A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

07/02/2015 07:23

Relíquia na garagem, jipe da 2ª Guerra é sonho de criança realizado após 29 anos

Aline Araújo
Hoje o Jipe ajuda na lida com o campo. (Foto: Arquivo pessoal) Hoje o Jipe ajuda na lida com o campo. (Foto: Arquivo pessoal)

Histórias de amor entre o homem e o carro são até comuns, mas algumas são tão legais que merecem ser contadas. Para alguns, o bem de quatro rodas representa muito mais que um veiculo. É um sonho mantido por anos, um sentimento de conquista e lembrança de um desejo de menino que ficou perdido no tempo, com gosto de saudade.

Veja Mais
Estilistas criam coleção especial para quem tem algum tipo de deficiência física
Referência em Medicina, cursinho abre inscrições para bolsas de até 100%

O caso entre José Barbosa Ferreira, de 58 anos, e seu jipe militar, de 1943 (dois anos antes do fim da 2ª Guerra), começou quando ele tinha 11 anos e vendia picolés na rua. Quando viu o veículo pela primeira vez, se encantou. “Eu encontrei o major com esse jipe, ele pagou uma rodada de picolé para os eletricistas que estavam ali e o carro ficou desenhado na minha cabeça. Eu falei para ele. Quando eu crescer vou ter um jipe igualzinho ao do senhor”, lembra.

Barbosa comprou o Jipe em 1969. (Foto: Arquivo pessoal) Barbosa comprou o Jipe em 1969. (Foto: Arquivo pessoal)

O tempo passou e o “sonho de menino” continuou presente na cabeça de Barbosa. Quando completou 29 anos, trabalhava em uma oficina mecânica e o objeto de desejo sonho ficou um pouco mais perto. “Na época fui olhar os classificados do jornal. E vi lá: 'Vende-se Jipe Militar no Posto Santa Emília. Meu coração acelerou, eu sai na hora e fui lá com o macacão de mecânico mesmo, todo sujo”.

Mas não deixaram o moço nem ele ver o jipe, já que não estava com “cara” de que iria comprar. Um rapaz que estava no local deu a dica sobre a origem da relíquia. O dono o veículo morava no bairro Nova Campo Grande e tinha um carro com uma águia na porta. Persistente, Barbosa andou no bairro de casa em casa até encontrar o carro com a tal águia.

"Quando eu vi, o coração disparou! Era o meu sonho de menino que estava ali. Quando eu vi eu falei é ele, o mesmo jipe que eu vi com 11 anos na rua” conta, empolgado

Diz que foi muito bem recebido pelo proprietário, os dois conversaram por horas sobre coleção de coisas antigas e a negociação começou. "Ele falou que o jipe só estava a venda se fosse completo com o reboque. Só vendia os dois juntos, por 70 mil cruzados", detalha. E não adiantava cheque ou pagamento parcelado, tudo tinha de ser à vista.

Como na época não tinha todo o montante, o sonho ficou na saudade. 

Quem acredita em destino pode afirmar que o dele e o do veículo estavam traçados, na mesma estrada. O jipe não foi vendido e tempos depois o dono ligou para Barbosa, para fazer uma proposta. A negociação por telefone foi presenciada por um parente que era fazendeiro no Pantanal e cliente na oficina.

Curioso, perguntou sobre o que se tratava a negociação, Barbosa contou a história e ele decidiu que queria ver o Jipe. Os dois retornaram à casa do dono e lá se foi mais uma tarde de conversa sobre antiguidades.

“O parente me disse que tinha aprendido a guiar em um jipe como esse e se eu não comprasse ele iria comprar. Eu disse que não tinha como, mas que ele podia fechar o negócio que pelo menos o sonho ia estar mais perto”, mas o amigo fez melhor, apresentou Barbosa para o gerente do banco e de lá saiu o empréstimo que precisava para comprar o Jipe. No final das contas acabou pagando mais de 110 mil cruzados.

O carro faz parte da rotina diária do fazendeiro. (Foto: Arquivo pessoal) O carro faz parte da rotina diária do fazendeiro. (Foto: Arquivo pessoal)

Ela estava com o carro há pouco mais de dois meses e recebeu a proposta de trocar por um Monza novo, que na época valia 130 mil cruzados. Depois de tanta luta, é claro que recusou a proposta, "porque dinheiro nenhum pagava o sonho de moleque na garagem".

Barbosa e a família se mudaram para uma chácara no município de Aquidauana, a 135 quilômetros de Campo Grande. Passados 46 anos da compra, o jipe é companheiro inseparável na lida do campo. “Sai do canavial lotado até a tampa”, comenta, com bom humor.

Hoje, se oferecerem R$ 50 mil na relíquia militar especial para a guerra, ano 1943, motor 4 cilindros, traçado reduzido com um guincho com tomada de força, Barbosa diz que até pensar na proposta. Mas só pensar, o valor sentimental é maior até que toda a pompa de peça de colecionador.




imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.