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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

29/10/2013 06:25

Esqueça o que você sabe sobre o Paraguai, caso nunca tenha passado de Pedro Juan

Ângela Kempfer
O capricho no comércio é marca de muitos locais em Assunção.  (Fotos: Cleber Gellio)                          O capricho no comércio é marca de muitos locais em Assunção. (Fotos: Cleber Gellio)

No comércio da capital Assunção, não há mulheres ultra maquiadas, com cara de poucos amigos, sem paciência para atender aquele cliente caroço. Esta aí uma das vantagens para o turista ao avançar no país vizinho. Já os preços, decepcionam.

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No “Del Sol”, principal shopping center da cidade de cerca de 600 mil habitantes (sem contar a região metropolitana), o design indica sofisticação. Há muitas lojinhas multimarcas, mas também algumas de grifes poderosas, como Carolina Herrera, com bolsas lançamento a partir de 851 dólares e vestidos de cerca de 900 dólares.

Na parte esportiva, Nike, Puma, Adidas, New Balance oferecem uma cartela de produtos muito superior a apresentada em Pedro Juan. O estoque não é feito de falsificações ou coleções passadas dessas marcas. Mas os valores não são muito menores que os das lojas brasileiras.

A economia pode ser de R$ 30,00, R$ 20,00 no preço inicial, ou nenhum. No entanto, todo o turista consegue, no mínimo, 10% de desconto nas lojas, mas tem de pedir. Para uma mostra sobre preços, o Galaxy S4, por exemplo, custa mil reais. Já o perfume Allure, da Chanel, sai por R$ 215,00.

Na mesma região, em uma das mais privilegiadas de Assunção, também está o Shopping Mall Excelsior, bem mais simples, mas com lojas especializadas em eletrônicos e instrumentos musicais. Ao redor, uma dezena de vendedores ambulantes são a única semelhança com as ruas movimentadas da fronteira com Mato Grosso do Sul.

Pelas ruas, longe dos shoppings, perfumes e cosméticos têm valores menores em redes de farmácias, onde o desconto pode chegar a 25%, depois de um rápido cadastrou ou apenas a apresentação do RG brasileiro.

Preços populares estão no Mercado 4, uma região na periferia de Assunção também bem parecida com os becos de Pedro Juan Caballero. “É um lugar pitoresco, mas tem de ir com cuidado porque não é seguro”, avisa Heleno, um paraguaio que hoje mora em Minas Gerais, mas vira e mexe volta à Assunção para ver os amigos.

De saída, a propaganda do mercado mais tradicional da cidade é engraçada: roupas das melhores marcas, eletrônicos e "animais selvagens”.  Há de galinha a celular. Apesar dos preços serem bem menores, não há qualquer garantia de procedência, as ruas são sujas, mas para os corajosos é possível experimentar a popular culinária paraguaia.

Vendedor de chipa em feira de Assunção. (Fotos: Cleber Gellio)Vendedor de chipa em feira de Assunção. (Fotos: Cleber Gellio)
Artesanato em feira da Plaza de la Libertad.Artesanato em feira da Plaza de la Libertad.
Tatuador ao ar livre no Centro de Assunção.Tatuador ao ar livre no Centro de Assunção.

No Centro, na feirinha da Plaza de La Libertad, há bem menos barracas. É um lugar de artesãos, com redes coloridas, alguns produtos em couro e até bancas de tatuagem ao ar livre.

O tatuador é honesto, diz que não sabe fazer o trabalho como gostaria e reclama da falta de oportunidades no Paraguai. "Todo mundo tem de arrumar um trabalho. Eu tento fazer, mas aprendi na prática, sem curso. Por aqui não há treinamento, aprendemos fazendo", conta sob o olhar tenso do rapaz sentado e sofrendo com as agulhadas para ter nas costas a imagem de um Jesus Cristo todo torto, por R$ 60,00.

Ao lado, outro homem apresenta um calhamaço de desenhos a serem tatuados e em frente senhores passam os dias jogando dama e tomando tereré. Uma imagem muita parecida com a dos grupos da praça Ary Coelho, em Campo Grande.

Para comer, sempre tem algum vendedor com grandes bacias carregadas de chipa na cabeça e alguém vendendo gelo e água de tereré em cada esquina. 

Quem tem mais dinheiro, pode parar para almoçar em uma das principais churrascarias da cidade pelo preço de R$ 25,00. Depois, sentar para tomar um café e comer uma sobremesa cheia de doce de leite, o gosto mais comum nas confeitarias de Assunção. De brinde, leva o acesso à internet. Parece regra, todos os locais em que entramos ofereciam wi-fi gratuita.

