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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

12/03/2013 06:40

Corumbá e o sonho de ter a estação tão cheia quanto a do outro lado da fronteira

Aline dos Santos
Estação esquecida em Corumbá. (Foto: Rodrigo Pazinato)Estação esquecida em Corumbá. (Foto: Rodrigo Pazinato)

O silêncio, cortado apenas pelo miado aflito de um gato, impera na estação ferroviária de Corumbá. No mais, tudo é esquecimento. Vagões enferrujam nos trilhos, bilheterias vazias, plataformas sem chegadas e despedidas. Nada restou da agitação de outrora e o futuro se mostrou muito diferente do presságio de 8 de maio de 1968.

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Eternizado em uma placa, dizeres de que aquela estação seria a “a mais arrojada integração ferroviária sul-americana”. Sem transporte de passageiros pelos caminhos de ferros, pois o Trem do Pantanal encerra o itinerário em Miranda, a esperança agora é o minério de ferro.

O prefeito de Corumbá, Paulo Duarte (PT) conta que foi procurado pela diretoria da ALL (América Latina Logística). “A notícia importante é que ainda no primeiro semestre vão reativar o transporte de minério entre Urucum a Antônio Maria Coelho”, afirma.

Serão mais 40 quilômetros de trilhos em boas condições. Para o prefeito, uma coisa pode levar a outra. Ou seja, a circulação dos minérios até a hidrovia do rio Paraguai abrirá caminho para o trem de passageiros. Corumbá fica na fronteira com a Bolívia e pode fazer a interligação com os trens que partem de Puerto Quijarro.

A chegada do Trem do Pantanal à Cidade Branca é uma briga que começou em 2009, ano da reativação do meio de transporte. No ano passado, Paulo Duarte, ainda deputado estadual, acionou o MPF (Ministério Público Federal) para cassação do contrato com a ALL, que detém a concessão para operar a ferrovia.

A degradação da estação ferroviária também virou procedimento de investigação, por ter recebido dinheiro público para reforma. Depois de muitas promessas, saudades e frustrações, o Trem do Pantanal foi reinaugurado em 8 de maio de 2009, com festa pelo então presidente Lula e toda a classe política. O trem voltou não mais como de passageiros, que ia de Campo Grande a Corumbá, mas como produto turístico e o trajeto até Miranda.

Na Bolívia, trem está sempre pronto para os passageiros.Na Bolívia, trem está sempre pronto para os passageiros.

O mito do Trem da Morte - Uma leve torcida de nariz e a resposta que se trata do trem da vida. É assim que você será recebido em Puerto Quijarro, na Bolívia, se perguntar pelo Trem da Morte. “Isso é coisa de brasileiro”, afirma Carlos Lora Castelo, funcionário da estação de onde parte o trem até Santa Cruz de La Sierra.

Do lado de lá da fronteira com Corumbá, descobre-se que não é um, mas três trens, movimentados, imagem bem diferente da encontrada na estação da vizinha brasileira .

O top é o Ferrobus. Classificado como “um pouco mais rápido”, ele faz a viagem em 12h30. Com a passagem vendida por R$ 85, o trem é escolhido por turistas e funcionários de empresas. Para quem embarca, é oferecido jantar e café da manhã.

Tido como intermediário, o Expresso Oriental demora 15 horas no percurso. Os vagões têm ar-condicionado, televisão, lanchonete e poltronas reclináveis. A passagem custa R$ 43. No feriado do Carnaval, a composição estava parada na estação e foi visitada pela equipe do Lado B.

Já o que leva o nome e a fama é o Regional. São nada menos dos que 18 horas de viagem. E, detalhe, sem ar condicionado. No Brasil, seria o pinga-pinga, aquele que para em todas as estações do caminho. “É o trem do povo”, define Carlos. No Trem da Morte, vai gente, carga, mudanças. A estafante viagem pode ser feita em poltrona fixa, que custa R$ 17, ou na poltrona reclinável, ao preço de R$ 38.

Mito ou não, a verdade é que o trem vem num enredo de reclamações e temores. Uma das explicações aventadas é a morte de milhares de funcionários na construção da ferrovia. Outra, digna de Gabriel García Marquez, é de que o trem foi utilizado para o transporte de mortos durante epidemia de malária.

