A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

17/02/2014 06:24

Mercearia vende de tudo, vive cheia e é um belo clássico guardado no Santo Amaro

Paula Maciulevicius
Mercearia ainda tem balança do tempo do epa, cordão de chinelos e o que se imaginar de produto. (Fotos: Marcos Ermínio)Mercearia ainda tem balança do tempo do epa, cordão de chinelos e o que se imaginar de produto. (Fotos: Marcos Ermínio)

Laranja, de portas de ferro e lotada de fregueses. Um entra e sai de gente para pedir ou pagar o copo de cachaça já consumido direto para o ‘seo’ Ramos. Há 40 anos, na esquina das ruas Engenheiro Américo Baís e Raniere Mazili, na região do bairro Santo Amaro, a mercearia que leva o sobrenome da família, Ramos, vende de tudo, desde o pão, até a pinga.

Veja Mais
SPA um oásis na aridez da vida moderna. Você merece esse presente
Hotel para Pets tem quartos climatizados, piscina e recreação

O lugar deve ter um tamanho razoável, mas fica pequeno com tanta coisa. As paredes são forradas de cachaças, o balcão de madeira deixa visível em cima e nas prateleiras a variedade até desconexa de produtos. Bolacha de maisena, do lado de acetona, que por sua vez faz companhia ao miojo, erva de tereré, materiais para consertos elétricos e um cordão de chinelos que decora a mercearia de um lado a outro.

“Aqui tem de tudo um pouco. A gente tenta pelo menos, essa semana faltou duas vezes. Quando falta eu anoto para comprar”, explica o dono, Joamir Rodrigues Ramos, de 65 anos. O que estava em falta nos últimos dias era feijoada, que agora comprada volta à prateleira por R$ 7,20.

Joamir Ramos, com 64 anos, fez a vida e a dos filhos do trabalho diário na venda do Santo Amaro.Joamir Ramos, com 64 anos, fez a vida e a dos filhos do trabalho diário na venda do Santo Amaro.

Os preços estão nas etiquetas, mas por estarem mesmo. Porque pelo seo Ramos, nem precisava, os valores estão todos na memória. A mercearia era do avô, que passou para o pai de Joamir e nos últimos nove anos, ficou para o último dos Ramos que tem a raiz de comerciante. Desde então, é ele quem toca o lugar sozinho. Quer dizer, só entre aspas, porque não tem horário que não tenha freguês para comprar pão, café ou tomar uma pinguinha.

“Te agrada passar o dia aqui, tem sempre alguém para conversar com a gente. E se estiver perturbando, eu já mando ficar para lá”, avisa. “Em quase 40 anos aqui, nunca saiu uma briga de faca, revólver. Nem polícia vem aqui, é todo mundo conhecido, aposentado”, explica.

E dentro do contexto das brigas, Joamir toma todo cuidado na hora de se precaver. Os machados, as enxadas e até um carrinho de pedreiro tinham mais saída quando eram expostos. Os produtos também são vendidos na mercearia, mas do balcão para trás. “Em briga, cada um podia pegar um machado. Aí não dava”. Por segurança dos próprios clientes, Ramos agora esconde as ferramentas. A medida refletiu e o machado que custa R$ 38 já está encostado há meses. “É que antes, como ficava lá fora, as pessoas viam”, argumenta.

A procura da clientela é mais por bebida mesmo, mas como ali tem de tudo, dá até para virar justificativa em casa. De que o cliente foi comprar pão, café, ou até mesmo um par de botinas e tomou um copinho. “Aqui não se volta para casa sem nada e sem tomar pinga. Tem muitas pessoas que já vem comprar o pão, levar o café e tomar a cachaça”, narra.

'Famoso', o machado agora fica atrás do balcão para evitar de virar arma na mão de cliente pra lá de bagdá. 'Famoso', o machado agora fica atrás do balcão para evitar de virar arma na mão de cliente pra lá de bagdá.

O horário de funcionamento é das 7h às 13h com direito a uma longa pausa. Depois do almoço, Ramos só abre às 5h da tarde para esticar até a noitinha, lá por volta das 22h.

E como mercearia que se preze vende fiado na caderneta, a freguesia fiel de Ramos tem seu próprio caderno de compras. “Seo Orlando, seo Vitório, Postero, Claudinha, Luan e Bianca. Eles chegam aqui e vai direto no caderno, não tem que ficar caçando a conta em um só”, explica Joamir.