É regra ter wi-fi no comércio da capital paraguaia.É regra ter wi-fi no comércio da capital paraguaia.

Nas lanchonetes mais sofisticadas e sorveterias, tudo é muito bem feito e limpo. Os preços deixam o cliente feliz. O expresso custa R$ 2,00, um pedaço de torta grande sai por cerca de R$ 4,00 e uma empanada vale entre R$ 2,00 e R$ 6,00, com muito recheio e fresquinhas.

Há redes especializadas em chipas, com a versão de milho, além da receita tradicional, conhecida pelos sul-mato-grossenses. Nessas casas, que estão em todos os bairros, aparentemente, a chipa é recheada com carne, com frango, com presunto e queijo ou é vendida aberta, tipo uma esfirra, com 4 sabores diferentes de queijo. Para acompanhar, uma Fanta Guaraná, que só encontramos ali.

O sorvete artesanal custa R$ 4,00, outro produto bem mais barato que o vendido no Brasil e de sabor idêntico.

Contraste - Triste é comer em um lugar cercado por vidros, tendo como paisagens famílias inteiras pedindo dinheiro nas ruas. São crianças, mães, uma escadinha de irmãos, sempre nos poucos semáforos instalados na cidade. Uns limpam carros, outros apenas pedem em um cenário urbano sujo, de prédios abandonados e patrimônio histórico sem cuidado.

O contraste também tem veículos com ferrugem evidente ao lado de carrões importados. No caos do trânsito sem regras, todos parecem sobreviventes.

 

Mas contraste são famílias inteiras pedindo dinheiro nas ruas.Mas contraste são famílias inteiras pedindo dinheiro nas ruas.

Com a frota caindo aos pedaços, o transporte na cidade é uma atração para quem tem bom humor.

No ônibus velhos, todos enfeitados, a passagem custa R$ 1,00. Quando você não tem troco, o motorista/cobrador não faz questão de ser simpático. Com 4 passageiros entrando só com notas altas, o condutor fecha a cara e manda todo mundo sentar ser pagar um centavo.

Em 3 dias, encontramos também todo o tipo de taxista: o conversador, o caladão, o grosseiro, o lento, o apressado e o golpista.

Carlos tem um táxi que parece um avião "teco-teco" com uma ave na turbina. Anda em segunda, cospe para fora do carro e só fala o nome se alguém perguntar, sem soltar nenhuma outra palavra até fazer a cobrança: “40 mil guaranis”, cerca de 20 reais por 15 minutos de corrida.

Daniel é o esquentado. Manda todo mundo entrar no táxi fumando, porque no Paraguai “isso não importa”. Não ensina como fechar o vidro porque “isso não importa” e manda o passageiro descer uma quadra antes do destino porque precisa virar à direita.

O quietão, que parece um senhorzinho exemplar, no meio do trajeto diz que não sabe o endereço, que não conhece pontos históricos como a catedral que fica nos fundos do hostel. Roda boa parte do Centro, pede informações e no fim ainda cobra o valor cheio, incluindo o tempo que ficou "perdido" pela cidade.

O único conversador sugere passeios, passa pela embaixada do Brasil e vai fazendo gracinhas em pouco português até o fim da viagem. No meio do caminho reclama do Paraguai, diz que o país está "14 anos atrasado" e ponto final, sem entrar em detalhes sobre como chegou a essa conclusão. 

Loja Carolina Herrera. no shopping Del Sol.Loja Carolina Herrera. no shopping Del Sol.
A cidade é cheia de boas confeitarias e lanchonetes.A cidade é cheia de boas confeitarias e lanchonetes.
Ao mesmo tempo, tem as origens do povo paraguaio nas ruas, como a menina fazendo artesanato na praça.Ao mesmo tempo, tem as origens do povo paraguaio nas ruas, como a menina fazendo artesanato na praça.
Frota de táxi não é renovada há décadas.Frota de táxi não é renovada há décadas.
Assim como os ônibus.Assim como os ônibus.



