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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

30/03/2015 06:12

Com apego à tradição, festa cigana mostra a riqueza de uma cultura misteriosa

Aline Araújo
Tsara, é a tenda onde são realizadas as festas ciganas. (Foto: Alcides Neto)"Tsara", é a tenda onde são realizadas as festas ciganas. (Foto: Alcides Neto)

Ao entrar na "Tsara", nome dado à tenda cigana, um tecido vermelho que reveste todo o salão, é impossível não notar a riqueza nos detalhes de uma cultura cercada de mistérios e misticismo. A decoração vai do chão até o teto e é cercada de significados. A começar pelas mesas, sempre em números pares.

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Postas de seis a oito lugares, os números pares das mesas representam a união, a alegria e a sorte, só um dos costumes de um povo que é família, gosta muito de festa e estar próximo das pessoas que ama.

A festa "Gitana", que deve acontecer a cada 15 dias, no Espaço Místico e Holístico Vida em Harmonia, no bairro Monte Castelo, em Campo Grande, é para mostrar um pouco da cultura cigana para o público. Neste último sábado, o Lado B foi acompanhou a festa. Um convite de um povo com etnias e costumes próprios que fazem parte da história do mundo, e até hoje é cercada de mistérios e preconceitos.

Cercada de misticismo a cultura cigana abre as portas para o público. (Foto: Alcides Neto)Cercada de misticismo a cultura cigana abre as portas para o público. (Foto: Alcides Neto)

“O que nós queremos é divulgar um pouco da nossa cultura para as pessoas que estão dispostas a vir conhecer e respeitar, que tem interesse de ver como é de verdade. Começamos com uma festa só para mulheres e decidimos fazer uma festa maior. Hoje é a realização de um sonho, poder mostrar um pouco das nossas festas para as pessoas”, comenta a organizadora do evento, Natalia Cristhiane Nicolish, de 44 anos.

Na família dela as tradições sempre foram seguidas à risca. Ainda na infância, ela foi prometida a Pedro Nicolish, também de 44 anos, ciganos só se casam entre eles e a festa tem a duração de dois dias. No primeiro, a celebração é mais tradicional, parecida com as que estamos acostumados, no segundo é o momento em que a mulher exibe a sua virgindade, outra tradição forte cigana.

As famílias são grandes e sempre que podem estão juntas. Cigano não gosta de ficar sozinho. As mulheres, sempre bem vestidas, de saias longas, flores no cabelo e muito brilho, tem como tradição não tomar uma decisão antes de conversar com as matriarcas da família.

Natalia organizou o evento para divulgar as tradições ciganas. (Foto: Alcides Neto)Natalia organizou o evento para divulgar as tradições ciganas. (Foto: Alcides Neto)
Pedro é presidente da Federação. (Foto: Alcides Neto) Pedro é presidente da Federação. (Foto: Alcides Neto)

Entre outros detalhes que cercam as tradições ciganas, festas como essa são uma maneira de manter viva a cultura. “Na verdade eram mais de 32 etnias ciganas no mundo, hoje só restam cinco, e nós conseguimos juntar quatro delas na Romani (Federação sul-mato-grossense de cultura e etinias cigana). O cigano é festeiro e buscamos preservar os nossos costumes”, conta Pedro, presidente da Romani.

A música animada é uma característica. (Foto: Alcides Neto)A música animada é uma característica. (Foto: Alcides Neto)

Em uma mesa, vários signos da cultura cigana são representados, o sal com moedas e canela, estão ali para espantar as energias ruins e o uma bola de cristal também faz parte da decoração. O ambiente feito para o evento desperta curiosidade em conhecer um pouco mais um povo que tem o seu próprio dialeto, ensinado de geração em geração.

A dança e as roupas tem uma identidade própria. (Foto: Glória Gonçalves)A dança e as roupas tem uma identidade própria. (Foto: Glória Gonçalves)

A música e a dança também são bem características. No cardápio, pratos que não podem faltar em uma “Pathil” como são chamadas as festividades ciganas. Entre eles estão o “Sosso Baclâno”, um cordeiro assado temperado com ervas finas à moda cigana e o Sarmá, charutos de arroz, carne moída e bacon temperado à moda romena.

Fátima Jorge, de 44 anos veio de São Paulo para participar da festa, com vestes típicas, é fácil identificar que ela é uma cigana, e não apenas se vestiu para estar ali.

“É maravilhoso, tudo é magico na cultura cigana, e sempre foi uma mistério para as pessoas, e para nós é uma alegria poder compartilhar um pouco da nossa cultura, para as pessoas conhecerem essa magia” explica.

Se toda a produção do salão, os quitutes preparados na cozinha, música e a dança para nós é uma festa, para quem é cigano, é apenas uma pequena demostração. “O que para vocês é novidade, para nós é rotina. Isso é muito pouco perto de uma verdadeira festa cigana. Nossas festas duram três dias” pontua Patricia Jorge, de 27 anos.

Ela também me conta sobre a vaidade cigana, as mulheres sempre estão muito arrumadas, não usam roupas curtas e abusam do brilho. Os homens costumam usar camisas, algumas vezes bem chamativas também.

O Gitana é uma festa paga, à noite com comidas e atrações inclusas custa R$70,00, só a bebida e paga à parte. Mas mais que um comércio, representa a força de um povo em preservar as suas tradições. O Espaço Místico fica na Rua Doutor Anibal de Toledo, 641, no bairro Monte Líbano.

Patrícia e Fátima seguem a tradição à risca. (Foto: Alcides Neto)Patrícia e Fátima seguem a tradição à risca. (Foto: Alcides Neto)
Bebidas típicas fazem parte do cardápio. (Foto: Alcides Neto)Bebidas típicas fazem parte do cardápio. (Foto: Alcides Neto)



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