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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

30/07/2015 06:45

Na hora de separar objetos e roupa de quem morreu,ajuda pode vir de profissional

Naiane Mesquita
William achou que reaproveitar os móveis do pai seria uma homenagem a sua história (Foto: Vanessa Tamires)William achou que reaproveitar os móveis do pai seria uma homenagem a sua história (Foto: Vanessa Tamires)

Quando William Carvalho perdeu o pai, seu Adelir, aos 72 anos, depois de uma batalha contra o câncer de pulmão, uma das primeiras medidas foi doar as roupas e alguns pertences do velho companheiro.

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Para muitos, esvaziar o guarda-roupa significa encarar de vez a separação, mas para as crenças do gestor em projetos e músico, aqueles pertences eram apenas uma lembrança material do que para ele é eterno. “Cada um tem um jeito, que é saudável naquele momento, tem pessoas que deixam como está, sem mexer em nada. Eu fiz diferente, doei tudo que podia ser utilizado por outras pessoas”, afirma.

Na hora de separar objetos e roupa de quem morreu,ajuda pode vir de profissional

Durante as arrumações, alguns objetos que guardavam um pouco do espírito de artesão de seu Adelir foram mantidos. A mesa de trabalho de onde antes saíam as artes foi transformada em um balcão para o cooktop.

“Falam que é uma forma de manter vivo, mas para mim é uma forma de homenagear porque a morte não é o final de tudo. Não acredito que vire pó, todos nós temos a nossa história, a gente fica com as imagens dele. Lembramos sempre”, acredita.

Agora, os móveis decoram a sede da chácara que William escolheu como morada, por enquanto, nos finais de semana. Todo charmoso com xícaras penduradas pela parede, o local foi pensando para ser confortável e contar um pouco a história da família, por isso seu Adelir não poderia ficar de fora. “No lavabo colocamos a outra mesinha. Sempre reaproveitando, mas mantendo as características dos móveis dele”, diz.

Ajuda profisssional - Encontrar uma solução para os pertences deixados para trás e a hora certa de se despedir deles são temas tão debatidos que até livros de personal organizers abordam os assuntos.

“Em alguns Estados e países, profissionais oferecem esse tipo de serviço de organização pós-luto. Em Campo Grande, eu comecei a divulgar agora. Com sensibilidade é possível ajudar as pessoas que estão passando por isso em um momento de dor”, acredita a personal organizer, Dina Félix, 36 anos, da empresa Eu Organizo.

Divulgando há pouco tempo, ela afirma que ainda não recebeu nenhum chamado, mas que é normal a demora, principalmente na decisão de organizar os objetos.

Rafael com o violão que foi do pai, Murilo. (Foto: Laura Samúdio Chudecki)Rafael com o violão que foi do pai, Murilo. (Foto: Laura Samúdio Chudecki)

“Cada pessoa tem seu tempo. Tem gente que vai querer fazer logo após o falecimento, já outros vão esperar meses. É importante que a pessoa tenha em mente que no início, na triagem do material ela precisará está presente para decidir o destino dos objetos”, explica.

Essa decisão do que fica e do que vai também pode ser um momento de contato íntimo com a história de quem partiu. A jornalista Laura Samudio Chudecki, 35 anos, guardou após a morte do marido, alguns bonés e os instrumentos musicais que ele tanto amava.

O intuito era que o filho do casal, Rafael, hoje com 11 anos, pudesse encontrar um pouco do pai nos objetos. “Ele brinca com as coisas, quer saber sobre as histórias do pai. Eu separei um monte de bonés do pai. Teve uma época que ele usava cada dia um”, afirma.

Murilo faleceu em um acidente de carro há sete anos. Na época quem ajudou Laura foi a moça que trabalhava com ela. “A Raquel. Ela cuidava da nossa casa. Deixou tudo limpo e passadinho. Eu lembro que separei umas camisas dele para o meu avô, que ficou muito mal quando soube e nem pode ir ao enterro. Guardei especialmente por causa do meu filho, era muito pequeno na época, só tinha quatro anos. Achei que esses objetos ajudariam a preservar a imagem do pai, que foi bom pai e marido”, acredita.

Para ela, a saudade nunca morre, mas a dor passa com o tempo. “O que fica são as lembranças dos bons momentos”.




Muito boa a matéria. Parabéns a jornalista responsável e às fontes. Laura Chudecki é guerreira.
 
washington luiz de castro pereira em 30/07/2015 10:41:54
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