UMA PENA ALGUNS BRASILEIROS;FALAREM TAO MAL DE NOSSOS VIZINHOS;O POVO BOLIVIANO E BOM;EDUCADO;TRATAM BEM OS BRASILEIROS;A COMIDA DELICIOSA;FEITA COM INGREDIENTES NATURAIS;SEM ADITIVOS TEMPERO PRONTO.O CLIMA E OTIMO;CONHECER SANTA CRUZ;UMA CIDADE LIMPA;LINDA;COCHABAMBA;LA PAZ;FRIO DE 12GRAUS EM MEDIA;TARIJA;CHAMADA CIDADE DAS FLORES E DO VINHO;BENI;SUCRE;POTOSI;CIDADES BONITAS;AGUAS CALENTES EM ROBORE;COM SUAS AGUAS VULCANICAS;MEU MARIDO E BOLIVIANO;AMO A BOLIVIA;SEJAM EDUCADOS NAO GENERALIZEM;NUNCA FUI MAL TRATADA LA;MESMO ANTES DE CONHECER MEU ESPOSO.GOSTO DO POVO PARAGUAIO TAMBEM;CONHEÇO MUITOS PARAGUAIOS TB QUE MORAM NA BOLIVIA PARA QUE TANTAS CRITICAS DAS NOSSAS BOCAS DEVEM SAIR PALAVRAS DE AGRADECIMENTO A DEUS PELA VIDA QUE ELE NOS DA.
 
rejani rilke em 01/11/2013 09:20:21
Concordo totalmente com o Juvenal Coelho! Muito engraçado o jornalista dizer que tem mendigos e gente pedindo nas ruas... ahahahaahah... o Brasil (e lógico, Campo Grande) não tem diferença nenhuma nisso!!! Assunção é uma capital moderna e cosmopolita, com centenas e mais centenas de excelentes restaurantes, pubs e clubs. A arquitetura é muito mais charmosa e criativa que a de Campo Grande, por exemplo que é uma cidade monótona e com uma arquitetura super careta e enfadonha, com prédios e casas todos iguais (as construções todas aprecem caixotes de concreto).
Vou muito à Assunção por que tenho amigos lá e não teve uma única vez que tenha sido ruim! Pelo contrário, sempre é muito divertido! Também acho a cidade relativamente segura e tenho muito mais receio de ser assaltado em Campo Grande!
 
MARCIO RODRIGO MARCONDES em 30/10/2013 14:55:21
As vezes que viajamos para assuncion, estávamos com todos os item exigidos lá, porém eles inventam o que querem pra extorquir, num trecho da zona urbana de uma pequena cidade, cheia de lombadas, um policial nos parou, examinou todo o carro e documentos, não tendo com o que implicar inventou que a velocidade do carro estava acima do limite.
Detalhe: Não tinha radar nem outro tipo fiscalização eletrônica, muito menos placas indicando a velocidade permitida.
Moro na fronteira e acho que temos tantas opções aqui no Brasil pra nos sujeitarmos a tudo isso.
 
Vania Leite em 29/10/2013 23:36:11
Engraçado! Me pareceu que as pessoas que postaram comentários desconhecem a realidade brasileira. É como se aqui não tivessem os problemas que existem no Paraguai. Desigualdade social, mendigos, pedintes, prostituição, drogas, furtos, carros velhos, etc.
Estive algumas vezes em Assunción. Confesso que a cidade é bem mais limpa que Campo Grande. A comida é boa, o povo é atencioso. Quanto aos taxistas, digo apenas que são idênticos aos do Brasil - se bobear, trapaceiam mesmo com o usuário.
Assunción na época dos ipês floridos (lapacho) é linda!
Quanto à Bolívia, seria interessante uma matéria. Alerto para o fato de que as diferenças culturais são enormes: a comida é horrível, o boliviano é ríspido, seco, mal educado e odeia brasileiro. O táxi vai pegando todos que vão para o mesmo 'rumo'.
 
Juvenal Coelho em 29/10/2013 23:00:42
Matéria brilhante e convidativa, onde poucos brasileiros têm vontade de conhecer o outro lado da fronteira oeste sulmatogrossense... Fui algumas vezes a Assunção, e confesso que tenho medo de lá, infelizmente, pois fui extorquido por oficiais da policia paraguaia, pedindo dinheiro, dizendo que estava fazendo contrabando, (tinha uma máquina fotográfica já usada) criando e inventando situações, fiquei triste e decepcionado com tudo isso, entretanto é um país de contrastes que pode ser uma opção de viagem.... Contudo fico com os comentários anteriores, fazendo uma visita aos nossos hermanos bolivianos, que é um país maravilhoso, lindo, com uma cultura inigualável, sugiro a todos... enfim parabens pela materia
 
Marilene Nolasco em 29/10/2013 20:20:36
Já estive em Assunção, e vc conseguiu dar um panorama real sobre a cidade, é bem isso mesmo, o contraste do rico com o pobre, isso é evidente, há também vendedores de mate em vários lugares, principalmente na rodoviária.
Os paraguaios são muito hospitaleiros com os brasileiros, tem pessoas na rua que até que pedem pra tirar foto contigo, eu até me senti um verdadeiro global hahaha!!!!
Ah! nas lanchonetes os lanches eles usam muito o tempero tomilho, que eu acho particularmente muito forte
Vale a pena conhecer Assunção.
 