Pergunto se são apenas estes, ele afirma que não. “Isso é o que fica aqui, fora quem fica com a caderneta na casa deles”. Na ponta da língua, o proprietário descreve um cotidiano quase inexistente nos dias de hoje.

“Não quero modernizar nada. Esse ano vou me aposentar. Os filhos estão tudo criados. Uma é nutricionista, o outro é gerente de banco. Em 40 anos disso aqui eu fiz 10 casas de aluguel. Vou agora é comprar uma chacrinha no meio do mato, trabalhar não quero mais não”.

Ah, e os 65 anos de vida mencionados no início da reportagem, seo Ramos completou na última sexta-feira, de portas abertas, vendendo à clientela, do pão à pinga.

Mercearia funciona há 40 anos no Santo Amaro, vendendo de pão à pinga.Mercearia funciona há 40 anos no Santo Amaro, vendendo de pão à pinga.



quiqui e a pessoa que merece muito mais pela sua honestidade coerencia e acima de tudo muito humana parabens quiqui tenho muito orgulho de ser seu cliente e amigo
 
gildadasio alves dos santos em 18/02/2014 05:45:50
eh velhos tempos que meus pais compravam ai.sucesso quiqui!
 
balbina soares de almeida em 17/02/2014 22:36:43
parabens pela matéria campograndenews, ate chorei, pois eu só não passei fome no governo do marcelo miranda porque seu lindolfo me ajudou muito fiquei quase seis meses pegando de tudo lá pra minha familia, devo muito a essa familia ai..
 
silas souza alencar em 17/02/2014 21:17:42
conheço a mercearia,e já comprei muito lá,mas conheço o dono como QUIQUI, não sei porque,só agora fiquei sabendo o nome dele. parabens pela materia. campograndenews
 
inacio poquiviqui em 17/02/2014 20:51:05
Parabéns "Quiqui", quantas lembranças boas de toda família Ramos, e eu que inúmeras vezes ajudei também atrás desse balcão, é gratificante ver a história ser contada e as pessoas reconhecendo o esforço do trabalho de todos vocês.
Com a partida de Sr. Lindolfo e Dona Joana, ficou a seu cargo dar continuidade ao que já fazia e dedicava-se, falo com orgulho pois você de certa forma faz parte de meu rol de familiares, temos primos em comuns e fiz parte também de um pedacinho dessa história, me sinto orgulhoso e feliz por todos vocês. Do amigo Tiquinho.
 
Francisco Chagas de Araujo (Tiquinho) em 17/02/2014 20:33:31
Parabéns, duas vezes uma pelo seu belo trabalho e outro pelo seu aniversário, Deus continue te protegendo e abençoado você e sua família. Parabéns.
 
Marly Pereira de Araujo em 17/02/2014 19:24:09
Uma matéria como poucas. Eu como jornalista e primo do Ramos fico muito feliz com a pauta. Sempre que vou a Campo Grande faço questão de uma prosa com meu primo Kiki (para os íntimos). Muito legal. Parabéns, CGN.
 
Juarez Araújo em 17/02/2014 19:18:10
Nossa que saudades do tio Lindolfo.., lembro quando criança, minha avó, irmã dele, ia lá e voltava com a mão cheia de bala para nós... que matéria linda, a família merece, parabéns primo por ter continuado um trabalho tão bonito do seu pai. Deus o abençõe. Um grande abraço. Eliane
 
Eliane Ramos Brandão Camargo em 17/02/2014 16:32:02
Conheço a mercearia, e a matéria é digna de elogios por abordar pessoas simples da comunidade, tão raro na mídia atual. Quanto ao proprietário da mercearia, só se pode dizer que se trata de um "herói". Parabéns Sr. Joamir e que Deus continue iluminando o seu trabalho e a sua família, pois pessoas de como o senhor são raríssimas nos dias atuais.
 
Pedro Roberto em 17/02/2014 16:29:57
Homem honesto e trabalhador seu Ramos mais conhecido como Quiqui, fui vendedor de cerveja para ele alguns anos atras...grandes saudades....
 
Helio Alonso Faustino em 17/02/2014 15:50:40
Êita!!! velhos tempos dos bolichos.
 
