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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

18/10/2014 07:53

Dia do casamento não precisa de muito, serve até carro amassado e atolado

Lenilde Ramos
Dia do casamento não precisa de muito, serve até carro amassado e atolado

Nos conhecemos no Colégio Dom Bosco, eu 20, terminando a faculdade, ele 16, terminando o ensino médio, puro "Eduardo e Mônica" do Legião Urbana. Com 17, me pediu em casamento, mas namoramos até ele inteirar 21 e começamos a organizar civil e religioso, à nossa maneira. Minha irmã tocava na banda do Rádio Clube: Agápito Ribeiro, Antônio Mário, Geraldo e convidamos Sylvia Cesco, namorada do Antônio Mário pra cantar também.

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Escolhemos um poema de Fernando Pessoa que o Frei alemão não conhecia mas, gostou. Quando ouviu que um "conjunto de baile" ia tocar na igreja, torceu o nariz mas, deixou. Quando pedi que tirasse do texto aquela parte que diz: "o homem é a cabeça da mulher", o frei alemão chiou e, quando ficou sabendo que meu vestido era um modelo indiano, embrabeceu bonito: "Porrr acaso a senhora vai entrarr na igrrreja montada num elefante???". Tentei acalmá-lo e, pra me dar uns apertos ele disse que tínhamos que nos confessar antes da cerimônia. "Caramba... pirigas o frei ter um ataque do coração!".

Marcamos a confissão e, em vez de me perguntar quais eram os pecados, disse: "A senhorra está em estado de grrraça?". Claro que estava e respondi com a maior convicção. A confissão acabou ali e o frei me despachou espumando!!!

A manhã daquele 29 de janeiro estava esplêndida. A capela do São Julião repleta com a família, amigos e os hansenianos. Em 1977 o preconceito ainda corria solto, por isso algumas pessoas não foram com medo de seus próprios medos. Quem foi, adorou! Saímos de lá para a Fazenda Rancharia, onde hoje é o Condomínio Dahma e... caiu o maior toró. As crianças escaparam pra tomar chuva com seus vestidinhos de butique. A mães tiveram que se molhar pra tirar as crianças dali.

Emprestamos nosso carro para um amigo buscar a namorada e... ele bateu na Afonso Pena. Chegou amassado e ensopado. O noivo foi dar um rolé, escorregou no barro e o terno branco foi pro brejo. Eu o esperava pra cortar o bolo e ele chegou descalço, calças dobradas no joelho e sem camisa. Ainda bem que o paletó tinha ficado comigo. Ele vestiu o paletó e fez a pose.

Depois de tudo isso, achamos que era hora de escapar de fininho. Entramos no carrinho amassado e... atolamos na primeira curva. Descer pra empurrar??? Nem morta!!! Meu vestido ainda estava intacto! Sorte que apareceram uns convidados e nos fizeram a "gentileza" de enfiar o pé no barro. Mas foi tudo lindo, emocionante e... inesquecível! Com certeza !!!




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