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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

26/11/2016 07:10

Entre geleia e pão de mel, 3 famílias abrem quitanda com o que sabem fazer

Paula Maciulevicius
A galera por trás da quitanda: três famílias e nove pessoas que pensam o consumo consciente no coletivo. (Foto: Marina Pacheco)A galera por trás da quitanda: três famílias e nove pessoas que pensam o consumo consciente no coletivo. (Foto: Marina Pacheco)

Três famílias, nove amigos, receitas carregadas de amor e costuradas com carinho. Há pouco mais de um mês, Fernanda, Taiza, Bruno, Denise, Onça e Brittes se organizaram num coletivo que fala muito deles e mais ainda de um consumo consciente. Da "Quintada crias artesanais" saem pão de mel, geleias, quadrinhos, artesanato e costura, onde a matéria-prima é a empatia e o respeito. 

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Contando com as "crias", eles são em nove. Bruno e Taísa tem Rudá, de 4 meses e estão nessa junto com Denise, a mãe dele. Fernanda é mãe de Bia e Onça e Brittes, pais de Elis. Por eles e com eles a Quitanda engrenou e a ideia é divulgar essa forma de se organizar para o mundo. 

"O quitanda são várias coisas. Para criar os meninos, pelo menos é essa a minha história e do Bruno, não queríamos que o Rudá crescesse longe dele. Trabalhar fora, 8h de trampo, 2h de condução... A gente queria ver ele crescer junto, dividir isso. Mas como ter dinheiro?" se perguntou Taiza Falkembak Celestino, de 22 anos.

A resposta foi encontrada em conjunto com os amigos. "Já faz um tempo, antes mesmo de ter filho, a gente tenta se organizar em grupos para trabalhar em forma de cooperativa. E na hora que todo mundo se viu com filho, pensou: vamos pegar o que a gente tem no quintal e fazer", completa.

Receita de família, pão de mel é vendido por R$ 3,50. (Foto: Marina Pacheco)Receita de família, pão de mel é vendido por R$ 3,50. (Foto: Marina Pacheco)
A forma de trabalho não separa pais das crianças que participam de cada aprendizado dos pequenos. (Foto: Marina Pacheco)A forma de trabalho não separa pais das crianças que participam de cada aprendizado dos pequenos. (Foto: Marina Pacheco)

A ideia se aprimorou a partir do primeiro coletivo de comunicação, "contra-mola", surgido anos atrás. "A gente sentiu a necessidade de um espaço que fosse para as famílias também. Aí vieram as crianças e você está fazendo um negócio ali, brincando e foge do trampo convencional", completa Bruno Diniz Vale, de 27 anos.

O pontapé inicial da Quitanda foi quando o grupo foi até o assentamento e deu de cara com um pé de amora. "Minha cabeça funciona a base da comida. Eu amo dando comida e quando eu vi aquela baita árvore de amora, veio na hora: "ahhh, geleia", conta Fernanda Oliveira de Santa Rosa, de 25 anos.

Produtos - E o que sai do quintal da quitanda? Tudo o que eles puderem apanhar da chácara onde moram Taiza e Bruno, do assentamento futuro, da casa da sogra, dos amigos e da própria rua. 

Geleia, pão de mel e de artesanato, pirografia em madeira e abajur. "São os produtos que estão na página, mas a gente pretende pegar madeira fazer arte decorativa, já tentou fazer torta, mas ainda não entrou no Quitanda, estamos vendo e aprimorando", explica Taiza. 

Ela vai ficar com a parte de costura, enquanto Fernanda e Denise, na cozinha, com as geleias. Onça e Brittes com o pão de mel. "A gente tenta pegar o que cada um fazia e gosta de fazer, senão se transforma num trabalho normal", ressalta Fernanda.

De manga, geleia é uma delícia e bem fresquinha. (Foto: Marina Pacheco)De manga, geleia é uma delícia e bem fresquinha. (Foto: Marina Pacheco)

O pensamento é pautado na vibe do reaproveitamento, de um consumo mais consciente, evitando ao máximo de ir às compras. "Tentamos trazer da chácara, pegar daqui, a gente acredita muito nesse reaproveitamento da matéria", completa Fernanda.