Edvald Miranda em 17/02/2014 12:07:43
Parabéns ao Campo Grande News pela matéria, esta relação de confiança entre empresário e clientes é uma raridade, conheço bem esta mercearia e "tiro o chapéu" para meu primo, o Quiqui ou Sr. Ramos, sei que não é fácil ter um comércio igual ao dele, que preserva as raízes, que não se apega as modernidades, que dá valor a simplicidade.... confiança se conquista com o tempo, são 40 anos no mesmo endereço e com o mesmo estilo; deveriam existir muitos outros iguais, mas o povo prefere se aglomerar nos grandes mercados e enfrentar filas enormes.... com certeza no "seu Ramos" não tem filas e o atendimento é nota 10 ! Homem batalhador, por isso um VENCEDOR ! Tenho enorme prazer em dizer... é meu parente, tem meu sangue.... rs PARABÉNS ! DEUS ABENÇOE !
 
Marinês Lubas em 17/02/2014 11:14:26
Muito legal a matéria.Aproveito para pedir que voces façam uma matéria com o senhor Nelson Okama,proprietario do copo sujo,antiga mercearia Gisele,na rua Pedro Celestino em frente ao bilhar do Edicel.Recanto de muitos amigos e muitas estórias.Vale a pena!
 
Paulo Ramos em 17/02/2014 10:46:34
Assim como esta, existem outras parecidas, uma delas fica na Rua Bom Pastor, no bairro Villas Boas, perto da TV MORENA, é o SOS do Batuta, cujo dono é o Sr. Orestes. Me mudei do bairro há um ano atrás e sinto muita falta das conversas, das frutas e verduras fresquinhas, do tratamento diferenciado, pois em um supermercado não existe este tipo de coisa. A modernidade muitas vezes nos obriga a ficarmos distantes até mesmo dos vizinhos, mas com pessoas como o Sr. Orestes e o "seo" Ramos, bravos resistentes, ainda podemos usufruir de bons momentos como estes. SAUDADES Sr. Orestes, qualquer dia apareço por aí, e "seo" Ramos vou conhecer sua mercearia e quem sabe viro freguesa.
 
Kelly Silva em 17/02/2014 10:30:23
passei minha infancia nesta mercearia, na época do seu Linfolfo ainda. Meu pai passava as horas de folga lá. É bom demais ver essa história depois de tantos anos! Resta saber quem vai manter a tradição depois que o Quiqui se aposentar...
 
GISELE GOMES DE SOUSA SANTOS em 17/02/2014 10:26:41
Fiquei emocionada,meu irmão dando continuidade ao legado do nosso Pai,o que dizer ,mercearia assim não e existe mais, e homem como ele também .Parabéns és um vencedor.
 
jacira fatima ramos em 17/02/2014 10:19:10
vamos divulgar se em cada bairro tivesse um deste ajudaria muito as donas de casa, vamos tirar o chapéu esse sabe vender ´parabénssssssssss
 
angelica miranda em 17/02/2014 10:13:57
Faltou o apelido quiqui não se é o dele mais existe lá!
 
Sergio Lima em 17/02/2014 10:04:16
Tenho Muito orgulho de ser filho dele, agradeço sempre a Deus por ter o privilegio de ter um Pai como ele. Lhe agradeço por tudo que o senhor fez até hoje por mim e por nossa familia.
 
Carlos Eduardo Pereira Ramos em 17/02/2014 09:35:20
Sem mencionar que o dono do bar nem guarda as cadeiras, ficam todas pra fora, e ninguém leva!
 
Graciela Lopes em 17/02/2014 08:30:58
Moro no bairro e tive o privilégio de ser cliente do seu Ramos. Todo dia eu passava lá pra tomar tubaína e comprar uma paçoca na volta da escola; era sagrado. Tudo isso com R$ 1!! Pena que a vida se torna cada dia mais corrida e acaba ficando difícil manter certos hábitos; mas que dá saudade, dá.
Parabéns pela reportagem, Campo Grande News!
 
Guaraci Mendes em 17/02/2014 08:27:21
Muito legal esta matéria, uma verdadeira volta ao tempo, pudesse todas as pessoas cultivarem assim a confiança umas nas outras. Gostei!
 
Claudia Dias em 17/02/2014 06:57:17
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.