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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

24/06/2015 06:12

Quintal vira restaurante árabe com dança, jantar e canja de músico sírio exilado

Paula Maciulevicius
Dança e música árabe num só lugar. Restaurante abre as portas todos os sábados. (Foto: Arquivo Pessoal)Dança e música árabe num só lugar. Restaurante abre as portas todos os sábados. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em quatro meses o quintal do estúdio virou restaurante com as portas abertas para a cultura árabe. Na Rua Alagoas, em Campo Grande, o que sai da cozinha é receita de família e as bailarinas que antes eram alunas, aos sábados assumem a posição de estrelas.

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O sonho de 15 anos da bailarina e professora de dança, Nidal Abdul, de 32 anos se realizou agora, há menos de dois meses, com a abertura da Zahle Casa Árabe. "Precisava de um lugar para que a gente pudesse trabalhar a cultura em relação à dança e não tive como fugir da comida árabe", brinca a proprietária Nidal.

O quintal da casa dela, que também funciona como estúdio, foi todo reformado. O que era céu aberto ganhou telhado, acústica, paredes, tapetes e a decoração para receber até 90 pessoas todos os sábados. De início a ideia era ter uma equipe de cozinha, mas quem tomou à frente do forno e fogão foi a família. "Minha mãe, minha sogra, a funcionária que sempre trabalhou lá em casa. Nosso trabalho é todo em família", descreve Nidal.

Espaço é bem intimista, para até 90 pessoas. (Foto: Arquivo Pessoal)Espaço é bem intimista, para até 90 pessoas. (Foto: Arquivo Pessoal)
Apreciadores da cultura têm onde e com quem dançar na batida da música árabe. (Foto: Arquivo Pessoal)Apreciadores da cultura têm onde e com quem dançar na batida da música árabe. (Foto: Arquivo Pessoal)
Quintal a céu aberto ganhou paredes, telhado e acústica para receber shows. (Foto: Arquivo Pessoal)Quintal a céu aberto ganhou paredes, telhado e acústica para receber shows. (Foto: Arquivo Pessoal)

A recepção quem faz é o sogro, a coordenação do bar, o marido e os ingredientes para as receitas vem da Confeitaria Árabe, da tia de Nidal. O cardápio conta com pão, pastas e falafel como entrada e de jantar: arroz marroquino, 'mjadra', que é o arroz com lentilha, quibe assado e cru, tabule, charuto de folha de uva a kafta.

"Eu não aguento ficar parada, quando não tenho problema, eu vou caçar um", brinca. O valor é R$ 50,00 e o local trabalha com reservas para que o jantar seja todo programado e evite o desperdício. "A gente chega a deixar um pouco a mais, mas não tanto", explica.

O espaço é bem intimista e Nidal frisa que é para os apreciadores da cultura. Não tem área de fumante e nem o serviço de narguile.

Um sábado por mês, a casa recebe a "Noite das Estrelas", que por coincidência será neste próximo. O show de dança é um misto de profissionais com quem está começando os primeiros passos. "Sempre quis um lugar para colocar alunas para treinar, para não ficar só na prática da aula, onde você tenha que lidar com a vergonha e a insegurança. Agora minhas alunas tem esse lugar", descreve Nidal.

Waael Assaf, músico, ele é um refugiado recém chegado da Jordânia. (Foto: Arquivo Pessoal)Waael Assaf, músico, ele é um refugiado recém chegado da Jordânia. (Foto: Arquivo Pessoal)
Bailarinas apresentam dança do ventre com véu, espada e bastões. (Foto: Arquivo Pessoal)Bailarinas apresentam dança do ventre com véu, espada e bastões. (Foto: Arquivo Pessoal)

Na Noite das Estrelas, nada é coreografado. Tudo montado e organizado na base do improviso. A apresentação reflete o que vem de dentro, com quem dá o melhor de si, afirma Nidal. "Aí que está o desafio, de você trazer a dança da alma".

Entre as danças do ventre, tem com espada, véu e bastão, dabke e solo de derbak, instrumento tradicional da música árabe. A explicação que Nidal faz a mim é a mesma que ela resume em 5 minutos, em todos os jantares. "Abrimos para um momento cultural, decidimos um tema para falar e rapidinho explicamos um pouco daquele costume ou tradição".

Um dos destaques dos jantares é o sírio Waael Assaf. Músico, ele é um refugiado recém chegado da Jordânia, que deixou família e filhos lá para tentar a vida no Brasil. "É lindo ele cantando. Você não precisa entender nada do que ele está falando. É o jeito, a voz. Ele canta tocando no durbak. Não tem banda, não tem maquiagem, é só a voz e sem microfone", descreve Nidal.

A casa leva o nome de Zahle em homenagem aos avós da bailarina, que vieram desta cidade no Líbano. "Tem aproximadamente 120 mil habitantes, é uma cidade nas montanhas e hoje é considerada símbolo da gastronomia e das atividades culturais no Líbano. Pensei em vários nomes e este, não é só um lugar. Ele tem toda uma história", conta Nidal. A homenagem recai mais ainda sobre a avó. "Por ela, Antonieta Saliba, que eu entrei na dança. Se hoje eu tenho uma carreira, foi por ela que entrei nesse mundo", resume a neta.

A Zahle Casa Árabe fica na Rua Alagoas, 213. Os contatos para reserva são: 3326-4929 e 9252-9736.




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