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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

22/01/2013 08:30

Com 8 alas prontas, Igrejinha resolve doar fantasias para Cuiabá e Aquidauana

Elverson Cardozo
Oito alas já estavam prontas, mas as fantasias foram doadas porque a escola não vai mais desfilar.  (Foto: João Garrigó)Oito alas já estavam prontas, mas as fantasias foram doadas porque a escola não vai mais desfilar. (Foto: João Garrigó)

Por 37 anos, a Igrejinha, uma das escolas de samba mais tradicionais de Campo Grande, deixou a avenida pensando na próxima folia. Em 2011 não foi diferente. Até o dia 14 de novembro, data em que o barracão da agremiação foi interditado em virtude de uma ação movida pelo MPE (Ministério Público Estadual), os trabalhos para a preparação eram intensos.

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Como a escola não vai entrar na avenida este ano, parte das fantasias que já estavam prontas foi doada a agremiações de Cuiabá e Aquidauana. Na Capital, a contribuição foi para Unidos do São Francisco.

O enredo da escola que leva o branco e vermelho em sua bandeira também estava definido. O convite era para um “embarque na Estação Igrejinha e viagem nos trilhos da nossa arte”. Todas as expressões artísticas de Mato Grosso do Sul seriam lembrados.

Segundo o presidente, Paulo Freire Tomas, o Paulinho, oito alas estavam prontas. Algumas alegorias foram encomendas de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, mas tudo deve de ser cancelado. “Não tivemos prejuízo de crédito, mas quando você encomenda tem que honrar”, disse, se referindo aos fornecedores de outros Estados.

Sem local para ensaiar, proibidos de realizar qualquer tipo de manifestação cultural – o que garante lucro – e sem condições financeiras de adequar o espaço de acordo com as exigências do órgão – que, dentre as determinações, pediu isolamento acústico -, a agremiação decidiu não participar da folia este ano. O valor para adequação, de acordo com levantamento da direção, chega a R$ 260 mil, quantia que escola não dispõe.

Mas não é só isso. Paulo Freires afirma que a escola foi prejudica duas vezes. Primeiro pela interdição do MPE, após denúncia. Depois, pela própria Lienca (Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande).

“Nossa interdição foi por uma ação pública, de um evento chamado pré-carnaval, que é realizado pela Liga das Escolas de Samba, prefeitura e governo do Estado”, destacou.

Paulo Freire e as fantasias prontas no barracão. (Foto: João Garrigó)Paulo Freire e as fantasias prontas no barracão. (Foto: João Garrigó)

O evento, ressaltou, não foi promovido pela escola. Além disso, o Ministério Público, na avaliação do presidente, não foi correto ao aceitar denúncia anônima de um morador que se incomodou com a sujeira deixada pelos carnavalescos, mas sequer esperou a prefeitura desmontar as estruturas e fazer a limpeza da rua.

“O tratamento que se foi dado para Igrejinha foi o mesmo dado para uma casa de show. Algumas, onde aconteceram acidentes com finais trágicos, continuam funcionando”, ressaltou.

A outra reclamação é com relação aos recursos liberados pela prefeitura e Governo do Estado que a Lienca repassa às escolas conveniadas. A igrejinha, de acordo com o presidente, não recebeu ajuda financeira da entidade.

“Eles esqueceram que eu trabalhei até o dia 14 de novembro. Abraçou a decisão do MPE e nos excluiu, como se nunca tivéssemos nascido”, declarou, ao afirmar que o correto seria a Liga reter o dinheiro até a regularização. “E se a gente resolve isso daqui a duas semanas?”, questionou.

Repasse - O presidente da Lienca, Eduardo de Souza Neto, informou que a Igrejinha oficializou a não participação do carnaval de 2013 no dia 13 de dezembro, antes mesmo do prazo final dado às agremiações – 19 de dezembro – e antes da confirmação de apoio da Prefeitura e do Governo.

As poucas alegorias que sobraram depois da doação às escolas de Cuiabá, Aquidauana e Campo Grande. (Foto: João Garrigó)As poucas alegorias que sobraram depois da doação às escolas de Cuiabá, Aquidauana e Campo Grande. (Foto: João Garrigó)

O critério para o rateio da quantia repassada pelo poder público é a participação nos desfiles. Sobre a possibilidade de reter o valor junto à Liga, Eduardo afirma que a situação pode ser estudada, mas para valer, talvez, no próximo carnaval.

“Isso é um mecanismo que teria de ser estudado com a Comissão de Carnaval para estabelecer no regulamento do desfile”, disse.

O presidente da agremiação, completou, poderia ter oficializado o pedido junto à entidade, mas não o fez.

Rebaixamento - Como a Igrejinha não desfila este ano, a preocupação é com um possível rebaixamento para o grupo de acesso. Possibilidade que a Lienca descarta porque considera que a classificação só deve ocorrer quando a agremiação entra na avenida.

Mas o assunto será tratado depois do carnaval, em uma assembléia que deve reunir representantes de todas as escolas. Vence a opinião da maioria.




O MPE nunca foi tão rápido em suas ações, heim? Será que tem gato na Tuba?
 
Jair de Oliveira em 23/01/2013 01:19:49
Nosso carnaval já é uma piada, um desastre total, eu particularmente não curto, no entanto, isso é a manifestação cultural tão aceita pela maioria dos brasileiros, os organismos públicos deveriam incentivar ao invés de fechar a escola. Fala sério, um denunciante anônimo, essa estória está mal contada.
 
Heliton Barão Silva em 22/01/2013 15:14:18
Mesmo passando por uma situação tão difícil, a Escola Igrejinha mostra seu valor ao doar as alegorias para outras escolas da Capital e de outras cidades. Isso é solidariedade e responsabilidade social para com a cultura de nosso Estado e também se estendendo ao irmão Mato Grosso. Parabéns pela iniciativa. Oxalá outras escolas tenham os mesmos ideais que vocês!
 
Aline Oliveira em 22/01/2013 13:37:35
Não vai fazer falta! Querem ver desfile de verdade no Mato Grosso do Sul, é só ir para a maravilhosa cidade de CORUMBÁ, e se sentirão na sapucaí!!!
 
marcio ilha em 22/01/2013 12:58:12
é uma pena uma escola tão tradicional de campo grande deixar de desfilar neste carnaval.
 
josé henrique em 22/01/2013 10:35:54
È incrivel esses promotores, nao fazem nada em prol da populaçao, vivem protegendo bandidos e agora, tratando a capital, como se fosse uma cidade interiorana, onde nao se pode fazer barulho, e assim, representando contra a cultura do estado. È uma brincadeira, va para o interior, ja q nao gosta de barulho, va cuidar da bandidagem q voces so protegem.
 
roberto santos em 22/01/2013 10:03:28
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