
JEFFERSON DOS SANTOS em 25/09/2012 05:13:00
Parabens Campo Grande News pela excelente matéria, parabéns a vilma e ao junior que par hein' que amor , que romance, realmente algo que transcede as grades de qualquer prisão, que este amor ainda seja o principal motivo para a reconstrução das vidas dessas duas pessoas.. e que a sociedade ao invés de acusar.. seja o intermédio de ajuda a quem tanto precisa de uma nova chance para mudar ser feliz.
 
Gabriel Guimarães em 25/09/2012 04:58:57
Linda história de amor, mesmo separados ainda continuam se amando.... espero q reflitam sobre suas vidas durante esse período em q estão detidos e qndo ganharem direito à liberdade saibam aproveitar-la da melhor forma possível. Belíssima matéria me emocionei.....parabéns à reportagem do Campo Grande News.
 
Eliane Anjos em 25/09/2012 04:27:57
Nossa como é lindo saber que ainda existem amor em meio as diferenças. Para muitos da sociedade que ainda não acreditam mais no amor.
 
Rafael Dias em 25/09/2012 03:23:04
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