Se as possíveis explicações remetem ao passado, as críticas pululam na internet. Reclamam que o trem não tem luz, banheiros em péssimas condições, água e comida sem condições de consumo, além de furtos durante a viagem.




Arivaldo Paiva, voce dizer que uma viagem de Campo Grande - Corumbá, dura 5 horas, voce esta de sacanagem né, só a DOF, a Polícia Federal e a PRF faz coce perder 3 horas meu parçeiro, e outro voce não sabe desfrutar das coisas boas da vida, sem cultura.
 
ruy costa em 12/03/2013 23:35:14
usei inumeras vezes o trem para vir de sao paulo para o pantanal, embarcaba as 16 horas em Bauru e chegava aqui em Campo Grande as 8 da manha, conforto total! cama limpa, chuveiro limpo, carro restaurante.
Quando tive meus filhos comprava 2 cabines unidas, havia uma porta entre as 2, era muito conforto e o preço menor que o onibus.
mas agora.... são outros tempos, há interesses para que não seja eficiente?
Minha sobrinha vive na Inglaterra, estava combinando com amigos para virem passear pelo Brasil.... na hora de fazer o roteiro eles queriam TREM....
quando ela disse que no Brasil não havia trens de passageiro eficientes..
GARGALHARAM!!!
Para os europeus cidade sem trens é piada...
até na Africa a rede ferroviaria é eficiente..
 
Eny Feliz em 12/03/2013 16:20:52
Saudades sempre dá,mas viajar doze horas de trem,podendo viajar cinco horas de ônibus ou uma hora de avião,quem trocaria o conforto e rapidez??? É hipocrisia responder que de trem é melhor!!!
 
arivaldo paiva em 12/03/2013 12:09:50
A pressão doLobby do transporte rodoviário sobre o ferroviário é tão grande que faz do segundo, um transporte 60% mais barato que o primeiro, não seja utilizado e posteriormente esquecido.
Típico de país dominado por uma oligarquia nefasta, pois em países como Alemanha, EUA, França, Japão, entre outros, o transporte ferroviário é amplamente utilizado e cada vez mais está evoluindo, tanto para transporte de mercadorias quanto de passageiros.
 
Ulisses Maia em 12/03/2013 10:37:27
"Andorinha" acabou com tudo isso!!!!. O loby desta empresa é muito grande.
 
nilo papito em 12/03/2013 10:18:44
Sou filha de ferroviário aposentado, cresci no meio dos vagões, viajava sempre até Campo Grande.... quanta saudades tenho dessa época!!! Desde a privatização da ferrovia que ouço falar em retorno do trem de passageiros, mas quando isso vai acontecer? Só DEUS sabe!!! Mas para isso acontecer tem que se fazer a total troca e manutenção dos trilhos desde Corumbá até Campo Grande, que seria obrigação da ALL, pois a mesma tem a Concessão total sobre isso. E não só a ALL seria beneficiada, mas o povo também... Espero que um dia talvez esse sonho torne realidade e eu possa levar meus netos ( que ainda não tenho) a passear e admirar a beleza do nosso Pantanal através dos trilhos da ferrovia...
 
PATRICIA TONELLE BATISTA em 12/03/2013 09:51:33
Gostaria de saber a "quem" interessa o sucateamento de nosso Estado?...Transportes,Saúde,Educação e comunicação estão a cada dia piores no MS e pareçe que ningúem liga.
 
Paulenir de Barros em 12/03/2013 09:00:02
Nossa ferrovia não existe mais. Entre miranda e Corumbá, um trem de carga leva doze horas de viagem! Isso foi informação de um maquinista que eu conversei na estação Urucum a uns quatro meses atras, enquanto eu fazia um serviço na região e o trem esperava parado por uma manutenção. Alguém ja viu a reforma que fizeram na linha a alguns anos atras? Não? Eu tive a oportunidade de percorrer a pé a um tempo atras, um pequeno trecho na região de Aquidauana, e percebi no máximo, 1 dormente trocado a cada 8 ou 10 metros, nos demais, é possível arrancar os grampos com as mãos, sem fazer esforço, pois ta tudo podre! Liberar o transporte de passageiros nessas condições, mais que uma piada, é uma irresponsabilidade.
 
Julio Nogueira em 12/03/2013 08:35:49
Aqui no Brasil a primeira preocupação é cobrar 40% de imposto sobre a passagem
 
luiz alves em 12/03/2013 08:12:42
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