O nome "quitanda crias artesanais" resume a organização, onde se vende de tudo um pouco e um lugar que também se possa produzir desse tudo. "E fomos tentando colocar as crias ao mesmo tempo, que são nossos frutos e é em função das nossas crias, como filhos", explica Anna Brittes, de 22 anos. 

E a maternidade tem influenciado e muito na forma de pensar e organizar o coletivo. "Essa questão me fez ficar preocupada com alimentação. Hoje eu preciso jantar uma comida que tenha nutrientes, não só para eu ficar saudável, como também para a Bia entender e ver que isso é gostoso", exemplifica Fernanda.

A geleia, carro-chefe da marca, é a prova. "Não tem conservantes, eu sei a quantidade de açúcar. O que a gente quer mostrar é que viver bem é gostoso, com produtos que a gente pode fazer sem gastar muito e que trazem história e energia. Acreditamos nisso", reforça Fernanda. 

E na prática, o convívio com os filhos tem funcionado muito bem. Enquanto a entrevista segue, Taiza responde amamentando Rudá. Fernanda se senta na cadeirinha que Bia aponta, para ficarem "iguais" e Elis prova dos sapatos da amiguinha Bia.

Bruno, Taiza e Rudá: nascimento do filho os levou a formar a Quitanda. (Foto: Marina Pacheco)Bruno, Taiza e Rudá: nascimento do filho os levou a formar a Quitanda. (Foto: Marina Pacheco)

Da organização financeira, a geleia que é um produto coletivo tem os lucros e as despesas divididas entre todos por igual e de cada projeto individual, 10% da venda é revertida para a própria Quitanda, um dinheiro que pode fortalecer a divulgação, por exemplo.

Os produtos e projetos não são engessados. De cada um pode vir uma nova ideia a ser posta em prática e a intenção é não parar de testar conhecimentos, mas sempre prezando o consumo consciente.

"A gente quer trabalhar um alimento que não tem veneno e não é feito a base da exploração. O consumo consciente é você consumir um produto que além de não fazer mal para você, não está fazendo mal para a pessoa que está produzindo", reflete Bruno.

Encomendas - Fazer à pronta-entrega ainda é risco para quem está começando, então eles optaram por aceitar encomenda, oferecendo no caso das geleias, as frutas da estação, o que evita também o desperdício. Os preços vão de R$ 10 até R$ 15,00 dependendo do tamanho.

O pão de mel é receita e responsabilidade do casal Sérgio Montier Onça e Anna Brittes. "Essa receita minha prima vende em Cáceres, no Mato Grosso. A gente já fazia, mas era só para comer mesmo, porque é gostoso", conta Anna. Depois de se tornar mãe, a rotina mudou e ela precisou rever muita coisa.

"A gente precisa ter dinheiro, mas não dá pra ter um trampo com horário de bater ponto. Você sacrifica tanto a relação com os filhos, quanto a vida. Entra numa rotina exaustiva, cansativa, onde se perde dos dois lados e muitas vezes faz o que não gosta", analisa.

Bom para todo mundo, a quitanda para ela é a oportunidade é seguir o que escolheu. "Fazer o que gosta, quando a gente pode e com o que a gente tem e sempre com muito amor. A gente tem muitos dons que não são reconhecidos como trabalho. As pessoas não dão valor se você não tiver uma carteira assinada", levanta.

E é isso que é repassado para frente. A dedicação é o tempero especial dos produtos, chega ao cliente como amor. "A gente espera que chegue. Eu acredito muito em energia e a que gente coloca fazendo o que a gente faz é de muito carinho, muita leveza, empatia e respeito sabe? É o nosso melhor para o nosso melhor", resume Fernanda.

Para acompanhar as ideias da Quitanda e provar das delícias, curta a página dessa família de amigos linda. 

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Nem parece trabalho e nem parece entrevista. Papo rola solto em meio aos quitandeiros. (Foto: Marina Pacheco)Nem parece trabalho e nem parece entrevista. Papo rola solto em meio aos quitandeiros. (Foto: Marina Pacheco)



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