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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

25/11/2011 10:48

Sem cremes e personal, presidiárias aparecem lindas em concurso de beleza

Ângela Kempfer e Viviane Oliveira
Concurso ocorreu ontem, no presídio Iremã Irma Zorzi, em Campo Grande. (Fotos: Viviane Oliveira)Concurso ocorreu ontem, no presídio Iremã Irma Zorzi, em Campo Grande. (Fotos: Viviane Oliveira)

Sem cosméticos de luxo ou personal trainer e com a vida sedentária quase que obrigatória, há quem vire miss.

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Nos presídios femininos de Mato Grosso do Sul, o concurso de beleza é uma das poucas diversões de mulheres que acabaram presas, a maioria por tráfico, durante namoros ou casamentos tumultuados.

Ontem, mais de 200 fizeram a torcida da campo-grandense Kettryllen Ayummy, de 19 anos, uma linda japonesa de cabelos longos e negros, há nove meses presa por tráfico no bairro Jóquei Clube.

A garota venceu. É a Miss Presídio MS 2011, um dos poucos sonhos possíveis diante de tantos outros que parecem cada vez mais distantes na cadeia.

A vida na periferia de Campo Grande sempre foi difícil, pelas ruas com amigas que cresceram juntas, mas a maior transformação ocorreu por conta de uma paixão. “Na época da prisão eu era casada e o marido também foi preso com drogas. Cheguei a ter um filho, mas nasceu com problemas e morreu no mesmo dia”.

A mãe, sem emprego no Brasil, agora mora no Japão, e a menina teve de ser criada pela avó. “Quando sair daqui vou morar com minha avó que está me esperando”.

Super vaidosa, diz usar hidratante, mas não tem muita escolha. “Uso o que minha avó traz para mim. Gosto muito dos meus cabelos”, conta.

O concurso abriu de novo a vontade de sonhar. “Quem sabe pode pintar um trabalho como modelo fotográfica”, diz a menina de nome difícil.

Para amenizar os dias de encarceramento, Kettryllen ganhou como prêmio um aparelho de DVD, bom para as colegas de cela que de tabela ganham um passa-tempo.

Torcida em dia de concurso.Torcida em dia de concurso.
Segunda colocada, Sidinéia Hipólito Silvério, 23 anos.Segunda colocada, Sidinéia Hipólito Silvério, 23 anos.

A candidata que levou o segundo lugar também ganhou prêmio bom para a coletividade, um ventilador.

Sidinéia Hipólito Silvério, 23 anos, mora em Paranaíba, mas representou Três Lagoas na disputa. Viajou para a Capital em uma viatura da Polícia, algemada no camburão.

Ela tem uma filha de 1 ano e seis meses que fica com a avó. Antes de ser presa por tráfico de drogas ela trabalhava em um dos frigoríficos da região.

Sidnéia é alta e magra, um bom começo para uma miss. “Sempre fui assim e não faço dieta e nenhum tipo de ginástica para manter o corpo”, esnoba.

Para a presidiária, o concurso é mais que um dia de beleza. “Nós somos muito discriminadas por que estamos aqui dentro”. É mais uma que agora pensa em seguir a carreira de modelo.

As seis concorrentes na final do concurso estadual, Bataguassu, Corumbá, São Gabriel do Oeste, Rio Brilhante, Três lagoas e Campo Grande, desfilaram primeiro o traje fantasia, depois de maiô e por último com vestido de gala, tudo conseguido pela iniciativa de diretoras e funcionárias das penitenciárias.

Terceira colocada no concurso, de Angola.Terceira colocada no concurso, de Angola.

Angola - Em celas com lotação máxima, Visolela de Almeida Carlos Branco, 29 anos, tem o sotaque diferente. É angolana, mesma naturalidade da miss Universo, Leila Lopes.

Mas, é claro, as histórias das duas são bem distantes. Visoleta trabalhava como cabelereira, virou traficante e foi presa em Corumbá.

No concurso conseguiu a terceira colocação. “Em meio de tanta coisa ruim, hoje esqueci os problemas e estou aqui para me divertir”, mas com o olhar triste diz que sente falta da torcida da família. “Eu estou aqui sozinha, não tenho família no Brasil. Quando sair da cadeia pretendo voltar para o meu país e seguir minha vida”.

As candidatas.As candidatas.



Concordo com a ARLETE DOS SANTOS VALENTE. Todos merecem uma chance... Parabéns aos organizadores... essas mulheres merecem são lindas precisam se distrair e também não esqueçam de qualificarem que possam se reintegrar em nossa sociedade...
Parabéns aos organizadores...
Um grande abraço.
 
vanderson de souza jara em 26/11/2011 10:51:34
Parabéns aos organizadores do evento, isso demonstra um grande passo para que as detentas reconheçam que ainda podem mudar de vida, e so continuam na vida errada quem quer, muitos sonhos podem ser realizados. O primeiro é a mudança de vida, é acreditar que tudo pode ser transformado para melhor de forma lícita. Sou a favor da ressocialização.
 
arlete dos santos valente duarte em 25/11/2011 12:35:19
Muito válido esse tipo de evento, elas merecem sim , estar num lugar desses ela tbem tem o direito de se sentirem gente e ter um pouquinho de alegria e divertimento.
Não é pq erraram que perdem a dignidade. Que elas tenham um ânimo de serem felizes e tudo na vida passa e elas sairão de cabeças erguidas.
 
Lyvya Aline Santos em 25/11/2011 04:21:07
meninas bonitas,elas só tem que aprender que essa vida é sem futuro,trabalhem,estudem que suas vidas seram bém melhor,porque do contrario o fernadinho beira mar tava de BOA,NO ENTANTO TA PRESO COMO VCS.
 
zurma pereira prates em 25/11/2011 02:44:16
Aos organizadores desse evento que me desculpem, não concordo com esse tipo de atividades para quem está precisando se restaurar, isto é deixar de lado o que é desonesto e procurar um serviço dígno e integrar-se na sociedade. Essa moleza dentro do presídio que leva a repetir o crime. Acho que poderiam oferecer cursos profissionalizantes como cabeleireira, enfermera, cozinheira, secretária.....
 
Elza Farias em 25/11/2011 01:54:54
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