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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

11/05/2012 13:19

Festa que começou com leilão e sanfoneiros homenageia São Benedito pelo 93º ano

Elverson Cardozo
Bisneto de Tia Eva, seu Michel ficou à frente da organização da festa por quase 50 anos. (Foto: Minamar Júnior)Bisneto de Tia Eva, seu Michel ficou à frente da organização da festa por quase 50 anos. (Foto: Minamar Júnior)
Morador exibe foto em que aparece tocando sanfona. (Foto: Minamar Júnior)Morador exibe foto em que aparece tocando sanfona. (Foto: Minamar Júnior)

A festa é pelo mesmo motivo há 93 anos, mas, com o tempo, já não é a mesma. Não chegou a se perder, mas perdeu muito do aspecto histórico e da importância cultural, principalmente entre os jovens.

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A comunidade Tia Eva, em Campo Grande, já está pronta, novamente, para mais uma festa de São Benedito. O evento começa na noite desta sexta-feira (11), às 19h30, com uma missa de abertura, e só termina no dia 20.

Sérgio Antonio da Silva, de 77 anos, é bisneto de Tia Eva e um dos moradores mais antigos. Nasceu e foi criado na comunidade. Conta que, no início, as atrações incluíam sanfoneiros, leilões de bolo, de frango e até de pernil. O dinheiro arrecadado era para ajudar na comunidade.

Como tudo muda, para deixar o evento mais convidativo, o jeito é apostar na rapaziada que prefere frequentar os shows musicais ao invés da missa. Um deles é Damião Jesus, que também é descente da ex-escrava.

Adolescente diz que Tia Eva representa a comunidade e que gosta das festa por causa das atrações musicais. (Foto: Minamar Júnior)Adolescente diz que Tia Eva representa a comunidade e que gosta das festa por causa das atrações musicais. (Foto: Minamar Júnior)

O adolescente de 17 anos diz que hoje não perde o baile por nada. Damião conta que toca bateria, gosta de dançar funk e pagode. Sobre a missa, diz não ter costume de frequentar.

Sergio Antonio, que é mais conhecido como Michel, ficou à frente da organização por quase 50 anos. No início, relata, o baile era feito ao relento, debaixo de um pé de árvore. “Mas reunia mais gente que hoje”, conta.

O primeiro salão de festa de alvenaria foi ele quem lutou para construir. “Demorou mais de 10 anos”, conta. Depois, o imóvel foi demolido para que um novo fosse erguido.

Para que a festa fosse realizada, Seo Michel trabalhava muito nos bastidores. Deixava até de tocar a sanfona - uma paixão da juventude.

“Cansei de passar a noite inteirinha sem dormir para trabalhar”, relembra. Hoje, a organização fica por conta de outra parente de Tia Eva.

Lúcia da Silva Araújo é da quinta geração. Há 6 anos é responsável pela festa que movimenta a comunidade onde mora desde os 8 anos. Os trabalhos para manter a festa que já virou tradição em Campo Grande devem começar com pelo menos três meses de antecedência. “É muito trabalho”, conta.

Igreja de São Benedito foi fundada em 1919. (Foto: Minamar Júnior)Igreja de São Benedito foi fundada em 1919. (Foto: Minamar Júnior)
Dia de missa durante festa na comunidade. (Foto: Minamar Júnior)Dia de missa durante festa na comunidade. (Foto: Minamar Júnior)

Lúcia acompanhou de perto as mudanças e afirma que hoje o público está mais exigente. “A gente nota que ninguém pergunta mais da missa. Querem saber quem são os cantores”, disse.

História - A Festa de São Benedito é um evento tradicional que acontece desde 1919 quando foi fundada a igreja da comunidade pela ex-escrava Eva Maria de Jesus, mais conhecida como tia Eva.

Em maio de 1998, a igreja de São Benedito foi tombada como parte do patrimônio histórico de Mato grosso do Sul. Em abril de 2008, a Fundação Cultural Palmares concedeu aos descendentes de Tia Eva a certidão de autodefinição como comunidade remanescente de quilombos.




Eu desde menina eu ai com minha mãe meu pai nas festa me lembro que era feita em baixo de ums pé de mangas e lona se estiver errada me corigem por favor rsrsrs ainda hoje sempre vou esta bém diferente mas o tempo muda mesmo assim é bom........obrigado por continuarem com as festas.
 
Vera Lucia rodrigues em 13/05/2012 11:17:21
Beneditos, benditos
Negritude que rola no tempo
No tronco ouvia o lamento
Que outros choravam por ele
Com a pena alva e brilhante
Veio então a princesa moça
No seu rompante de infante
Libertar os prisioneiros.
Porém, com a sina traçada,
Sem sesmaria, sem nada,
Morrem ainda, há cem anos,
Moribundos na calçada.

Almerindo de Oliveira

 
ALMERINDO DE OLIVEIRA em 12/05/2012 10:05:23
Esse povo tem uma história muito linda.
Quem não sabe pode até criticar, pela aparência..
Mas acho que todos deveriam conhecer um pouquinho da história dessa comunidade.
Há tesouros escondidos q o povão ainda não sabem valorizar...
Parabéns comunidade Negra Tia Eva e todos que vão prestigiar.
 
EZEQUIEL DOS SANTOS em 11/05/2012 11:29:43
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