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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

02/03/2015 08:58

Em baile onde mulher de mini-saia leva vantagem, que tal criar uma polêmica?

Aline Araújo
Baile na Bolero Casa de Dança. (Foto: Marcos Ermínio)Baile na Bolero Casa de Dança. (Foto: Marcos Ermínio)

Nem sempre as coisas são o que parecem. É clichê, eu sei, mas um aspecto bacana na profissão de jornalista é poder exercitar o nosso ponto de vista sobre as pautas que nos foram propostas. E é nesses exercícios, nesses desafios de trabalhar os nossos preconceitos, que a gente acaba aprendendo.

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No último sábado fui escalada para fazer a matéria no “3º Baile da Mini-Saia”, onde as primeiras 50 mulheres a caráter não pagavam ingresso e a mini-saia mais fashion ainda ganhava R$ 100,00.

As festas temáticas eram mais comuns antigamente, mas com o tempo foram perdendo a força nos clubes, mas ainda existe alternativa, como a festa da mini-saia, uma estratégia para chamar o público. A pauta era essa.

Mas não gostei. Não enxergava essa pauta, em uma festa que incentivava as mulheres a irem de roupas curtas em troca de entrada free. Eu nunca gostei dessa história de mulher pagar menos que homem para entrar nos lugares, já me chamaram de chata por isso e é algo recorrente nas baladas das cidade, sejam elas as mais caras ou as mais populares. Do rock ao samba, do eletrônico ao sertanejo, é comum.

Eu entendo perfeitamente como funciona a lógica da estratégia de marketing e não acho que a proposta desvaloriza a mulher, nada disso, já que é algo embutido na nossa sociedade. O ingresso gratuito acaba sendo um chamariz para atrair tanto as mulheres, por pagarem menos ou não pagar, como os homens, por saberem que a festa vai ter mais mulheres. Pode parecer bobeira, para muita gente, mas eu acredito que é nessas pequenas coisas do cotidiano que a gente luta por direitos iguais entre os gêneros.

A discussão é longa e o meu trabalho é falar sobre a festa. Que por sinal, é muito legal! E acho que o mais bacana é que ali o que menos importa é a roupa.

Rose, escolheu aderir ao traje para curtir a festa. (Foto: Marcos Ermínio)Rose, escolheu aderir ao traje para curtir a festa. (Foto: Marcos Ermínio)
Jucely escolheu curtir a festa de calça jeans. (Foto: Marcos Ermíno)Jucely escolheu curtir a festa de calça jeans. (Foto: Marcos Ermíno)

“O nosso clima é quente, propício para o uso de mini-saias. Festa onde tem mulher, tem homem. é claro, mas a proposta é pensar no bem estar mesmo e uma brincadeira. Tanto que a premiação não vai para a mini-saia mais curta, e sim para a mais bonita e dá pessoa que é animada. Até porque, aqui é um baile para a família”, comenta o responsável pela festa, conhecido como Junior da UCDB.

E o ambiente do baile, realizado na Bolero Casa de Dança, é muito agradável. A festa já é um sucesso, nas últimas edições mais de 800 pessoas lotaram a pista de dança. Ao som de grupos de baile como Eco do Pantanal, Gregório e Grupo Fronteira. A vontade é de deixar o bloquinho de lado e sair dançando.

Algumas mulheres capricham na produção, na hora de escolher a mini-saia para a festa. ”A gente chegou tarde e vai ter que pagar. Mas eu acho a ideia legal, eu já me arrumei e pensei na mini-saia que ia colocar, para não ficar diferente e combinar com a festa”, diz a empresária Luiza Gomes, de 36 anos, que escolheu uma saia rodada e colorida para a noite.

Mas as roupas variavam, tinha muita gente de calça ou bermuda. “A gente vem mesmo pelo baile. Cada um usa o que quiser! O bom é dançar”, reforça a dona de casa Jucely Aparecida, de 27 anos, que optou pela calça, mas caprichou no visual com uma bota branca.

A cabelereira Rose Arcanjo, de 45 anos, foi a festa pela primeira vez. “ Achei interessante e resolvi vim conhecer. Acho que mulher podia entrar de graça. Eu já pensei em arrumar uma mini-saia para vir bem bonita”, comenta, sem se incomodar com o tema ou qualquer apelo que isso signifique.

Eles também não estão nem ai para a mini-saia. Quem foi ao baile queria mais é dançar, sem se preocupar com a roupa alheia.

“A gente vem pela diversão, pelo baile mesmo. Para dançar e por causa das mulheres bonitas também”, garante o técnico em eletrônica Clodoaldo Roseno, de 39 anos.

O amigo, Arnaldo da Silva, de 31 anos, concorda. “Na cidade é difícil achar festa boa por um preço justo. Aqui é em conta e o baile é bom, a gente não paga caro e se diverte muito”, diz.

E a lição que eu aprendi foi a velha história de nunca julgar o livro pela capa, e para quem gosta de dança, o baile da mini-saia é uma ótima opção. Minha opinião sobre o preço diferente de ingressos femininos e masculinos não mudou, e continuo não gostando dessa estratégia para atrair o público.

Mas sai da reportagem feliz em perceber que a maioria de quem vai para o baile, vai pela festa, pela dança, e não pelo tamanho da saia das meninas.

Talvez a questão nem faça sentido para muita gente que vai ou organiza festas com esse tipo de marketing. Eu gostaria que essa estratégia um dia não faça mais sentido, mas até lá, o que a gente não pode é deixar de se divertir por conta disso.

De calça ou de saia, o importante é dançar. (Foto: Marcos Ermíno)De calça ou de saia, o importante é dançar. (Foto: Marcos Ermíno)



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