Zé Luiz em 29/10/2013 20:07:14
Não vá também de ônibus (Expresso de La Amabay). Chegando em Pedro Juan pedem para fazermos uma baldiação e o pior levam nossa RG para fazer o "permisso". Isso demora no mínimo 30 minutos. É constrangedor. Eles podem fazer o que bem entender com seu documento. Aí colocam vc em qualquer poltrona q esteja vazia, sem obedecer a numeração que está no seu ticket. Eu fui parar quase na última poltrona, em frete ao banheiro. Imagina a situação. Reclamar com quem? E o pior, tem gente que viaja em pé. É feio.
 
Albert Barbosa em 29/10/2013 18:36:16
Já fui. Já aviso que tem que levar uma graninha extra para a propina da polícia. Lá a polícia é mais perigosa que o bandido.
 
Fernando Valença em 29/10/2013 18:02:33
para viajar no paraguay eles exigem que o veiculo tenha 02 triangulos e usar farol no transito, se estiver correto com a documentação não tem porquê eles extorquirem.
 
Meire Oliveira em 29/10/2013 14:36:44
Matéria bacaníssima! Poderiam fazer uma sobre a Bolívia, que tb faz fronteira com nosso estado. Parabéns!!!
 
leonardo de frança em 29/10/2013 14:19:36
CARLOS ROBERTO.ANINA CHECHENTA!!!!!!CALMA CHAMIGO!!!

 
ARLINDO GUILHERME DOS SANTOS FILHO em 29/10/2013 13:39:33
Excelente matéria mesmo, gostaria de ver uma sobre a Bolívia seria interessante!!!
 
Reinaldo Gondim em 29/10/2013 13:37:32
Parabéns pela matéria. Redação impecável.
 
Luiz Novaes em 29/10/2013 10:24:53
Parabéns pela matéria. Poderiam também "rodar" pelos países vizinhos dando dicas e impressões para um dia podermos visitar. Texto com excelente desenvoltura e rico em detalhes! Muito bom mesmo! A tempos não via um texto bem elaborado nesta cidade.
 
Raphael Cavaleiro em 29/10/2013 10:17:09
Não consigo imaginar alguém com bom humor em Assuncion, depois de passar pelo terrorismo pela estrada com os guardas pedindo dinheiro e fazendo ameaças. Me desculpe a sua matéria está linda, mas não consigo ter esse olhar sobre o Paraguay.
Meu marido sofreu um sequestro relâmpago em Pedro Juan, pelo fato de ter estacionado a 20 metros da divisa, ou seja do outro lado do canteiro na linha de divisa, o sequestro durou mais de 4 horas, os policiais pediam R$ 2.000,00 para liberar o carro, isso ocorreu num domingo(07.07.13) a noite e eu tive que rodar 200 km para levar o dinheiro. Acho isso um tremendo abuso e as autoridades não fazem nada, os carros paraguaios circulam pelo Brasil e não sofrem o que nos sofremos lá.
As autoridades brasileiras tem que intervir por nós!
 
Vania Leite em 29/10/2013 09:31:49
Já estive em Assunção de passagem, e realmente os preços são convidativos, também poderá num pais onde quase não se paga impostos e se importa carros usados de até 15 anos, mas o contraste é evidente, muita sujeira nas ruas, pedintes e ônibus de transporte coletivo caindo aos pedaços.
 
Marcos Wild em 29/10/2013 08:25:59
Morei em Assunção por um ano. Meu pai vive lá há 25, e confesso que você conseguiu ver bem o que é Assunção na sua pequena estada. Parabéns pela matéria!
 
Mayara Sá em 29/10/2013 08:14:40
Só recomendo a todos que vão de avião.
Tive a experiencia de passar de carro, e digo que 90% dos policiais são mais bandidos que nossos bandidos aqui, em um trajeto de 600 km dentro do país fui extorquido 9 vezes por policiais corruptos e sujos.
 
Lucas Santos em 29/10/2013 08:12:40
Mbae che la porte mi Paraguay hermoso.
 
Carlos Roberto em 29/10/2013 07:22:16
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