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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

24/02/2016 13:18

Dom Aquino anda às moscas, é como se o Centro acabasse na Calógeras

Adriano Fernandes
Na loja de móveis usados, o cliente pode alugar os artigos para festa e até pimenta.Na loja de móveis usados, o cliente pode alugar os artigos para festa e até pimenta.

É um contraponto curioso para não dizer preocupante o paradeiro em alguns comércios do centro de Campo Grande. Para quem passa por trechos de ruas como a Dom Aquino, a baixo dos trilhos da esplanada ferroviária, por exemplo, fica claro que o movimento por lá miou e a justificativa passa longe de ser a crise econômica. 

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O sapateiro Gonçalo, já morou até na Europa e até no próximo mês se muda da Dom Aquino. O sapateiro Gonçalo, já morou até na Europa e até no próximo mês se muda da Dom Aquino.

Quem confirma são os próprios lojistas que mesmo mantendo os preços muito baixos, tentam se virar como podem para não fechar as portas. Há 16 anos a empresária Ana Luiza dos Prazeres, de 37 anos, abria no número 1031 da rua a loja de móveis usados, "Bom Jesus".

No estabelecimento de compra, venda e até troca de móveis, um dia o movimento de clientes foi intenso, quando a antiga rodoviária funcionava na região. “Aqui era corredor de passageiros que viam do interior ou de fazendas e era mais fácil vender. Eles viam atrás de bom preço e se o móvel era bom, nem sequer pechinchavam”, lembra.

Mas os tempos passaram, veio a mudança de endereço do terminal e o movimento cai a cada ano. Onde antes se achava só móveis usados, Ana passou a também alugar artigos infantis para festas e tem até pimenta. Tudo para complementar a renda já que o carro-chefe da loja, por si só, não se sustenta mais.

O estoque de móveis foi reduzido aos poucos. Ainda há televisores, geladeira e até máquinas de costura. Até algumas das peças da decoração que Ana aluga é ela mesma quem produz. “Os poucos clientes que eu tenho são clientes fixos e mesmo assim, atendo no máximo uma festa por semana. Um ou dois por dia”, comenta.

Quase em frente ao negócio de Ana, o comerciante Aguinaldo Vieira de Souza, de 39 anos, diz que houve dias em que o faturamento não passou de R$ 15,00. “Tem dias que entra um cliente na loja. Tenho roupas estocadas há meses. Só não saio daqui ainda porque minha esposa tem outra loja em outro endereço, o que ajuda a complementar a renda”, se queixa.

“Esse trecho da Dom Aquino necessita de uma revitalização. É como se o centro de Campo Grande só existisse até a Rua Calógeras”, desabafa.

No salão de beleza, nem o corte masculino custando R$ 10,00 chamou a atenção dos clientes.No salão de beleza, nem o corte masculino custando R$ 10,00 chamou a atenção dos clientes.
O preço das roupas no brechó Samá Modas custa de R$ 5,00 até R$ 30,00. O preço das roupas no brechó "Samá Modas" custa de R$ 5,00 até R$ 30,00.

De sapatos Vizzano a vestidos de festa, o senhor Ocimar Guilherme garante que tudo que vende na “Samá Modas”, sua lojinha na Dom Aquino, custa no máximo R$ 30,00. Mesmo com o preço camarada ele se queixa da falta de clientes.

“Quando vendo muito, são dez peças em um dia. Me ´viro` de alguns bicos que eu faço, porque só com o lucro da loja não é o suficiente”, diz. Mas enquanto o comerciante ainda faz questão de se manter por ali, o sapateiro Gonçalo Martins da Silva pretende se mudar do endereço já no próximo mês.

O motivo ele resume: “Está mais parado que água de poço”. Na Dom Aquino, ele está há pouco mais de um ano, mas até na Europa ele já viveu, por 10. “Esta região ainda é muito mal vista pela população. Foi ponto durante muito tempo de drogados e depois que fecharam a rodoviária o movimento diminuiu muito”, reclama.

Com direito a estrutura grandiosa, o salão de beleza "NetyElite" tenta chamar a atenção pelos preço baixos, mas o fluxo ainda não anima. No local, o corte feminino, seguido da hidratação e a escova no cabelo, custa R$ 50,00.

A manicure cobra R$ 25,00 pé e mão e a proprietária Maria Ivonete Ferreira, de 57 anos, passou a oferecer até mega-hair para as clientes, na tentativa de emplacar o movimento.

“Achamos que com a construção da Esplanada Ferroviária ia aumentar o movimento, mas nada. Minha estrutura comporta o atendimento de até 30 clientes, mas já tiveram dias em que não atendi nenhum”, se queixa.

Dona Maria brinca que até o cabeleiro Orlando do Muquifo da Dom Aquino, que já foi pauta aqui do Lado B, ela já quis contratar para aumentar o movimento do salão. 

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